Category: degustações

Às cegas Don Abel Rota 324 supera nacionais caros e famosos

Por , 08/04/2017 16:42

Em degustação às cegas realizada pelo Clube do Tinto, na noite da última sexta-feira, tendo como tema, os diferentes terroir do Brasil, o grande vencedor da noite, surpreendendo alguns vinhos mais caros e famosos, foi o Don Abel Rota 324  safra 2012, Cabernet Sauvignon((97,00) , produzido pela vinícola Don Abel, do município de Casca-RS.

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Os demais concorrentes, foram o Miolo Merlot Terroir(126,00),  do Vale dos Vinhedos, o Miolo Testardi Syrah(146,00) do Vale do São Francisco, o Salamaca do  Jarau, Cabernet Sauvignon(78,00),  da Campanha Gaúcha, o Pericó Benedictum Cabernet Sauvignon(159,00), da Serra Catarinense e o Aracuri Collector, Cabernet Sauvignon(79,00), dos Campos de Cima da Serra, todos da safra 2012.

A degustação, contou com a presença de 13 confrades, 8 dos quais votaram no vinho de numero 1  que após a retirada do papel alumínio que encobria as garrafas, foi constatado que se tratava do Don Abel .   

Barberas Nacionais, Superam Italianos em Degustação as Cegas.

Por , 28/09/2015 13:37

“Descobrindo os Barberas” foi o tema de mais uma edição da já tradicional degustação as cegas da Confraria Clube do Tinto, no ano do seu décimo aniversário, quando foram degustados três Barberas italianos e dois nacionais.

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A Barbera  é uma uva ancestral,  originária da região do  Piemonte, onde é considerada a mais popular, além disso é uma das mais cultivadas em toda a Itália. É  utilizada tanto para fazer vinhos leves, para o dia-a-dia, como para produzir vinhos estruturados com alta capacidade de envelhecimento. A Barbera, também é cultivada nos Estados Unidos, Argentina, Austrália  e no Brasil, trazida pelos primeiros imigrantes italianos que chegaram em nosso país, porém com exceção dos  Barberas  do Piemonte,  os demais vinhos produzidos com esta casta no resto do mundo, ainda são pouco conhecidos.

Não existem dúvidas que os piemonteses Barbera D’Alba e Barbera D’Asti  DOC e DOCG,  são considerados os melhores do mundo, mas em Piancenza na região da Emília Romagna, também estão produzindo um  Barbera de  grande qualidade.

Os Barberas D’Alba eu conheço muito bem e os bebo com certa frequência,  pois estão entre os meus vinhos preferidos, pela sua elegância,  taninos macios e alta acidez, quanto aos da denominação D’Asti, conheço pouco, mas sei  que também são excelentes.

Dos outros países que produzem Barberas, nunca provei nenhum exemplar, mas já ouvi falar que nos Estados Unidos, estão fazendo ótimos vinhos com esta uva.

No Brasil, tenho conhecimento da existência  de três vinhos elaborados com a uva Barbera,  porém o único que conheço  bem é o produzido pela Angheben do Vale dos Vinhedos, elaborado com uvas cultivadas em Encruzilhada do Sul , na Serra do Sudeste e trata-se de um dos melhores  custo/benefício, em termos de vinho nacional, pela sua alta qualidade e preço acessível. Desde a sua primeira safra, o Barbera da Angheben faz sucesso entre enófilos e especialistas brasileiros, mas  devido a sua baixa produção, ainda é pouco conhecida do grande público.

Também em solo gaúcho, a vinícola Perini, começou a produzir recentemente, um Barbera com uvas cultivadas no Vale Trentino, no município de Farroupilha na Serra Gaúcha, apesar de já ter ouvido e lido alguns elogios a seu respeito, eu ainda não o havia provado, até  e realização desta degustação. É  bem possível que este Barbera da Perini, num futuro breve, venha a ser mais conhecido pelo consumidor brasileiro, pois sua produção é maior e está a venda numa grande rede de supermercados, além de lojas especializadas 

Há pouco tempo fiquei sabendo da existência de um terceiro Barbera brasileiro, trata-se do Pireneus Bandeiras Barbera, produzido pela vinícola  Pireneus Vinhos e Vinhedos da região dos Cerrados no Centro-Oeste do país,   também considerado Barbera, porém  elaborado com 85% desta casta e segundo alguns experts, trata-se de um grande vinho, mas também de baixa produção e pouca divulgação.

A degustação contou com a participação dos seguintes vinhos :  Barberas D’Alba Fratello Dogliani  2011 e  Collina San Ponzio 2012, o  Barbera D’Asti Icardi 2011 e os Barberas nacionais Angheben 2012 e Perini 2013.

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Ao final da degustação, computadas as notas dos onze degustadores,  a classificação dos vinho, ficou sendo a seguinte:

1º lugar  – Perini Barbera 2013-   67,5 pontos                                        

2ºlugar – Angheben Barbera 2012- 67,0 pontos

3ºlugar – Fratello Dogliani Barbera D’Alba 2011- 59 pontos

4ºlugar – Collina San Ponzio Barbera D’Alba 2012-57 pontos 

5ºlugar – Icardi Barbera D’Asti 2011- 23 pontos

Cabe ressalvar que o Icardi Barbera D’Asti  teve o seu julgamento prejudicado, pois apresentava sinais  claros de decomposição, por possíveis problemas de armazenamento, transporte inadequado ou ainda alguma outra situação que veio a alterar as suas caraterísticas originais, não se admite que um vinho, com apenas 4 anos de idade, produzido por uma vinícola conceituada, esteja praticamente morto.

Obs.: o sexto vinho que vocês estão vendo na foto abaixo, trata-se de um dos cinco que colocamos repetido, numa das técnicas que utilizamos, para  avaliar o grau de conhecimento dos confrades.

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O Barbera da Angheben eu até esperava que pudesse competir em igualdade de condições, pois conheço muito bem a sua qualidade, mas a vitória do Perini foi realmente a surpresa positiva do evento. Além disso foi o vinho mais barato da competição e pode ser encontrado facilmente em alguns supermercados da rede Zaffari, onde eu comprei esta garrafa, por R$34,90. Aliás os dois vinhos gaúchos, eram os de menor preço, pelo Angheben paguei R$59,90. Já os Barberas D’Alba estavam na faixa dos R$80,00 e o vinho mais caro foi o Icardi Barbera D’Asti que custou R$102,00.

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A primeira conclusão desta degustação as cegas do Clube do Tinto, é que o Brasil agora conta com dois ótimos Barberas a  disposição do consumidor brasileiro e a segunda é que mais uma vez os vinhos nacionais, quando livres do preconceito e da influência dos rótulos,  sempre conseguem bons resultados em degustações as cegas, diante  de vinhos tradicionais e de reconhecida qualidade.

Agora eu sei porque Miles detestava o Merlot Californiano

Por , 04/04/2015 21:14

Os vinhos californianos nunca caíram muito no agrado dos consumidores brasileiros, entre os quais eu me incluo. Porém logo depois de ter passado no Brasil o excelente filme Sideways que em meio a trama, aborda com riqueza de detalhes os vinhos e o turismo daquela região, ocorreu por aqui, um aumento considerável na  sua procura, especialmente pelos Pinot Noir. Mas este movimento não durou muito, pois  os preços proibitivos e a pouca oferta no mercado nacional, fizeram com que a situação  voltasse ao normal, em pouco tempo.

Segundo informações o grande motivo, seria que o mercado interno absorve a maior parte da sua produção, como consequência o volume de vinhos para exportação ao resto do mundo é inexpressivo, se comparado com a demais regiões vinícolas tradicionais.

 Pelo menos aqui no Rio Grande do Sul,  poucas  lojas possuem vinhos californianos em suas prateleiras, e esta escassez, eu senti na própria pele, ao tentar comprar alguns, para uma degustação da nossa confraria no ultimo mês de março.

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Depois de vários dias de procura, consegui comprar seis vinhos de 3 produtores diferentes(dois de cada), com preços que variavam , de 74 a 126 reais, ficando na média em 95 reais.

Dois  eram muito ruins(Merlot e Cabernet Franc), dois eram razoáveis(Pinot Noir e Zinfandel) e dois eram bons( Cabernet Sauvignon), mas pelo preço que valem eu não voltaria a comprar nenhum deles. Até mesmo porque, com menos de 95 reais, se consegue vinhos bem melhores, inclusive, vários nacionais. 

Alias, agora entendo porque o personagem Miles, interpretado pelo ótimo Paulo Giamatti, detestava o Merlot Californiano.  

Vale apenas como experiência, para conhecer os vinhos de uma das regiões mais importantes do mundo !

Sauvignon Blanc Nacional Estilo Loire- É tudo aquilo que estão falando e mais um pouco

Por , 20/03/2015 19:37

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Por tudo o que eu já tinha ouvido falar a respeito deste vinho e pela demora em conseguir comprar uma garrafa, a minha primeira degustação do Dall’Agnoll Fumê Blanc 2014,  foi cercada de grande expectativa! 

Produzido com a uva  Sauvignon Blanc, ao estilo dos vinhos da Região do Loire, este é mais uma inovação da Vinícola Estrelas do Brasil de Faria Lemos que ganhou destaque nos últimos anos, exatamente pela criação de produtos diferenciados e inusitados, fruto do espirito  criativo e arrojado de seus enólogos.

As uvas que deram origem ao Dall’Agnoll Fumê Blanc, foram cultivadas em vinhedos próprios, localizados no município de Nova Prata-RS e  vinificadas na sua cantina em Faria Lemos, estagiou pelo período de seis meses em barricas de carvalho, tempo suficiente, para dar uma leve estrutura ao vinho, sem comprometer o  seu frescor e a  acidez.

A exemplo dos vinhos lançados anteriormente, o Dall’Agnoll Fumê Blanc 2014, também  foi produzido em escala reduzida, são apenas 2000 garrafas que certamente sumirão do mercado em pouco tempo.

Eu que sou fã dos Sauvignon Blanc do Loire, fiquei surpreso com as semelhanças deste Fumê Blanc, com os vinhos produzidos naquela região.

Na minha opinião este é mais um vinho da Estrelas do Brasil que chegou para fazer história no cenário da vitivinicultura nacional!

É tudo aquilo que estão dizendo dele e mais um pouco, confirmou com sobras as minha expectativas !

 

 

Nova degustação as cegas, mostra o que muitos já sabem !

Por , 01/12/2014 19:49

Desde que a  mais famosa degustação as cegas realizada em Paris, surpreendeu o mundo em 1976, a grande maioria das provas de vinhos realizadas no mesmo formato, continuam apresentando resultados inesperados e aplicando lições de humildade nos grandes experts no assunto .

Na mais recente degustação as cegas  que participei, realizada no final de outubro, pelo Clube do Tinto, cujo tema foi: descobrindo as diferenças e semelhanças, entre os vinhos da Serra Gaúcha e os vinhos de Bordeaux, pelo menos para mim não teve nenhuma surpresa, o resultado apenas mostrou o que muita gente já sabe.

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Os vinhos gaúchos que participaram da prova foram os seguintes:

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Valmarino Reserva da Familia 2008- Pinto Bandeira- 79,00

Dall’Agnol Superiore 2008- Faria Lemos- 105,00

Máximo Boschi Merlot 2005- Vale dos Vinhedos-62,00

Os vinhos de Bordeaux, foram os seguintes:

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Chateau Mancèdre Cuvée du Roy 2005- Pessac Léognan- 107,40

Chapelle Saint-Martin 2009- Puisseguin Saint-Emilion-58,50

Chateau Luc de Beaumon 2009- Blaye Côtes de Bordeaux-59,33 

O ranking final ficou assim:

1º lugar- Maximo Boschi Merlot 2005

2º lugar- Dall’Agnol Superiore 2008

 3º lugar- Chateau Luc de Beaumon 2009

4º lugar-Valmarino Reserva da Familia 2008

5º lugar-Chateau Mancèdre Cuvée du Roy 2005

6º lugar- Chapelle Saint-Martin 2009

 O objetivo desta degustação não  foi de forma nenhuma, provar que os vinhos nacionais são melhores, mas apenas mostrar  que o Brasil já está produzindo vinhos de muito bom nível e que em alguns casos, são iguais ou superiores a muitos vinhos importados.

 

10 anos de vinho e arte !

Por , 20/11/2014 22:36

Ontem a noite, o Hotel Plaza São Rafael em Porto Alegre, foi palco de um mega evento do mundo dos vinhos, em comemoração ao aniversário de 10 anos da Vinho & Arte Consultoria, da enóloga e  multi empreendedora, Maria Amélia Duarte Flores que teve como atração principal, o enólogo italiano Roberto Cipresso, parceiro de Galvão Bueno na produção de vinhos na Itália e agora também no Brasil.

As grandes estrelas da noite, foram os  três Brunellos de Montalcino  Bueno-Cipresso. O 2007 me agradou mais que o 2005,  mas o Riserva 2004, é o que eu costumo chamar de grande vinho !

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Já o Bueno-Cipresso La Valleta Sangiovese IGT 2011, pertence a uma categoria inferior, mas é um belo vinho.

Entre os nacionais, o meu destaque foi o Bueno Bellavista Pinot Noir 2012 ! Me lembrou alguns Borgonhas, pelo aroma, pela acidez e a mineralidade.

A degustação dos vinhos italianos, foi conduzida pelo convidado especial do evento, Roberto Cipresso que comentou, sobre as características de cada um dos seus vinhos.

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A festa estava perfeita ! Jantar excelente, vinhos maravilhosos, pessoas alegres e descontraídas ! Vai ficar por muitos anos na memória de todos os que tiveram o privilégio de estar presente.

Parabéns à Maria Amélia e a sua equipe, pelos 10 anos de vinho e arte !

 

Vinho nacional de 26 reais é primeiro lugar em degustação as cegas

Por , 12/08/2014 11:40

Na noite do último sábado,  a Confraria Clube do Tinto de Porto Alegre, que vai completar 10 anos no próximo ano, realizou uma degustação as cegas, com  vinhos de pequenos produtores e garagistas do Brasil, Chile, Argentina e Uruguai.

Um grupo formado por 10 enófilos, degustaram seis vinhos tintos varietais,  das uvas Cabernet Sauvignon(Brasil), Cabernet Franc(Argentina), Tannat(Uruguai), Teróldego(Brasil), Syrah(Chile) e Merlot(Brasil). No final, cada degustador fez o seu ranking e a soma das melhores colocações , serviu para a elaboração de um ranking geral.  É bom que se diga que não foi utilizado nenhum critério técnico de avaliação, apenas a  experiência, sensibilidade e a percepção, olfativa e gustativa dos participantes.

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O Valmarino Merlot 2013, com a sua imbatível combinação  qualidade e preço baixo, foi o primeiro colocado no ranking geral,   considerado o melhor  da noite, por 7 dos 10 degustadores, o que para mim não foi nenhuma surpresa, pois já conhecia o seu potencial e sempre achei que  numa degustação as cegas,  poderia superar vinhos mais caros e  complexos.

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O segundo colocado, foi o ótimo Miras Cabernet Franc  2010 da Patagônia, um vinho com muita qualidade e  complexidade. 

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O vinho que obteve a terceira colocação, foi talvez a mais agradável surpresa, por se tratar de um vinho desconhecido da grande maioria do público consumidor. O Hex Von Wein(Vinho da Bruxa) Cabernet Sauvignon 2011 de Picada Café, é o único vinho nacional que eu conheço que traz estampado no rótulo o selo de Produto Orgânico do Brasil . Ficou a frente de 3 vinhos de maior preço e foi o segundo mais barato da degustação.

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Abaixo, segue a descrição completa dos vinhos degustados e o ranking geral :

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- Bruta Bestia Teróldego 2013 - Arte da Vinha – Garibaldi-RS-Brasil- R$ 35,00 – 5º lugar

- Hex Von Wein- Cabernet Sauvignon 2011- Picada Café-RS-Brasil-R$  30,50 – 3º lugar

- Valmarino Merlot 2013- Pinto Bandeira-RS- Brasil- R$  26,00 – 1º lugar

- Miras Cabernet Franc 2010-Patagônia- Argentina-R$  89,00 – 2º lugar

- Emoción Syrah 2008- Starry Night-Vale do Maipo- Chile- R$  69,00 – 6º lugar

- De Lucca Reserve Tannat 2011- Canelones-Uruguai- R$  49,41 – 4º  lugar

   

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