UM PARAÍSO CHAMADO SERRA CATARINENSE

Nosso post de hoje, é para falar da visita que fizemos, à surpreendente e encantadora região da Serra Catarinense, no início desta semana.

Com certeza Deus devia estar muito inspirado, quando criou este pequeno paraíso, com florestas, vales e colinas e um dos mais lindos por do sol do planeta!

Mas além das belezas naturais do lugar, também tivemos o imenso prazer de conhecer pessoas de coragem,persistência e ousadia que enfrentam a cada ano, as tempestades de granizo, as geadas e as nevascas, para produzir vinhos de qualidade.

São homens de atitude, fazendo Vinhos de Altitude. 

E para agregar valor ao seu negócio, estes empreendedores visionários, decidiram investir no enoturismo, construindo vinícolas belíssimas, projetadas de forma estratégica, para que os visitantes, possam degustar seus vinhos, apreciando a exuberância da natureza ao redor. 

Deixamos aqui as nossas congratulações e os nossos agradecimentos, aos representantes das vinícolas Villa Francioni, Leone di Venezzia, Villaggio Bassetti,  D’Alture,Villaggio Conti, Monte Agudo e à Casa do Vinho, pela forma carinhosa e calorosa, com que nos receberam.  

Faltando pouco menos de 3 meses, para o encerramento do ano, posso afirmar, sem medo de errar que este paraíso chamado Serra Catarinense, está entre os lugares mais lindos e encantadores que conheci em 2019.

 

O VINHO BRASILEIRO QUE MARCOU ÉPOCA

Ontem a tarde,  visitando a Feira Iguatemi Wine que está sendo realizada no Shopping Iguatemi de Porto Alegre, viajei no tempo, ao me deparar com uma garrafa de vinho Guglielmone Nebbiolo 1989, produzido pela Adega Medieval, localizada no município de Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre, de propriedade do produtor Oscar Guglielmone.

No final da década de 70, início dos anos 80, eu não entendia muito de vinhos, mas já demostrava algum interesse pelo assunto e fiquei curioso, quando descobri no supermercado, onde eu fazia o rancho, um vinho feito na cidade vizinha.    

Fiquei fã dos vinhos Gugliemone, durante um tempo, sempre que era possível eu comprava uma garrafa, até que um dia, eles sumiram das prateleiras.

Mais tarde, fiquei sabendo o motivo, Oscar Gugliemoni havia sido assassinado, por um ex funcionário, no interior da sua Adega e devido a problemas familiares, a produção de vinhos não teve continuidade.

Ontem ao ver esta garrafa, passou um filme em minha mente, com cenas de bons momentos da minha juventude.

O MILAGRE DE PODAR E COLHER NO MESMO DIA

No último final de semana, estivemos visitando a região vitivinícola do Vale do São Francisco, para conhecer o milagre que viabilizou o cultivo de uvas viníferas e a produção de vinhos no semi árido do sertão nordestino.

A trajetória da vitivinicultura nesta região, começou na década de 60, com a produção de vinhos base para vermutes e uvas de mesa, e até mesmo para vinagre, porém, foi a partir dos anos 80, com a implantação de vinhedos de vitis vinífera, trazidas da Europa que surgiram os primeiros vinhos finos.

No início dos anos 2000, com a chegada do grupo Global Wines da região do Dão em Portugal e da gaúcha Miolo Wine Group, o Vale do São Francisco que já contava com pequenas vinícolas, se consolida como uma das grandes produtoras de vinhos e espumantes do mercado brasileiro.

Mas os grandes responsáveis pela transformação desta paisagem, antes árida e seca, imprópria para qualquer tipo de cultivo, foi a união do sol, da água e do homem.

O sol, sempre contribuiu com a sua presença na região durante 300 dias por ano, a água sempre esteve presente e o homem, completou o triângulo ao descobrir a forma de conduzi-la até o solo, para torná-lo fértil.

Porém foi o aperfeiçoamento e a modernização da técnica de irrigação, com a implantação do sistema por aspersão/gotejamento que possibilitou a criação do cenário ideal, para alavancar a expansão da vitivinicultura da região.

Este é a único lugar no planeta, com duas safras por ano, onde todos os ciclos da videira,  podem ser feitos no mesmo dia.

Não por acaso, escolhemos as duas maiores vinícolas do Vale, para conhecer. A primeira foi a Rio Sol, no município de Lagoa Grande, Pernambuco que pertence ao grupo Global Wines, no dia seguinte, foi a vez da Miolo Terranova, em Casa Nova no estado da Bahia, do grupo Miolo Wine Group.

Na Rio Sol que serviu de cenário, para as gravações da minissérie da rede Globo, Amores Roubados de 2014, fomos conhecer os vinhedos e as instalações da vinícola, guiados com muita competência e conhecimento, pela Ana Paula, uma das profissionais da empresa, no  final fomos levados até o varejo, para degustar alguns rótulos dos seus vinhos e espumantes, cuja principal caraterística é o frescor e a leveza, pois foram elaborados para ser consumidos ainda jovens, até dois anos no máximo.

Na Miolo Terranova, fomos recepcionados por Adriano Miolo, superintendente do grupo e por todo o corpo técnico da vinícola. De imediato fomos conhecer, como funciona o seu processo de irrigação, que conta com 2 km de tubulação subterrânea, instalada entre o rio São Francisco e a casa de bombas da vinícola, onde a água é tratada, filtrada e distribuída entre as diversas parcelas de vinhedos, de acordo com a estratégia definida pela empresa.

Na sequência visitamos os vinhedos em vários estágios, dormência, poda seca, brotação,floração,maturação e colheita.

E para encerrar, participamos de um churrasco de fogo de chão, com carne de gado e bode, as sombras do bosque de Oliveiras, acompanhado de vários rótulos de espumantes, vinhos brancos, rosés e tintos, produzidos pela vinícola, com direito a música ao vivo e muita alegria.

Foi uma das visitas mais proveitosas, dentre todas as que já foram feitas e um dos maiores aprendizados, isso sem falar nas diversas atrações gastronômicas e o belo roteiro de enoturismo.

Neste oásis em meio a caatinga e a seca do Sertão, o homem brinca de Deus, com a permissão de São Francisco!

VINHO DE TALHA

No post de hoje eu vou comentar sobre um vinho tinto de talha que degustei pela primeira vez no último domingo.

Vinho de Talha é um processo de vinificação criado pelos romanos há mais de dois mil anos e ao longo deste tempo, o Alentejo soube como nenhuma outra região, preservar esta tradição através das gerações, porém com o surgimento das cooperativas, nos anos 50 a sua produção com fins comerciais, foi desaparecendo gradualmente.

Nos últimos anos, o vinho de talha foi redescoberto pelos produtores alentejanos que buscavam oferecer produtos diferenciados, principalmente para o mercado externo. Assim, começaram a utilizar as ânforas de argila para vinificar quantidades limitadas de vinhos especiais.

Mesmo com a introdução de novas técnicas e equipamentos para facilitar o trabalho, a essência da vinificação em talha se mantém inalterado e o produto é um legítimo representante da cultura milenar do vinho no Alentejo.

O enólogo Pedro Ribeiro, criador da Adega Espaço Rural, ao concretizar o sonho de fazer um vinho de talha, colocou o nome de Bojador, em homenagem aos navegadores portugueses que se aventuravam ao atravessar o Cabo Bojador na costa norte do Saara Ocidental, uma espécie de Triângulo das Bermudas, onde muitas das suas embarcações desapareciam, também citado numa poesia de Fernando Pessoa – Quem quer passar além do Bojador/Tem que passar além da dor.

O Bojador de Talha 2016, é um blend das uvas Trincadeira, Moreto e Tinta Grossa de vinhas velhas e cultivo orgânico, da sub região de Vidigueira no Alentejo, foi fermentado com leveduras indígenas, sem controle de temperatura, sem adição ou correção do mosto e sem estabilização.

O vinho tem uma identidade única, não encontrei nenhuma referência para  comparação. Na taça apresentou uma linda coloração vermelho cereja, translúcido, aromas de frutas vermelhas doce, notas defumadas, nas boca tem muita elegância, ótima textura, excelente acidez e mineralidade,  final de grande persistência.

Fiquei verdadeiramente impressionado, com a qualidade deste vinho de talha, espero poder repetir esta degustação, em breve.

 

 

 

O VINHO GAÚCHO DE JAYME MONJARDIM

Na próxima terça-feira, dia 27, o diretor e cineasta Jayme Monjardim, lança  o segundo vinho do projeto Villa Matarazzo, em parceria com a  vinícola Routhier & Darricarrère de Rosário do Sul, na região da Campanha Gaúcha.   

A primeira edição do Villa Matarazzo, foi um vinho português do Douro safra 2008, um corte de Touriga Nacional,Tinta Roriz e Tinta Barroca, produzido pela Quinta dos Avidagos.

Nesta segunda edição,reconhecendo a grande qualidade dos vinhos brasileiros,   Jayme decidiu criar um Cabernet Sauvignon da safra 2018, elaborado em solo gaúcho.  

O evento de lançamento, que será realizado na loja Vinho e Arte, do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, terá a apresentação da empresária e enóloga Maria Amélia Duarte Flores e contará com as presenças de Jayme Monjardim e Anthony Darricarrère, proprietário da vinícola.