Cabernet Franc Nacional supera Californiano que custa mais que o dobro.

Por , 31/03/2015 13:38

Uma das coisas que mais me encanta no mundo do vinho, é que ele adora  aplicar lições de humildade nos donos na verdade.  Ontem por exemplo, foi a vez de desmentir um argumento que ouço com alguma frequência, de  pessoas que vivem  dizendo que preferem tomar vinhos importados, porque são melhores e mais baratos.

No último final de semana ao degustarmos dois Cabernet Franc, um americano produzido na Appellation de Lodi na Califórnia e outro nacional da região da Campanha Gaúcha, os desmentidos já começaram na hora de comprar os vinhos: pagamos pelo vinho californiano a importância de R$74,10,  enquanto o nacional custou R$35,00, ou seja, menos da metade do preço.

airenstone

Até ai tudo bem, pois sabemos que os vinhos médios e bons da Califórnia, não chegam baratos no Brasil, a grande surpresa aconteceu na hora da degustação,  o Ironstone Cabernet Franc 2010, se mostrou um vinho de pouca expressão, no nariz apresentou aromas não muito agradáveis e na boca  nos deparamos com um vinho ralo e de final curto, já o Cabernet Franc 2012 da Peruzzo , deu um show tanto no olfato, quanto no palato. Nos aromas, predominaram as frutas vermelhas maduras e na boca  se revelou um vinho elegante,  intenso, equilibrado de acidez viva e final longo.

aperuzzo

 Não é sem razão que este Cabernet Franc de Bagé, vem sendo elogiado pela crítica nacional, inclusive foi considerado o 4º melhor vinho tinto brasileiro em degustação as cegas realizada em 2014 na  VII Vinum Brasilis de 2014, um dos maiores eventos de vinhos do Brasil.

Parodiando o velho ditado, nada como um vinho depois do outro, para mostrar que no universo da viticultura, não existem verdades definitivas, uma delas é que nem sempre o vinho importado, é melhor e mais barato.

 

Um Ícone Nacional das Décadas de 80 e 90-Como estará 24 anos depois?

Por , 26/03/2015 11:30

Assim como muitos leitores apaixonadas pela história do vinho, eu também estou muito curioso para saber esta resposta e um dos motivos desta curiosidade, vocês entenderão lendo este post até o seu final.

Há alguns anos  atrás,  ganhei de presente, um vinho que  hoje é uma verdadeira raridade da enologia nacional, produzido no século passado, num período em que a indústria de vinhos finos no Brasil, não tinha tantos recursos e nem a tecnologia que  existe hoje.

Há muito tempo que  este vinho não está mais a venda no mercado, as poucas garrafas que ainda existem, estão  nas mãos de colecionadores.

Pois este vinho histórico, desde então está guardado na minha adega e um dos motivos para não tê-lo aberto, foi um certo receio, de que depois de todo este tempo, não estivesse em boas condições.

Mas vejam só como algumas coisas acontecem, ontem pesquisando na internet, encontrei ao acaso um artigo escrito por ninguém menos que o próprio enólogo que o produziu há quase 25 anos atrás.

Entre outras coisas interessantes, ele relata em detalhes uma degustação vertical de várias safras deste  vinho, realizada em 2013 no Rio de Janeiro que contou com a participação  de vários experts, onde foi constatado que todos os vinhos estavam em ótimo estado e o destaque especial da degustação, coincidentemente  foi um da mesma safra, daquele que ganhei de presente. Ainda conforme palavras do enólogo produtor-”quem tiver uma garrafa deste vinho, não tenha pressa, pois longos anos o esperam ainda.”  

Depois de ler esta matéria, nada nem ninguém, seguram a minha imensa vontade e curiosidade de degustar este vinho, no menor espaço de tempo possível.

Para tanto, nos próximos dias reunirei alguns enófilos, para juntos vivenciarmos esta experiência única de degustar um vinho que representa toda uma época da história do vinho nacional.  Um verdadeiro ícone da enologia gaúcha e brasileira das décadas de 80 e 90.

Tenho certeza que muita gente já sabe de que vinho estou falando, e até mesmo quem é o enólogo que o produziu, mas para quem ainda não sabe ou tem alguma dúvida, vou deixar em suspense,  para revelar em um próximo post, após a nossa degustação.

 

 

Sauvignon Blanc Nacional Estilo Loire- É tudo aquilo que estão falando e mais um pouco

Por , 20/03/2015 19:37

dallagnoll

Por tudo o que eu já tinha ouvido falar a respeito deste vinho e pela demora em conseguir comprar uma garrafa, a minha primeira degustação do Dall’Agnoll Fumê Blanc 2014,  foi cercada de grande expectativa! 

Produzido com a uva  Sauvignon Blanc, ao estilo dos vinhos da Região do Loire, este é mais uma inovação da Vinícola Estrelas do Brasil de Faria Lemos que ganhou destaque nos últimos anos, exatamente pela criação de produtos diferenciados e inusitados, fruto do espirito  criativo e arrojado de seus enólogos.

As uvas que deram origem ao Dall’Agnoll Fumê Blanc, foram cultivadas em vinhedos próprios, localizados no município de Nova Prata-RS e  vinificadas na sua cantina em Faria Lemos, estagiou pelo período de seis meses em barricas de carvalho, tempo suficiente, para dar uma leve estrutura ao vinho, sem comprometer o  seu frescor e a  acidez.

A exemplo dos vinhos lançados anteriormente, o Dall’Agnoll Fumê Blanc 2014, também  foi produzido em escala reduzida, são apenas 2000 garrafas que certamente sumirão do mercado em pouco tempo.

Eu que sou fã dos Sauvignon Blanc do Loire, fiquei surpreso com as semelhanças deste Fumê Blanc, com os vinhos produzidos naquela região.

Na minha opinião este é mais um vinho da Estrelas do Brasil que chegou para fazer história no cenário da vitivinicultura nacional!

É tudo aquilo que estão dizendo dele e mais um pouco, confirmou com sobras as minha expectativas !

 

 

Vinhos a preços surpreendentes !

Por , 16/03/2015 11:54

brunellos

Desde  o dia em que comprei uma caixa de Brunellos di Montalcino  a 80 reais(cada garrafa), no Supermercado Nacional  em 2014, de vez em quando eu vou até uma de suas lojas, na esperança de encontrar novas promoções como aquela,  porém que eu saiba, nunca mais surgiu nada parecido.

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Mas eis que ontem, em uma destas minhas visitas periódicas  ao referido supermercado,  me deparei com mais um fato inusitado.

Desta vez porém, a surpresa foi ao contrário, o Salton Talento 2009, um dos bons vinhos nacionais, exposto na prateleira  por 85 reais, um preço muito superior ao que está sendo vendido em outros estabelecimentos daqui de Porto Alegre. No Bourbon, por exemplo, este mesmo vinho custa R$59,90 e na  Loja Vinhos e Sabores, o preço é ainda mais baixo, lá estão vendendo  a R$49,90. 

Não sei qual é a lógica,  ou falta dela, para justificar  os surpreendentes preços dos vinhos, nesta rede de supermercado, mas o certo é que Brunellos  por 80 reais serão sempre bem vindos, mas Salton Talento a 85 reais, vou comprar na concorrência.

 

    

 

Vinho Branco Português de Qualidade a 30 Reais !

Por , 13/03/2015 23:02

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Encontrar um vinho português de boa qualidade, produzido por uma vinícola renomada, por apenas 30 reais, é uma bênção para quem não abre mão de beber um bom vinho, sem comprometer o seu orçamento, principalmente em meio a toda esta turbulência econômica, onde o dólar subindo de forma descontrolada, vai acabar refletindo nos preços dos vinhos importados a curtíssimo prazo.

Portanto se você gosta de um vinho branco, para beber  num inicio de noite, sem nenhuma outra expectativa que não seja relaxar do estresse do dia a dia e de outras tantas coisas desagradáveis que estão acontecendo no Brasil nos últimos meses, eu me arrisco a lhe indicar  o Monte Velho Branco 2013, um belo custo/benefício, produzido pela Herdade do Esporão, uma das vinícolas mais conceituadas do Alentejo e de Portugal que por enquanto está custando  30 reais, preço que paguei por ele hoje na Banca 38 do Mercado Público de Porto Alegre, onde comprei 2 garrafas. 

Domaine Des Roches Neuves- A Potência, a Elegância e a Pureza da Cabernet Franc do Loire

Por , 07/03/2015 11:44

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Um dos melhores e mais equilibrados varietais de Cabernet Franc que eu já tomei até hoje, chama-se  Domaine Des Roches Neuves 2012, proveniente de vinhedos cultivados na  AOC Saumur Champigny, uma soberba região vitícola do Loire, onde uma combinação especial de argila, calcário, sílex e solos aluviais, ajudam na produção de vinhos, com potência e elegância ao mesmo tempo, suas videiras produzem Cabernet Franc com grande pureza, podendo envelhecer por décadas.

De coloração rubi profundo, com nuances granada, o vinho encanta pela intensidade e complexidade dos seus aromas, onde predominam as frutas vermelhas maduras e toques de chocolate, na boca confirma o que o nariz prometeu, possui a elegância dos grandes vinhos,  corpo médio, macio e saboroso, acidez viva, extremamente equilibrado e um final de longa duração. Uma das caraterísticas que mais me impressionou neste Cabernet Franc, foi o seu poder de evolução na taça,  pouco a pouco vai  se  revelando e mostrando todas as suas qualidades. A graduação alcóolica é de civilizados 12.5% .

O produtor Thierry Garmain, é de uma tradicional família de vinhateiros de Bordeuax que mudou-se para o Loire em 1991, atraído pelo equilíbrio do  terroir, considerado um dos melhores da França, para o cultivo das castas  Cabernet Franc, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc.  De acordo com alguns críticos franceses, Germain é um dos viticultores de elite e todos os seus vinhos são de excelente qualidade, mas não são fáceis de encontrar, pois a demanda por eles é muito grande.

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Totalmente biodinâmicos desde a safra  2005, seus 28 hectares de vinhedos são trabalhados de uma forma natural, com o objetivo de manter a videira e o solo de forma mais saudável , possui um terreno , onde prepara o seu próprio adubo, esmaga suas uvas a pé e evita o uso de enxofre até onde é possível, além disso incorpora em sua agricultura, filosofias do zodíaco, para entender a posição do homem e da vinha no cosmos.  A colheita é manual e a seleção de uvas é feita num nível mais maduro, a vinificação é  realizada em pequenos lotes e o engarrafamento é sem colagem e nem filtragem. 

Alguém já disse e eu concordo plenamente que uma das maneiras de saber que estamos diante de um bom vinho, é  quando ele acaba e a vontade de continuar bebendo permanece. Pois foi exatamente isso que aconteceu quando bebemos  o Domaines Des Roches Neuves 2012, há alguns dias atrás. 

Pouco conhecido aqui no Brasil e difícil de encontrar, este  Cabernet Franc do Loire , superou as minhas expectativas em todos os quesitos, inclusive no preço de 80 reais que paguei por ele, na Loja Vinhos do Mundo em Porto Alegre. 

Leitor francês comenta sobre o preconceito contra os vinhos roses

Por , 06/03/2015 20:44

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No dia 01 de março, recebi  o comentário de um leitor francês, a respeito de um post que escrevi no dia 20 de fevereiro último, cujo título se chamava: Chateau De Pourcieux- Um Rose Para Derrubar Preconceitos- se por um lado fiquei muito honrado, ao saber que estou sendo lido no país  que é berço do vinho no mundo,  por outro, fiquei surpreso, pois tudo indica que não devo ter sido bem interpretado, talvez pela diferença na tradução do nosso idioma, ou até mesmo por uma possível falta de talento da minha parte, para traduzir o meu pensamento, a verdade é que o meu ilustre leitor francês, ataca, com uma certa razão, mas com algum exagero,  o preconceito aos vinhos roses, conforme vocês poderão ler abaixo:

” Olá, com todo o respeito que eu tenho  para você, o assunto é justamente que você é vítima do preconceito que rosé não é vinho! E o pior para mim é que você está induzindo uma influença muito nefasta sobre seus leitores. A onde se enfrenta com o poder critivável dos bloggers especializados que impõe uma visão puramente pessoal do seu próprio mundo do vinho.”

Assim como este comentário do leitor, a minha resposta está publicada no espaço do blog, destinado à esta finalidade, porém além disso, também decidi escrever um post sobre este assunto, não apenas para fazer uma mea culpa, mas também para ajudar a combater este preconceito que existe não só no Brasil, mas em várias partes do mundo.

Acho que vale a pena a reflexão,  pois até podemos  não gostar de um determinado tipo de vinho, mas não podemos deixar de beber, apenas por preconceito!  

 

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