Produtores Vendem Seus Vinhos na Feira Livre

Na manhã do último domingo, fui visitar o mercado de Bastille, uma das maiores feiras livre que eu já conheci, localizado no bairro de Marais, um dos mais famosos e movimentados de Paris.

O que eu vi por lá é de encher os olhos, tem tudo o que se possa imaginar, desde frutos do mar, hortifruti,carnes diversas, coelho,codorna,cordeiro,porco,frango cru e assado,inúmeras variedades de queijos, jamons e uma infinidade de produtos de vários segmentos.

Mas a minha maior surpresa ficou por conta da barraca de dois pequenos produtores de vinhos, um da Borgonha e outro do Vale do Loire, vendendo seus vinhos, direto ao consumidor, com preços abaixo do praticado no varejo.

Imediatamente comecei a refletir, se esta estratégia para vender vinhos, não seria uma boa ideia, para ser aplicada no Brasil, como forma de baratear e popularizar o vinho brasileiro.

Sai encantado com a grandeza da feira e não estou falando apenas em dimensão, mas principalmente pela diversidade e pela multidão de parisienses e turistas que lotavam o imenso espaço do mercado de Bastille.

O Melhor Tinto Nacional do Guia Descorchados

Chega em breve ao mercado, o vinho tinto brasileiro que obteve a melhor pontuação no Guia Descorchados edição 2018.

O Miolo Single Vineyards Touriga Nacional safra 2017, faz parte da mais nova linha que será lançado pelo Grupo Miolo  e vem acompanhado por outros três varietais.

No total, esta linha contará com 4 vinhos, um Riesling safra 2018, da Almadén, em Santana do Livramento, região da Campanha Central, fronteira com o Uruguai, um Pinot Noir e um Touriga Nacional safra 2017, do Seival na Campanha Meridional e um Syrah  Baiano do município de Casa Nova, no Vale do São Francisco.

Em relação a qualidade, os vinhos Miolo Single Vineyards,estarão num segmento superior a linha Reserva e abaixo da Terroir do Brasil.

A nova linha será exclusiva para on-trade, direcionada a restaurantes e delicatessen especializadas, portanto não estará disponível no varejo.

A data de lançamento, ainda não foi definida, mas o processo está em fase final.

Assim que tivermos novas informações, divulgaremos aqui neste espaço.

 

Direto da Geórgia Berço do Vinho Laranja

No post de hoje estou relatando a experiência de degustar um vinho branco produzido na região de Kakheti na Geórgia, leste europeu, onde foi originalmente desenvolvido o método de elaboração do incomum estilo laranja na antiguidade.

Este vinho foi envelhecido em ânforas de barro centenárias, tampadas e seladas com cera de abelha e depois enterradas a 3 metros de profundidade da superfície, durante 9 meses.

O Shabo Orange Wine Rkatsiteli é a própria essência do vinho laranja, elaborado com a uva Rkatsiteli, a casta original utilizada na produção desse vinho.

Seu processo de produção, é semelhante a dos vinhos tintos, onde o mosto fica em contato com as cascas por algum tempo.

No visual mostrou uma linda coloração âmbar, no olfato senti aromas não muito intensos, lembrando mel e toques terrosos, na boca é um vinho cremoso, de acidez média e notas minerais, no retrogosto confirma as notas do aroma, e o final é de média persistência. e o seu teor alcoólico é de 11.5% .

O Shabo Orange 2011, possui características diferentes de tudo que eu já tomei até hoje, mas vale como experiência, para conhecer um vinho elaborado através de métodos ancestrais. 

HISTÓRIAS QUE O VINHO NÃO CONTA

Neste post vocês ficarão conhecendo detalhes importantes dos bastidores da histórica safra 2018,através do depoimento de Miguel Angelo Vicente Almeida,enólogo  responsável pela vindima da Miolo no Seival na região da Campanha.

Se você é daqueles que tem interesse em conhecer as histórias que o vinho não conta,vale muito a pena ler este texto.

“Desde, salvo erro, a vindima de 2010 a casta Sauvignon Blanc transformou-se no meu maior desafio anual com uvas brancas.

A Sauvignon Blanc é uva a branca aromática mais elegante do mundo e também a mais delicada. Ela tem tudo o que um pleno vinho branco necessita, aroma típico em excesso e acidez em desmesura. Mas tudo o que ela poder originar em grau elevado, pode-se esvanecer muito rapidamente.

Na vinha, por exemplo, excesso de vigor e podas extremamente produtivas acarretam características herbáceas fortes e desfolhas severas subtraem tipicidade aromática. Na adega, vinificações sem controle de temperatura e sem cuidado, nem controle de oxigênio dissolvido resultam em vinhos vulgares. Ao contrário, vinificações excessivamente redutivas, com baixo ou isento teor de oxigênio dissolvido, podem originar vinhos brancos rosáceos, vulgo pinking, fenômeno onde o aroma e o sabor permanecem inalterados e a cor rosácea muitas vezes nos entrega a falsa impressão de oxidação. O pinking não é mais do que um “desarranjo polifenólico” pela exposição súbita do vinho com o ar. Depois reza a lenda que em regiões quentes não se conseguem bons Sauvignon Blanc. Será?!?!

Na vindima de 2016, eu e o Alécio Demori nos dispusemos a aumentar a fasquia do nosso Sauvignon Blanc. Estávamos já com o segundo ano de colheita mecânica de uvas na Quinta do Seival, quando decidimos realizar nesse ano a primeira colheita noturna de Sauvignon Blanc. Único e principal objetivo, colher uvas mais frias para que os processos de oxidação se reduzissem ao mínimo e assim conseguir preservar as ímpares características de aroma e sabor. Nunca pensamos no lado romântico e propagandista que uma colheita sob a luz e o olhar da Lua pudesse transparecer, o que nos moveu foi exclusivamente a técnica. A criatividade e a coragem foram consciências íntimas nossas para conseguir mudar o vinho.

Todavia, a vindima de 2018 foi mágica. O Miolo Reserva Sauvignon Blanc Colheita Noturna 2018 foi realizado em 3 madrugadas não consecutivas: 18 de Janeiro, 20 de Janeiro e 24 de Janeiro.

Mas foi na segunda madrugada que surgiu a maior adversidade, solucionada com bravura. O incêndio florestal… as quedas de luz… tantas histórias não conhecidas dentro de uma garrafa de vinho…

Este Sauvignon Blanc resume-se num vinho energético, desconcertante, fruto de uma vindima sublime e de um conjunto de Homens veementes.”

Lídio Carraro Lança 2 Vinhos Extra-Série!

No próximo mês de junho a Vinícola Lídio Carraro, estará fazendo o lançamento de dois novos vinhos que  serão comercializados, somente através de venda direta pela própria vinícola, portanto não estarão disponíveis em lojas, supermercados ou restaurantes. 

  Foto retirada do site da Lídio Carraro

Um deles é o “BIANCO MACERATO 2011”, um Chardonnay elaborado com maceração das cascas (vinificação no mesmo processo dos tintos), onde obtém-se um branco de guarda, com estrutura de taninos, rico em polifenóis (em comparação com outros brancos elaborados com fermentação apenas do mosto).

Este vinho estagiou em garrafa por 6 anos + um ano em tanques, sobre suas borras finas. Esse tempo de afinamento em garrafa conferiu-lhe uma evolução muito positiva, coloração amarelo ouro intenso e perfil aromático ressaltando notas de frutas secas, tropicais, florais, aroma com delicado toque defumado e mineral. Vale a pena acompanhar sua evolução na taça (ou decanter), revelando complexidade e equilíbrio entre força e vivacidade. Apenas 830 garrafas estarão disponíveis para venda.

O outro, chama-se “KAIRÓS 2008”, um vinho composto por cinco varietais, produzidas e vinificadas respeitando o conceito de vinificação por parcelas (micro-terroirs) dentro das áreas de vinhedos da Lidio Carraro, em Encruzilhada do Sul. Foram produzidas apenas 3.000 garrafas deste vinho, cuja composição é: 60% Tempranillo, 17% Alicante Bouchet, 10% Cabernet Franc, 8% Tannat e 5% Petit Verdot. O resultado é um vinho com personalidade marcante, que pode avançar por muitos anos no tempo mantendo sua vivacidade e personalidade. Inicialmente este vinho foi elaborado para ter seu lançamento no ano de 2014, seguindo a média de tempo de 5 anos em garrafa,  adotada para a linha Lidio Carraro Elos. Porém, após avaliar a sua evolução, os enólogos entenderam que ele precisava de muito mais tempo para revelar seu potencial, dessa forma, decidiram deixar o vinho seguir sua evolução até que ele mesmo mostrasse o momento ideal para seu lançamento – daí o nome Kairós -, o “momento ideal”. Em termos de perfil, trata-se de um vinho com muita complexidade aromática, partindo de notas intensas de frutas pretas maduras, avelã e pimentas preta, evoluindo para aromas tostados, tabaco, couro, chocolate e cravo da índia. Taninos presentes, firmes mas maduros e integrados, conferindo uma textura prazerosa, com retrogosto marcante e agradável ao paladar.

Agora só nos resta esperar mais algumas semanas, para poder degustar estes dois extra série que a julgar pelas descrições, devem ser vinhos diferenciados!