Category: Bourgogne

Depois da Tempestade vem a Borgonha !

Por , 02/02/2016 10:51

Na noite do último sábado,  decidi que precisava fazer alguma coisa para amenizar a tristeza de ver o cenário de destruição nas ruas de Porto Alegre, arrasadas por uma violenta tempestade,  na noite anterior.

A primeira pergunta que veio a minha mente foi : o que poderia  dar um pouco de alegria e aliviar a alma de um enófilo fervoroso, apaixonado pelos vinhos da Borgonha ?

Por coincidência, naquela mesma semana eu havia recebido um Chassagne Montrachet tinto, safra 2011 do Domaine Vincent Prunier, um pequeno produtor bourguignon, que comprei  numa promoção pela internet.

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A pergunta feita já tinha uma boa resposta ! Depois da tempestade vem um Borgonha !

O ato de abrir a garrafa e decantar vinho, foi o meu primeiro momento de alegria daquela noite ! Dava gosto de ver aquele líquido vermelho púrpuro de brilho intenso, escorrendo  e tingindo as paredes de vidro do decanter .

Os primeiros aromas me remetiam a frutas negras pretas bem maduras e concentradas, e sinalizavam que ali naquele recipiente, havia um Borgonha que estava a altura da família dos Crus ( 1er Cru ou Grande Cru), mesmo sendo um Village.

As sensações de sentir o vinho circulando pelo meu palato, foi outro momento prazeroso, era um misto de potência com elegância, taninos macios, grande equilíbrio, ótima acidez, carvalho usado com maestria e um final de grande persistência.chassagnemon1

Um dos motivos que me levaram a comprar este borgonha, foi saber que o produtor ainda utiliza o método tradicional na elaboração dos seus vinhos, pois aprendi  quando lá estive que não são feitos para agradar paladares modernos, influenciados pela mídia, mas  são autênticos representantes de um terroir  de tradição milenar.

Beber um bom Borgonha  é  a garantia de momentos de muita alegria e prazer !

Você sabia que existem Borgonhas feitos com Sauvignon Blanc?

Por , 03/09/2015 22:10

É bem possível que   assim como eu,  muita gente não tenha conhecimento que os vinhos da Borgonha, não são feitos apenas com as uvas Pinot Noir  e Chardonnay, como é divulgado pela grande mídia.

O que  contribui para esta  desinformação geral, é que grande parte das publicações  especializadas e  cursos sobre o mundo dos vinhos,  divulgam apenas e tão somente, os famosos e mundialmente reconhecidos, Borgonhas, produzidos com estas duas castas.

Poucos sabem que  existe um “Grand Vin de Bourgogne” denominado, Sauvignon de Saint Bris, Apellattion Village,  criada por decreto  em 10 de janeiro de 2003,  cujos vinhos são produzidos, apenas com a casta Sauvignon Blanc .

A  AOC de  Saint Bris, abrange uma área de pouco mais de 130 hectares de vinhedos, ao norte da Borgonha e fica situada  entre os vinhedos de Chablis e Auxerrois, e são divididos em cinco comunas de produção  a saber: Saint-Bris-le-Vineaux, Citry, Irancy, Quenne e Vincelottes.

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Os vinhos desta denominação, com certeza não possuem  o mesmo reconhecimento dos seus conterrâneos feitos com Pinot Noir e Chardonnay, mas  são  de muito boa qualidade e seus preços são bem mais acessíveis aos bolsos dos enófilos.

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Uma boa parte destas informações que estou compartilhando com meus leitores, fiquei sabendo durante  a visita que fizemos no último mês de agosto, à   propriedade Domaine Bersan, localizada na comuna de Saint-Bris-Le-Vineaux, pertencente a descendentes de uma família que produz vinhos na região, há várias gerações.

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Conhecemos as suas caves subterrâneas , construídas nos séculos XI e XII que é um verdadeiro monumento da história da Borgonha, e ainda tivemos o privilégio de degustar os vinhos das suas diversas apelações, entre eles os da então desconhecida Sauvignon Saint Bris. 

Espero que esta publicação tenha servido,  para  que no mínimo, meia dúzia de enófilos  fiquem sabendo que  nem só de Pinot e Chardonnay vive a Borgonha. Se isto acontecer este post já terá valido a pena. 

 

 

 

A verdade sobre os vinhos autênticos da Borgonha

Por , 24/08/2015 21:08

Durante os nove dias em que circulamos pela Borgonha, no início deste mês de agosto, um dos fatos que mais me chamou a atenção, foi a visível preocupação de alguns produtores tradicionais, com as mudanças que estão ocorrendo na produção de vinhos da região. 

De acordo com estes mesmos produtores, a substituição da tradição, pela modernização  é uma triste  e irreversível realidade que já chegou a Borgonha, um dos últimos redutos mundiais que ainda não havia se rendido a esta tendência mundial avassaladora, fruto de uma demanda gigantesca, por vinhos  fáceis  de beber e  de consumo rápido.

Para piorar ainda mais a situação, numa das Apelações (AOC) que visitamos,  uma pesquisa feita, para saber a intenção dos filhos em dar continuidade  no trabalho dos pais, mostrou resultados  desanimadores, apenas dez por cento, responderam afirmativamente, a grande maioria respondeu que deseja seguir outros caminhos.

Os que decidiram assumir os negócios da família,  por conta de uma visão  mais globalizada, sobre o mundo dos negócios e desapegados da tradição, fruto de longos anos de estudos em grandes centros, acabaram por implantar uma política de standartização dos seus vinhos, como forma de obter lucro imediato e outros não resistiram a tentação das propostas milionárias dos grandes grupos nacionais e internacionais e optaram por vender as suas propriedades.

Assim,  a vida vai ficando cada vez mais difícil, para o  pequeno produtor que ainda  continua  elaborando vinhos autênticos.

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Diante deste cenário, não restam muitas alternativas para estes verdadeiros heróis da resistência: ou continuam nadando contra a corrente, na luta pela manutenção da tradição, até onde conseguirem suportar,  deixam os seus ideais para trás e assumem a modernidade,  correndo o  risco de uma depressão, ou então vendem as suas terras e vão viver  das lembranças do passado, gozando uma aposentadoria confortável.

O certo é que os vinhos autênticos da Borgonha, estão desaparecendo  e a tendência é que se tornem, cada vez mais difíceis e raros de encontrar.

 

Bourgogne les Bons Bâtons 2005

Por , 15/08/2015 10:16

Mesmo sendo o vinho de entrada do produtor Philippe Lecrerc, eu posso garantir que este vinho não fica devendo nada, para muitos Villages ou até mesmo para alguns 1er crus.

Apesar dos seus 10 anos de idade, ainda é uma criança que  vai dar muitas alegrias aos enófilos que tiverem o privilégio de degustá-lo nos próximos anos!

Borgonha les batons

Pois eu tive o imenso prazer de provar este Bourgogne, há poucos dias atrás em visita a sede da vinícola,  localizada em Gevrey-Chambertin  e fiquei encantado com tamanha potência, elegância, acidez e persistência! Seu aroma, tal qual um peça teatral ou um show musical, começa discreto no inicio e aos poucos vai se revelando e conquistando os degustadores, no final leva a plateia ao delírio.

Comprei 2 garrafas ao preço de 16 euros( em torno de 60 reais), para trazer ao Brasil e ontem a noite, abri a primeira garrafa para acompanhar o jantar.

A ótima impressão que eu havia tido lá na vinícola, foi superada com sobras, o vinho é um verdadeiro show ! 

Agora me resta apenas uma garrafa deste vinho maravilhoso e o arrependimento de  ter comprado, apenas  duas.

Blog do Umpierre a Caminho da Borgonha

Por , 24/07/2015 09:18

Na próxima segunda-feira, estaremos embarcando, com destino a Borgonha, levando na mala uma imensa expectativa, em  conhecer a magia deste  lugar , onde o vinho é produzido há séculos e principalmente, aprender tudo que o tempo permitir, sobre as suas célebres “denominações”, suas regiões demarcadas, chamadas “climats” e os seus vinhos de estilo inimitável e personalidade diversas que há poucos dias foram declarados Patrimônio Mundial, pela UNESCO. 

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A nossa base será a cidade de Beaune, de onde partiremos diariamente, para as visitas que faremos a alguns produtores autênticos da região, para conhecer um pouco das suas histórias, dos seus métodos de cultivo e vinificação, e obviamente, degustar os seus vinhos.

Serão  oito dias de uma intensa agenda enogastrônomica, que prevê visitas à dez vinícolas,  degustações, almoços em vilarejos, piquenique em meio a vinhedos, jantares harmonizados, além de passeios aos principais pontos turísticos e históricos da região !

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Nossa temporada na Borgonha, terá o acompanhamento personalizado  de Jean Claude e Lígia, da Consultoria Relações Brasil/Bourgogne, especializada em enoturismo na região.

Não tenho dúvidas que retornaremos da Borgonha, com um belo excesso de bagagem, mas felizmente não haverá sobretaxas  e nem o risco de ser barrado na Alfândega, pois não estipularam limite para  a importação de conhecimento,possivelmente porque ainda não encontraram uma maneira de  inspecionar o nosso intelecto .

 

 

Quadrilha rouba Grands Crus sob encomenda na Bourgogne

Por , 15/06/2015 15:25

O crime organizado descobre um novo nicho para desenvolver as suas atividades na França . Somente um produtor da região de Chablis, já foi assaltado 4 vezes  neste ano e os  enomeliantes, estão levando, apenas os Grands Crus, numa clara demonstração que se trata de encomenda.

O que todos gostariam de saber, é para onde estes vinhos estão sendo enviados e quem está encomendando ?

O que se sabe de concreto, é que muita gente está se beneficiando deste esquema, mas a principal causa de existir estes roubos, é porque existe na ponta final, consumidores inescrupulosos, desonestos e sem ética.

Vamos aguardar as investigações policiais  e torcer para que se descubra logo esta rede criminosa, que está trazendo enormes prejuízos às  famílias de produtores que dependem da venda destes produtos, para o seu sustento.

No link abaixo o leitor poderá ler a reportagem completa.

 

http://visao.sapo.pt/alguem-anda-a-roubar-vinhos-franceses-de-luxo-por-encomenda=f822677

O Bourgogne estava morto!

Por , 08/06/2015 11:19

Nosso almoço deste primeiro domingo de junho, transcorria dentro da mais absoluta normalidade, com muita alegria e descontração como sempre. Em nossas taças, brilhava intensamente e exalava seus aromas tradicionais, um belo Bourgogne Pinot Noir safra 2011, produzido pela Ropiteau Frères, Cour Des Hospices, Meursault (Côte D’Or)  que eu havia comprado há poucos dias, pela internet!

O vinho agradou  em cheio, tanto pela qualidade, quanto pelo preço (abaixo do praticado no mercado), sendo muito elogiado por todos.

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Lá pelas tantas, com o almoço já chegando ao seu final,  constatamos que o nosso o Borgonha havia acabado e deixado um forte  gostinho de quero mais. Lembrei que havia outro igual (inclusive da mesma safra)guardado em minha adega e decidi  prolongar aquele momento prazeroso. Para a alegria de todos, abri  a outra garrafa !

Porém  o que ninguém imaginava, era o que estava para acontecer, com a segunda garrafa daquele vinho que encantou a todos !

Desconfiamos quando visualizamos na taça aquela cor mais escura, com tons puxando para o marron, bem diferente do vermelho rubi  vivo da primeira garrafa,  nos primeiros aromas que sentimos, nos perguntamos: onde estão os morangos, as cerejas frescas e as especiarias que haviam em profusão no primeiro vinho? Em seu lugar, havia um  cheiro forte e adocicado de vinho do Porto Tawny. Quando bebemos o primeiro gole, passamos da desconfiança ,para a certeza, o  sabor era bem desagradável, lembrava um vinho aberto há  muitos dias e a acidez havia sumido. O vinho estava oxidado e sem condições de ser bebido.

No início  ficamos olhando um para outro,  meio que sem acreditar que aquilo estivesse acontecendo,  principalmente por se tratar de um vinho, com apenas 4 anos de idade  e por ter dado um show na garrafa anterior,  demonstrando que ainda poderia durar muitos anos. 

Refeitos do susto, não nos restou alternativa, senão encarar a realidade e ficar com boa lembrança da primeira garrafa!

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Infelizmente não havia mais nada a fazer . O Bourgogne  estava  morto !   

Domaine de Valmoissine Pinot Noir 2012- De volta a rotina de prazer e alegria

Por , 03/05/2015 20:52

Depois de ficar uma eternidade( 10 dias) sem beber vinho, neste domingo, voltei a minha rotina de prazer e de alegria.

E voltei bebendo, nada menos que um Pinot maravilhoso, um legítimo representante da Bourgogne,  que leva a assinatura de Louis Latour, um dos mais tradicionais produtores daquela região.

O Domaine de Valmoissine Pinot Noir 2012,  mostrou que mesmo não sendo um  dos top da vinícola, é um vinho de muita qualidade.

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Possui a  coloração tradicional dos Pinot Noir da Borgonha, um vermelho transparente e brilhante, seu aroma de frutas vermelhas frescas é  intenso, na boca é elegante, equilibrado, acidez perfeita e final persistente. Seu envelhecimento, entre 12 e 14 meses, foi apenas em cubas de inox e o seu teor alcóolico é de 13%

Os vinhedos que deram origem a este belo vinho, estão localizados em terreno a base de calcário e argila,  a 500 metros acima do nível do mar, junto a Universidade de Valmoissine e a idade das suas vinhas é de 15 anos em média.

 Apesar da  grande qualidade demonstrada,  o  Domaine de Valmoissine  Pinot Noir 2012, chegou  na Loja Vinhos do Mundo, em Porto Alegre, ao preço de 89 reais o que na minha opinião é um ótimo custo/benefício, para um vinho elaborado por um dos grandes produtores da Bourgogne. E pelo visto muita gente teve a mesma impressão, pois o estoque na loja acabou em poucos dias.

 

 

 

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