Tão sábio para fazer o Barca Velha. Tão simples para produzir o Tons de Duorum

Por , 30/03/2014 20:37

Este cidadão na foto abaixo( ao meu lado esquerdo), foi por durante mais de 20 anos, o  grande responsável pela produção do Barca Velha,  o  vinho mais famoso e mais caro de Portugal.

Atualmente tocando o seu projeto próprio, o qual já foi assunto de um post anterior aqui neste blog.dupla (640x478)

Seu Nome é José Maria Soares Franco, depois de beber algumas taças  de vinho, passou a chamar-se, simplesmente Zé Maria!  

O brinde da foto acima, serviu para selar uma aposta que fizemos, após outras taças de vinho a mais. Se o Brasil for campeão, ele virá ao nosso País para as comemorações. Se Portugal conquistar o título , vou participar das festas no Douro.

photo1 (1) (480x640)   

Um dos grandes momentos de 2013, foi conviver por algumas horas com uma pessoa, tão sábia e tão simples!

Sábia para fazer o ícone Barca Velha, um vinho vendido no mercado por preços que atingem facilmente, cifras superiores 2 mil reais. Simples para produzir o Tons de Duorum, um dos melhores custos benefício que já bebi até hoje, cujo preço gira em torno de 40 reais. 

Na estréia do outono um show de elegância e complexidade !

Por , 23/03/2014 17:37

Beber um bom tinto era tudo  o que eu queria na noite deste sábado, em que Porto Alegre foi envolvida por um gostoso friozinho outonal e ficou com ares de cidade européia. 

A escolha  do vinho não poderia ter se mostrado mais acertada. Vindo direto de La Morra no coração do Piemonte, terra onde reinam Barolos e Barbarescos, o Barbera D’Alba  Cascina Del Monastero 2007, deu um verdadeiro show de elegância, estrutura e complexidade.

photo1 (478x640)

Ao contrário da maioria dos produtores que costumam fazer Barberas sem passagem por carvalho o Cascina Del Monastero foi fermentado em barricas de carvalho e lá permaneceu por 12 meses antes de ser engarrafado, e ainda envelheceu por mais algum tempo na garrafa.

photo1 (1) (478x640)

Apresentando uma linda coloração vermelho rubi, brilhante e transparente, aromas intensos de frutas vermelhas maduras, baunilha e tostado, muito agradável no palato, carvalho bem integrado, sedoso, complexo e elegante, boa acidez, taninos macios e final longo, em nenhum momento  deixou transparecer os 14.5 % do seu teor alcóolico.

 o Cascina Del Monastero Barbera D’Alba 2007, foi uma bela e agradável surpresa e nos proporcionou  bons momentos, na linda noite de estréia do outono 2014 em Porto Alegre.

 

 

 

A democracia do Enoblogs

Por , 16/03/2014 21:56

Publicar 15 ou mais posts em sequência, para ocupar toda a primeira página do feed do Enoblogs, pode até ser uma boa estratégia de marketing, mas tenho dúvidas se é uma atitude ética. No meu entender isso cria uma certa desigualdade entre os mais de 500 blogs que fazem parte desta blogsfera do vinho.

Como podem constatar, não sou profissional do ramo  e nem tenho pretensão ou talento para tal empreitada,  minha única e exclusiva intenção, é poder eventualmente, compartilhar  as minhas experiências de enófilo, e é nesta condição que as vezes me sinto um pouco incomodado, quando vejo estas publicações em série tomar conta de toda a página principal do feed do enoblogs, empurrando para as páginas secundárias os demais posts, mas com certeza, não é nada que vá atrapalhar o meu sono, pois para mim, escrever é apenas uma diversão

Mas enfim, como não existe uma regulamentação proibindo este formato de publicação, então está tudo certo, no final das contas , é possível que seja um certo exagero ou implicância da minha parte.

De qualquer forma, como o Enoblogs é uma democracia,  decidi deixar registrado o meu ponto de vista.

Desejo a todos uma excelente semana !

Por trás de um grande vinho tem uma grande história!

Por , 15/03/2014 12:16

 Todo o enófilo que se preze  sabe que  o ato de degustar um vinho, tem tudo a ver com subjetividade, gosto pessoal e afetividade,  é  utilizar os  sentidos, para extrair todo  prazer que ele pode proporcionar.  Vou mais além, na minha opinião, para degustar um vinho em toda a sua plenitude(não estou falando em degustação técnica), é preciso  conhecer as suas origens, saber de onde veio, como tudo começou, quando começou e o que se passou, até  o momento  de  chegar às nossas taças.

Um dos momentos marcantes destas minhas andanças pelo mundo dos vinhos, foi conhecer  a história de D. Antonia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha,  uma das principais personagens da vitivinicultura do Douro no século XIX.

Ouvir os relatos dos fatos desta lenda do vinho português, estando presente num dos  cenários históricos,  foi um momento mágico. A beleza daquele lugar e a emoção de estar naquele ambiente, fez a minha mente viajar no tempo e imaginar D. Antônia, entrando por este portão entreaberto, para admirar aquela que foi a sua obra mais arrojada. 

photo (2) (640x478)

Em 1877,  já aos 76 anos de idade, D. Antônia decidiu comprar  300 hectares de terras virgens em Vila Nova de Foz Coa, para a implantação de um  ambicioso projeto vitivinícola. Nascia ali a Quinta do Monte Meão, hoje denominada Quinta do Vale Meão,  a obra mais importante da incansável Ferreirinha que no entanto, teve pouco tempo para desfrutar mais um sucesso retumbante do seu talento  empreendedor, pois veio a falecer um ano após a conclusão do empreendimento, em 1895.

foto (5)

Desde então a Quinta se manteve sempre na posse de seus descendentes, nos anos 70, o seu trineto  Francisco Javier de Olazabal, assumiu a sua gestão e iniciou um processo de  aquisição das partes de seus familiares e co-proprietários, em 1994 tornou-se o único proprietário da Quinta.

photo (6) (640x478)

Até então as uvas da Quinta eram vendidas a empresa AA Ferreira S.A, fundada pelos descendentes de D. Antonia Ferreira e estavam na base de seus melhores vinhos.

Em 1998 Francisco Javier Olazabal, renunciou ao cargo de presidente que ocupava na AA Ferreira S.A, para se dedicar, juntamente com seu filho enólogo Francisco  de Olazabal y Nicolau de Almeida, a produção e comercialização de vinhos da Quinta, fundando a empresa  F. Olazabal & Filhos, Lda.

photo (5) (576x640)

Os primeiros vinhos lançados, foram os da safra de 1999, muito bem aceitos pelo mercado, a partir dai foi ganhando notoriedade a cada safra.

photo (3) (640x478)

Atualmente a Quinta do Vale Meão, é uma das  mais  renomadas  do Douro e de Portugal e seus vinhos são sucesso de crítica e de público em todo o mundo .

photo (1) (640x478)

O prazer que sentimos aos degustar os excelentes vinhos da Quinta do Vale Meão, só não foi maior que a emoção de conhecer a sua história !

 

Felipa Pato, uma mulher que faz a diferença

Por , 08/03/2014 21:19

Num ambiente predominantemente masculino, esta pequena grande mulher, desbravou e conquistou um considerável espaço no mundo do vinho, tendo como armas principais, a autenticidade, a simplicidade e a coragem.

photo1 (1) (205x640)

Não cedeu aos apelos de buscar o lucro fácil, através da produção de vinhos padronizados, para agradar o grande público, ao invés disso, decidiu seguir por caminhos mais tortuosos e de resultados duvidosos, produzindo vinhos autênticos sem maquiagem que são a legítima expressão do terroir da sua região,  apenas com uvas nativas, nem sempre de fácil compreensão .

photo1 (223x640)

Felipa Pato é de uma  determinação surpreendente e de uma simplicidade comovente, despojada e sem afetação, em nenhum momento deixa transparecer que se trata de uma das enólogas mais conceituadas de Portugal e já reconhecida  em vários países.

photo3 (241x640)

No dia internacional da mulher, aqui vai a minha homenagem para uma mulher que faz a diferença!  

 

Surge mais um excelente vinho nacional !

Por , 03/03/2014 10:56

Quando comprei este vinho, fui aconselhado a deixá-lo guardado por um tempo, para que pudesse mostrar todo o seu potencial . 

Consegui esperar uns seis meses no máximo, mas num jantar da família no final de fevereiro, não resisti a curiosidade e decidi abrir a garrafa.

Para que tivéssemos um parâmetro, degustamos antes, um dos vinhos que considero  estar entre os melhores do País, o Máximo Boschi Merlot 2004.

Após uma decantação de aproximadamente, 1 hora e meia,  servi o vinho as cegas  para os outros dois enófilos que me acompanharam na degustação, evitando que o rótulo pudesse trazer qualquer tipo de influência.

Mesmo ainda um pouco fechado no inicio,  já deu mostras  de que estávamos diante de um  vinho de grande qualidade, com o passar do tempo foi abrindo e a cada taça, os aromas foram ficando cada vez mais intensos , numa profusão de frutas vermelhas maduras, toques herbáceos e café . Na boca se mostrou elegante, muito equilibrado, acidez perfeita e final persistente.

photo (15) (640x478)

Em sua segunda safra apenas, o Elephant Rouge 2011, já entra para o seleto grupo dos  grandes vinhos nacionais. Agradou em cheio ! Na comparação ( as cegas para os meus 2 parceiros) com o Máximo Boschi Merlot 2004, consideramos estar num nível superior !

photo (11) (478x640)

Assino em baixo das afirmações do produtor deste belo vinho,  Jean Claude Cara  e da  Sonia Denicol, uma das profissionais que mais entende de vinhos nacionais; este vinho vai   ficar muito melhor com o passar dos anos. Mas  já está muito bom hoje !

Como a produção é de poucas garrafas, se ainda existir alguma a venda, vou tratar de comprar.

 

 

Panorama Theme by Themocracy