Category: Vinhos franceses tintos

O Vinho Perfeito

Por , 06/03/2016 11:54

Não se deixe enganar por rótulos, nem por títulos e muito menos pelo preço, pois nada disso importa para definir o conceito de um bom vinho.

Assim como  filhos dos mesmos pais são  pessoas com personalidades  diferentes, cada vinho é  único, mesmo que seja da mesma safra  e  feito pelo mesmo produtor.

Portanto não se iluda com comentários especializados, nem crie grandes expectativas em torno de uma garrafa de vinho, pois o conceito que define um bom vinho, está diretamente ligado com as circunstâncias do momento em que ele foi degustado.

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Este ótimo Beaujolais do cru de Morgon safra 2012, é um exemplo típico do que estou afirmando.

Ontem a noite, ele foi simplesmente perfeito !

Depois da Tempestade vem a Borgonha !

Por , 02/02/2016 10:51

Na noite do último sábado,  decidi que precisava fazer alguma coisa para amenizar a tristeza de ver o cenário de destruição nas ruas de Porto Alegre, arrasadas por uma violenta tempestade,  na noite anterior.

A primeira pergunta que veio a minha mente foi : o que poderia  dar um pouco de alegria e aliviar a alma de um enófilo fervoroso, apaixonado pelos vinhos da Borgonha ?

Por coincidência, naquela mesma semana eu havia recebido um Chassagne Montrachet tinto, safra 2011 do Domaine Vincent Prunier, um pequeno produtor bourguignon, que comprei  numa promoção pela internet.

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A pergunta feita já tinha uma boa resposta ! Depois da tempestade vem um Borgonha !

O ato de abrir a garrafa e decantar vinho, foi o meu primeiro momento de alegria daquela noite ! Dava gosto de ver aquele líquido vermelho púrpuro de brilho intenso, escorrendo  e tingindo as paredes de vidro do decanter .

Os primeiros aromas me remetiam a frutas negras pretas bem maduras e concentradas, e sinalizavam que ali naquele recipiente, havia um Borgonha que estava a altura da família dos Crus ( 1er Cru ou Grande Cru), mesmo sendo um Village.

As sensações de sentir o vinho circulando pelo meu palato, foi outro momento prazeroso, era um misto de potência com elegância, taninos macios, grande equilíbrio, ótima acidez, carvalho usado com maestria e um final de grande persistência.chassagnemon1

Um dos motivos que me levaram a comprar este borgonha, foi saber que o produtor ainda utiliza o método tradicional na elaboração dos seus vinhos, pois aprendi  quando lá estive que não são feitos para agradar paladares modernos, influenciados pela mídia, mas  são autênticos representantes de um terroir  de tradição milenar.

Beber um bom Borgonha  é  a garantia de momentos de muita alegria e prazer !

O Bourgogne estava morto!

Por , 08/06/2015 11:19

Nosso almoço deste primeiro domingo de junho, transcorria dentro da mais absoluta normalidade, com muita alegria e descontração como sempre. Em nossas taças, brilhava intensamente e exalava seus aromas tradicionais, um belo Bourgogne Pinot Noir safra 2011, produzido pela Ropiteau Frères, Cour Des Hospices, Meursault (Côte D’Or)  que eu havia comprado há poucos dias, pela internet!

O vinho agradou  em cheio, tanto pela qualidade, quanto pelo preço (abaixo do praticado no mercado), sendo muito elogiado por todos.

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Lá pelas tantas, com o almoço já chegando ao seu final,  constatamos que o nosso o Borgonha havia acabado e deixado um forte  gostinho de quero mais. Lembrei que havia outro igual (inclusive da mesma safra)guardado em minha adega e decidi  prolongar aquele momento prazeroso. Para a alegria de todos, abri  a outra garrafa !

Porém  o que ninguém imaginava, era o que estava para acontecer, com a segunda garrafa daquele vinho que encantou a todos !

Desconfiamos quando visualizamos na taça aquela cor mais escura, com tons puxando para o marron, bem diferente do vermelho rubi  vivo da primeira garrafa,  nos primeiros aromas que sentimos, nos perguntamos: onde estão os morangos, as cerejas frescas e as especiarias que haviam em profusão no primeiro vinho? Em seu lugar, havia um  cheiro forte e adocicado de vinho do Porto Tawny. Quando bebemos o primeiro gole, passamos da desconfiança ,para a certeza, o  sabor era bem desagradável, lembrava um vinho aberto há  muitos dias e a acidez havia sumido. O vinho estava oxidado e sem condições de ser bebido.

No início  ficamos olhando um para outro,  meio que sem acreditar que aquilo estivesse acontecendo,  principalmente por se tratar de um vinho, com apenas 4 anos de idade  e por ter dado um show na garrafa anterior,  demonstrando que ainda poderia durar muitos anos. 

Refeitos do susto, não nos restou alternativa, senão encarar a realidade e ficar com boa lembrança da primeira garrafa!

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Infelizmente não havia mais nada a fazer . O Bourgogne  estava  morto !   

Domaine de Valmoissine Pinot Noir 2012- De volta a rotina de prazer e alegria

Por , 03/05/2015 20:52

Depois de ficar uma eternidade( 10 dias) sem beber vinho, neste domingo, voltei a minha rotina de prazer e de alegria.

E voltei bebendo, nada menos que um Pinot maravilhoso, um legítimo representante da Bourgogne,  que leva a assinatura de Louis Latour, um dos mais tradicionais produtores daquela região.

O Domaine de Valmoissine Pinot Noir 2012,  mostrou que mesmo não sendo um  dos top da vinícola, é um vinho de muita qualidade.

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Possui a  coloração tradicional dos Pinot Noir da Borgonha, um vermelho transparente e brilhante, seu aroma de frutas vermelhas frescas é  intenso, na boca é elegante, equilibrado, acidez perfeita e final persistente. Seu envelhecimento, entre 12 e 14 meses, foi apenas em cubas de inox e o seu teor alcóolico é de 13%

Os vinhedos que deram origem a este belo vinho, estão localizados em terreno a base de calcário e argila,  a 500 metros acima do nível do mar, junto a Universidade de Valmoissine e a idade das suas vinhas é de 15 anos em média.

 Apesar da  grande qualidade demonstrada,  o  Domaine de Valmoissine  Pinot Noir 2012, chegou  na Loja Vinhos do Mundo, em Porto Alegre, ao preço de 89 reais o que na minha opinião é um ótimo custo/benefício, para um vinho elaborado por um dos grandes produtores da Bourgogne. E pelo visto muita gente teve a mesma impressão, pois o estoque na loja acabou em poucos dias.

 

 

 

Paul Mas Grenache Noir 2011- Um ótimo custo/beneficio francês

Por , 12/04/2015 20:37

Quem quiser sair um pouco do circuito Chile, Argentina , Carmenere, Malbec e tomar um belo vinho francês de alta qualidade, sem precisar pagar caro por isso, aqui vai uma dica : Paul Mas Grenache Noir 2011 da região do Languedoc no Sul França. Produzido com 100% da casta Grenache, envelhecido por 10 meses em barricas de carvalho americanas (novas, de 2ª e 3ª passagem) e francesas de 2ª passagem. Seu teor alcóolico é de 13.5%, bem dentro do estilo Velho Mundo.

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De coloração rubi intenso, aromas de bagas vermelhas maduras, violeta, alcatrão e especiarias doces. Na boca  é elegante, aveludado,  possui taninos macios, acidez viva e final persistente.

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O preço fica em torno de 65 reais , em Porto Alegre no Armazém dos Importados e na Loja Decanter. Além de ser uma boa oportunidade de degustar um varietal de Grenache, uma uva pouco conhecida por aqui.

Domaine Des Roches Neuves- A Potência, a Elegância e a Pureza da Cabernet Franc do Loire

Por , 07/03/2015 11:44

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Um dos melhores e mais equilibrados varietais de Cabernet Franc que eu já tomei até hoje, chama-se  Domaine Des Roches Neuves 2012, proveniente de vinhedos cultivados na  AOC Saumur Champigny, uma soberba região vitícola do Loire, onde uma combinação especial de argila, calcário, sílex e solos aluviais, ajudam na produção de vinhos, com potência e elegância ao mesmo tempo, suas videiras produzem Cabernet Franc com grande pureza, podendo envelhecer por décadas.

De coloração rubi profundo, com nuances granada, o vinho encanta pela intensidade e complexidade dos seus aromas, onde predominam as frutas vermelhas maduras e toques de chocolate, na boca confirma o que o nariz prometeu, possui a elegância dos grandes vinhos,  corpo médio, macio e saboroso, acidez viva, extremamente equilibrado e um final de longa duração. Uma das caraterísticas que mais me impressionou neste Cabernet Franc, foi o seu poder de evolução na taça,  pouco a pouco vai  se  revelando e mostrando todas as suas qualidades. A graduação alcóolica é de civilizados 12.5% .

O produtor Thierry Garmain, é de uma tradicional família de vinhateiros de Bordeuax que mudou-se para o Loire em 1991, atraído pelo equilíbrio do  terroir, considerado um dos melhores da França, para o cultivo das castas  Cabernet Franc, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc.  De acordo com alguns críticos franceses, Germain é um dos viticultores de elite e todos os seus vinhos são de excelente qualidade, mas não são fáceis de encontrar, pois a demanda por eles é muito grande.

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Totalmente biodinâmicos desde a safra  2005, seus 28 hectares de vinhedos são trabalhados de uma forma natural, com o objetivo de manter a videira e o solo de forma mais saudável , possui um terreno , onde prepara o seu próprio adubo, esmaga suas uvas a pé e evita o uso de enxofre até onde é possível, além disso incorpora em sua agricultura, filosofias do zodíaco, para entender a posição do homem e da vinha no cosmos.  A colheita é manual e a seleção de uvas é feita num nível mais maduro, a vinificação é  realizada em pequenos lotes e o engarrafamento é sem colagem e nem filtragem. 

Alguém já disse e eu concordo plenamente que uma das maneiras de saber que estamos diante de um bom vinho, é  quando ele acaba e a vontade de continuar bebendo permanece. Pois foi exatamente isso que aconteceu quando bebemos  o Domaines Des Roches Neuves 2012, há alguns dias atrás. 

Pouco conhecido aqui no Brasil e difícil de encontrar, este  Cabernet Franc do Loire , superou as minhas expectativas em todos os quesitos, inclusive no preço de 80 reais que paguei por ele, na Loja Vinhos do Mundo em Porto Alegre. 

Não confunda Crus du Beaujolais com Beaujolais.

Por , 28/01/2015 21:20

Está enganado quem acha que todos os vinhos denominados Beaujolais, produzidos com a uva Gamay, são vinhos leves, frescos e frutados que ficam prontos para consumo, aproximadamente  de 2  a 3 meses após a colheita e devem ser bebidos em até 6 meses da sua fabricação.

Existe ao norte de Beaujolais, 10 áreas distintas denominadas de Beaujolais Cru, onde são produzidos  vinhos mais estruturados, de ótima qualidade que são considerados os melhores da região e ao contrário da grande maioria dos Beaujolais, possuem grande potencial de guarda que pode variar de 6 a 15 anos, ou mais, dependendo  do estilo e da sub região.

Como os vinhos de Beaujolais Cru são de estilos diferentes e de uma maior qualidade, alguns produtores evitam referências explícitas ao título genérico, preferindo utilizar apenas, o nome de um cru particular.

Em 2012  eu bebi o  Bouchard  Père & Fils Moulin-À-Vent 2010,(um dos que não utilizam o nome Beaujolais) e me tornei fã destes vinhos, pois me lembra muito de um bom Pinot Noir.

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De lá para cá tenho comprado estes vinhos com alguma frequência, recentemente  provei dois  ótimos Crus du Beaujolais do produtor Henry Fessy, o Fleurie  2010 e o Moulin-À-Vent 2010, este último, considerado o mais notável dos 10 crus du Beaujolais, onde o solo  rico em granito rosa e manganês, contribui na produção de vinhos com sabores intensos e concentrados.

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Portanto não confunda Crus du Beaujolais, com Beaujolais,  pois são vinhos bem distintos, cuja única semelhança é que são produzidos com a uva Gamay . 

 

Nova degustação as cegas, mostra o que muitos já sabem !

Por , 01/12/2014 19:49

Desde que a  mais famosa degustação as cegas realizada em Paris, surpreendeu o mundo em 1976, a grande maioria das provas de vinhos realizadas no mesmo formato, continuam apresentando resultados inesperados e aplicando lições de humildade nos grandes experts no assunto .

Na mais recente degustação as cegas  que participei, realizada no final de outubro, pelo Clube do Tinto, cujo tema foi: descobrindo as diferenças e semelhanças, entre os vinhos da Serra Gaúcha e os vinhos de Bordeaux, pelo menos para mim não teve nenhuma surpresa, o resultado apenas mostrou o que muita gente já sabe.

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Os vinhos gaúchos que participaram da prova foram os seguintes:

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Valmarino Reserva da Familia 2008- Pinto Bandeira- 79,00

Dall’Agnol Superiore 2008- Faria Lemos- 105,00

Máximo Boschi Merlot 2005- Vale dos Vinhedos-62,00

Os vinhos de Bordeaux, foram os seguintes:

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Chateau Mancèdre Cuvée du Roy 2005- Pessac Léognan- 107,40

Chapelle Saint-Martin 2009- Puisseguin Saint-Emilion-58,50

Chateau Luc de Beaumon 2009- Blaye Côtes de Bordeaux-59,33 

O ranking final ficou assim:

1º lugar- Maximo Boschi Merlot 2005

2º lugar- Dall’Agnol Superiore 2008

 3º lugar- Chateau Luc de Beaumon 2009

4º lugar-Valmarino Reserva da Familia 2008

5º lugar-Chateau Mancèdre Cuvée du Roy 2005

6º lugar- Chapelle Saint-Martin 2009

 O objetivo desta degustação não  foi de forma nenhuma, provar que os vinhos nacionais são melhores, mas apenas mostrar  que o Brasil já está produzindo vinhos de muito bom nível e que em alguns casos, são iguais ou superiores a muitos vinhos importados.

 

Château Mouton Rothschild-Loucuras de um enófilo deslumbrado

Por , 19/04/2014 13:29

Não vou tomar o precioso tempo dos meus leitores, tentando descrever as minhas impressões e sensações, sobre a degustação deste ícone da enologia mundial, também não é minha intenção, ficar repetindo histórias que já foram contadas  por muita gente, mas o que eu vou contar agora, é a história verídica de um enófilo deslumbrado que cometeu uma das suas maiores loucuras, ao comprar aqui no Brasil, um Château Mouton Rothschild 1998 .

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Este  fato ocorreu há mais ou menos uns 10 anos atrás, quando eu ainda era um enófilo ingênuo e vaidoso que ficava encantando ao ler e ouvir  as histórias dos grandes vinhos do mundo, imaginando o momento em que iria degustá-los.

Acontece que com o passar dos anos, aquela fase de deslumbramento foi desaparecendo e fui me tornando um enófilo mais maduro e mais realista, cheguei a conclusão que “nem tudo o que reluz é ouro” e compreendi que o processo para definir  os altos preços de um grande vinho,  não leva em consideração, apenas e tão somente a sua qualidade, mas também  uma série de outros fatores, alguns deles intangíveis. 

Ao me dar conta desta realidade, não consegui fugir do arrependimento de ter pago um valor exorbitante, por uma garrafa de vinho, mesmo que  tenha sido por um dos grandes vinhos já produzidos neste planeta.

A medida em que eu degustava e conhecia outros grandes vinhos, com preços bem inferiores,  fui ficando com receio de me decepcionar, ao  degustar aquele que é um dos Premiers Grand Cru Classé de Bordeaux e constatar que o preço pago, foi muito  maior que o vinho.    

Depois de relutar por algum tempo, decidi que o vinho da comemoração do meu aniversário e do aniversário do meu filho que também é no mesmo dia, neste inicio de abril, seria  o Château Mouton Rothschild 1998, convenci a minha consciência que eu merecia beber um grande vinho, para brindar uma longa e feliz existência, juntamente com a minha  família.

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O Château Mouton era tudo o que eu esperava de um grande vinho   e o contexto em que foi degustado fez com que ele ficasse ainda maior!

O receio de me decepcionar acabou não se concretizando,  mas o vinho não superou  a expectativa que eu criei sobre ele, durante todos estes anos. 

 

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Maison Forgeot 2010 – Bourgogne Pinot Noir

Por , 16/12/2013 13:36

Diferentemente de tantos outros Pinots que existem na face da terra, o Pinot da Bourgogne já me seduz ao primeiro olhar!  O vermelho pálido da sua cor, a limpidez  e o brilho que reflete no interior da taça, despertam os meus sentidos ! E chego a ficar com água na boca, ao sentir os seus aromas intensos de  frutas vermelhas(morangos, cerejas, framboesas, ameixas e amoras), com toques de couro e especiarias. Quando o Pinot da Bourgogne envolve o  meu palato por completo, a expectativa sempre se confirma, sinto um sabor sutil,  fresco e frutado, uma  acidez viva e gostosa que lembra as balas azedinhas da minha infância, o álcool equilibrado, a  estrutura que destaca os seus taninos e o  final sempre de longa duração.

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Na última sexta-feira inaugurando mais um final de semana, degustei um Pinot Noir da Bourgogne que confirmou mais uma vez todas as sensações que descrevi acima. 

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 Este belo exemplar da safra 2010, produzido pela Maison Forgeot- Père & Fils, que custa aqui no Brasil 80 reais, certamente não é da primeira  linhagem, mas um  Pinot Noir da Bourgogne por mais simples que seja, é sempre um vinho especial!

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