Relatos sinceros de um enófilo

Por , 26/04/2015 09:39

Quando  eu deixei  simplesmente de beber, para entrar no universo dos vinhos,  jamais poderia imaginar o mundo de  emoções, magia e conhecimento que começava a se descortinar no meu horizonte.

atoscana

Nunca passou pela minha mente que um dia o vinho fosse  proporcionar tanta coisa boa na minha vida, que eu iria conhecer os lugares fantásticos que conheci, que  viveria  as emoções que  vivi e que  faria os amigos que eu fiz.

adouro

Eu que era uma pessoa introvertida e um tanto arredia ao convívio social, passei a participar de vários eventos,  inclusive acabei fundando, junto com alguns amigos, o Clube do Tinto, uma confraria  que  está  completando 10 anos, em 2015. Quando retornei da minha primeira viagem à Itália, há quase 4 anos atrás, inspirado em tantas coisas maravilhosas que vivenciei lá,  decidi  criar este blog para escrever sobre os assuntos relacionados ao vinho. 

aconfraria

E como se já não bastasse todas estas coisas boas, o vinho ainda conseguiu um feito inédito!  Foi pela imensa vontade de aprofundar os meus conhecimentos sobre este mundo fantástico, que acabei me curando de uma  fobia histórica que por muitos anos me impediu de viajar de avião, trazendo alguns prejuízos, para a minha vida  pessoal e profissional .

amigosdovinho

A grande verdade é que o vinho deixou de ser, apenas mais um passatempo para mim !

Graças ao vinho, a minha vida se tornou mais interessante, mais alegre e mais feliz !

 

Eu só bebo vinho…

Por , 20/04/2015 22:41

Na quarta-feira eu bebo vinho, para reduzir o tamanho da semana .

Na sexta-feira eu bebo vinho, para comemorar o inicio do final de semana.

Eu bebo vinho no sábado, porque no dia seguinte é domingo.

No domingo eu só bebo vinho, porque é dia do almoço da família.

Afora isso eu não bebo, exceto na véspera de  feriados e dias santos.

 arutini

 Bom feriado e bons vinhos à todos !

(post inspirado no texto  creditado a Madame Lily de Bollinger)

Acredite ! Existe um vinho nacional acima de 500 reais.

Por , 17/04/2015 14:14

Com todo o preconceito que existe no Brasil contra o vinho nacional, não creio que seja uma boa política colocar a venda em nosso mercado, um vinho,  cujo preço é um verdadeiro acinte para os padrões da imensa maioria dos consumidores. 

 asemarias

Não vou entrar no mérito se o vinho vale ou não vale este valor, pois esta é uma questão subjetiva. Muito menos vou fazer comparações de qualquer ordem,  apenas acredito que neste momento, em que produtores e instituições ligadas ao setor, tentam  de várias maneiras,  mudar a cultura dos brasileiros que hoje preferem consumir vinhos importados, por considerar que vinho nacional bom é caro, vender um vinho por mais de 500 reais,  é uma atitude que  vai totalmente contra as campanhas de mostrar ao consumidor que existe sim, vinho nacional de qualidade a preço baixo. 

A não ser que este produtor  esteja  pensando, apenas no seu próprio negócio, na sua própria empresa e no seu próprio vinho e  não está nem um pouco preocupado, com  o contexto.

Os que acompanham as minhas postagens, sabem que além de defensor dos vinhos nacionais, também sou um consumidor assíduo, bem como,  através deste meu blog e no meio social em que convivo,  procuro combater o forte preconceito  que existe contra o nosso vinho.

Nesta condição me sinto muito a vontade para expressar a minha  contrariedade, sobre este fato, que diga-se a bem da verdade não é o único(este  apenas superou  os demais),  cabe ressaltar que  existem muitos outros, cuja faixa de preço é  menor, mas ainda assim, caríssimos.

Esta prática  acaba sendo um forte argumento,  para a grande maioria dos consumidores que vivem alardeando que o vinho nacional de boa qualidade é muito caro.

Repito, não acho que seja uma boa política para o vinho brasileiro, mas enfim,  cada produtor tem todo o direito de colocar o preço que quiser no seu vinho, assim como o consumidor tem o direito de fazer o que quiser com o seu dinheiro, inclusive comprar este vinho.

Eu por exemplo, jamais farei essa loucura.

Paul Mas Grenache Noir 2011- Um ótimo custo/beneficio francês

Por , 12/04/2015 20:37

Quem quiser sair um pouco do circuito Chile, Argentina , Carmenere, Malbec e tomar um belo vinho francês de alta qualidade, sem precisar pagar caro por isso, aqui vai uma dica : Paul Mas Grenache Noir 2011 da região do Languedoc no Sul França. Produzido com 100% da casta Grenache, envelhecido por 10 meses em barricas de carvalho americanas (novas, de 2ª e 3ª passagem) e francesas de 2ª passagem. Seu teor alcóolico é de 13.5%, bem dentro do estilo Velho Mundo.

apaulmas

De coloração rubi intenso, aromas de bagas vermelhas maduras, violeta, alcatrão e especiarias doces. Na boca  é elegante, aveludado,  possui taninos macios, acidez viva e final persistente.

apaulmas1

O preço fica em torno de 65 reais , em Porto Alegre no Armazém dos Importados e na Loja Decanter. Além de ser uma boa oportunidade de degustar um varietal de Grenache, uma uva pouco conhecida por aqui.

Gewurztraminer – Alsácia x Campanha Gaúcha

Por , 09/04/2015 09:18

No duelo dos Gewurztraminer, o alsaciano Gustave Lorentz me pareceu um vinho melhor acabado e com mais qualidade, mas seu estilo adocicado ,  me fez decidir pelo Luar do Pampa da Campanha Gaúcha que é mais seco  e tem mais frescor.

Outro diferencial que pesou a favor do Gewurztraminer gaúcho, foi o seu preço de 35 reais, contra os 85 reais do vinho produzido na Alsácia. 

alsacia

São dois estilos de Gewurztraminer completamente diferentes, o Gustave Lorentz Reserve 2011  é produzido na Alsácia, uma região tradicional, onde  fazem alguns dos melhores vinhos do mundo, com esta uva.

Possui uma coloração amarelo ouro,  no nariz surgem aromas intensos, com predomínios florais, toques de mel e damasco, na boca tem um  sabor que confirma o doce dos aromas, tem ótima textura, acidez perfeita, final longo e seu teor alcóolico é de 13.5% .

aluar

Já o Luar do Pampa  2014 é uma grata surpresa ! Mesmo sendo produzido numa região sem nenhuma tradição no cultivo e vinificação da Gewurztraminer, trata-se de um belo vinho e o seu preço é bem atrativo. De cor amarelo palha, com tons esverdeados, aromas florais intensos  de rosas e jasmim, no fundo da taça aparece um pouco de mel. Na boca é bem seco , possui grande frescor, ótima acidez e o seu final é  de boa persistência. Sua graduação alcóolica é de 12.7% .

Não estou querendo com isso, dizer que o Luar do Pampa é  superior,  apenas estou afirmando que se trata de um vinho, mais afinado com  meu paladar e  com  meu bolso.  

 


Agora eu sei porque Miles detestava o Merlot Californiano

Por , 04/04/2015 21:14

Os vinhos californianos nunca caíram muito no agrado dos consumidores brasileiros, entre os quais eu me incluo. Porém logo depois de ter passado no Brasil o excelente filme Sideways que em meio a trama, aborda com riqueza de detalhes os vinhos e o turismo daquela região, ocorreu por aqui, um aumento considerável na  sua procura, especialmente pelos Pinot Noir. Mas este movimento não durou muito, pois  os preços proibitivos e a pouca oferta no mercado nacional, fizeram com que a situação  voltasse ao normal, em pouco tempo.

Segundo informações o grande motivo, seria que o mercado interno absorve a maior parte da sua produção, como consequência o volume de vinhos para exportação ao resto do mundo é inexpressivo, se comparado com a demais regiões vinícolas tradicionais.

 Pelo menos aqui no Rio Grande do Sul,  poucas  lojas possuem vinhos californianos em suas prateleiras, e esta escassez, eu senti na própria pele, ao tentar comprar alguns, para uma degustação da nossa confraria no ultimo mês de março.

adegust

Depois de vários dias de procura, consegui comprar seis vinhos de 3 produtores diferentes(dois de cada), com preços que variavam , de 74 a 126 reais, ficando na média em 95 reais.

Dois  eram muito ruins(Merlot e Cabernet Franc), dois eram razoáveis(Pinot Noir e Zinfandel) e dois eram bons( Cabernet Sauvignon), mas pelo preço que valem eu não voltaria a comprar nenhum deles. Até mesmo porque, com menos de 95 reais, se consegue vinhos bem melhores, inclusive, vários nacionais. 

Alias, agora entendo porque o personagem Miles, interpretado pelo ótimo Paulo Giamatti, detestava o Merlot Californiano.  

Vale apenas como experiência, para conhecer os vinhos de uma das regiões mais importantes do mundo !

Panorama Theme by Themocracy