Não está longe o dia em que os brasileiros descobrirão os seus vinhos

Por , 26/06/2015 19:29

A despeito do grande preconceito que existe contra  o vinho nacional,  principalmente por parte dos próprios brasileiros, o Lote 43 da Miolo, continua sendo um vinho de qualidade internacional, superior a muito vinho importado, desde que foi produzido pela primeira vez 1999, com uvas cultivadas, pelo antigo sistema de Latada.

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Desde o seu lançamento, a Miolo somente produz o Lote 43, em safras  consideradas especiais ! Já provei os exemplares de quase todas as safras em que foi lançado e gostei de todas, mas este  2011, um corte de Merlot e Cabernet Sauvignon, que eu tomei hoje no almoço, está excelente ! Em 2013 eu já havia provado  este vinho e tinha gostado muito, mas agora ele está bem melhor.

O vinho apresentou uma linda coloração rubi violácea, bem viva e brilhante, aromas intensos e agradáveis de frutas negras maduras, com toques de especiarias e chocolate, na boca é  bem saboroso e suculento, sedoso, taninos macios, carvalho na medida certa, bem integrado ao vinho, acidez correta e final de longa duração.Seu teor  alcóolico de 14%, representa menos do que realmente possui. É um vinho sem nenhum defeito.

Mas não pensem que este  vinho é uma exceção, atualmente o vitivinicultura nacional está produzindo uma grande quantidade de vinhos de qualidade, em todas as faixas de preço e mais dias, menos dias, os brasileiros acabarão descobrindo e valorizando os seus vinhos, assim como já descobriram o seu espumante.  

Degustação de Beaujolais as cegas, com vinho intruso e repetido

Por , 23/06/2015 19:16

No último sábado realizamos uma degustação as cegas, cujo principal objetivo era aprender a conhecer os quatro diferentes tipos de Beaujolais(Beaujolais Nouveau, Beaujolais, Beaujolais Village e Beaujolais Cru).

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Com o intuito de colocar a prova o nível de conhecimento dos confrades do Clube do Tinto, decidimos incluir dois elementos dificultadores a saber:  um vinho intruso, ”tipo Beaujolais” (Miolo Gamay  2015) e dois vinhos Beaujolais iguais. 

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Os principais desafios para os degustadores, seria identificar o número das garrafas dos vinhos iguais e do vinho intruso, além de acertar os quatro tipos de Beaujolais.

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Participaram da degustação 11 confrades e os resultados foram os seguintes :

Apenas quatro confrades, acertaram quais eram os dois vinhos iguais.

Sete confrades identificaram o vinho “intruso” .

Nenhum  confrade acertou os quatro tipos de Beaujolais, mas seis confrades acertaram dois.

A grande surpresa da degustação(é difícil uma degustação as cegas sem surpresa), ficou por conta do Beaujolais Nouveau, que na soma dos pontos foi considerado o vencedor,  batendo os outros três, Beaujolais, Beaujolais Village e Beaujolais Cru, todos considerados superiores.

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Foi uma das degustações mais difíceis, realizadas pela Confraria Clube do Tinto que na ocasião comemorava os seus 10 Anos de fundação, mas que serviu como mais uma bela experiência e aprendizado, para os confrades.

Quadrilha rouba Grands Crus sob encomenda na Bourgogne

Por , 15/06/2015 15:25

O crime organizado descobre um novo nicho para desenvolver as suas atividades na França . Somente um produtor da região de Chablis, já foi assaltado 4 vezes  neste ano e os  enomeliantes, estão levando, apenas os Grands Crus, numa clara demonstração que se trata de encomenda.

O que todos gostariam de saber, é para onde estes vinhos estão sendo enviados e quem está encomendando ?

O que se sabe de concreto, é que muita gente está se beneficiando deste esquema, mas a principal causa de existir estes roubos, é porque existe na ponta final, consumidores inescrupulosos, desonestos e sem ética.

Vamos aguardar as investigações policiais  e torcer para que se descubra logo esta rede criminosa, que está trazendo enormes prejuízos às  famílias de produtores que dependem da venda destes produtos, para o seu sustento.

No link abaixo o leitor poderá ler a reportagem completa.

 

http://visao.sapo.pt/alguem-anda-a-roubar-vinhos-franceses-de-luxo-por-encomenda=f822677

O Bourgogne estava morto!

Por , 08/06/2015 11:19

Nosso almoço deste primeiro domingo de junho, transcorria dentro da mais absoluta normalidade, com muita alegria e descontração como sempre. Em nossas taças, brilhava intensamente e exalava seus aromas tradicionais, um belo Bourgogne Pinot Noir safra 2011, produzido pela Ropiteau Frères, Cour Des Hospices, Meursault (Côte D’Or)  que eu havia comprado há poucos dias, pela internet!

O vinho agradou  em cheio, tanto pela qualidade, quanto pelo preço (abaixo do praticado no mercado), sendo muito elogiado por todos.

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Lá pelas tantas, com o almoço já chegando ao seu final,  constatamos que o nosso o Borgonha havia acabado e deixado um forte  gostinho de quero mais. Lembrei que havia outro igual (inclusive da mesma safra)guardado em minha adega e decidi  prolongar aquele momento prazeroso. Para a alegria de todos, abri  a outra garrafa !

Porém  o que ninguém imaginava, era o que estava para acontecer, com a segunda garrafa daquele vinho que encantou a todos !

Desconfiamos quando visualizamos na taça aquela cor mais escura, com tons puxando para o marron, bem diferente do vermelho rubi  vivo da primeira garrafa,  nos primeiros aromas que sentimos, nos perguntamos: onde estão os morangos, as cerejas frescas e as especiarias que haviam em profusão no primeiro vinho? Em seu lugar, havia um  cheiro forte e adocicado de vinho do Porto Tawny. Quando bebemos o primeiro gole, passamos da desconfiança ,para a certeza, o  sabor era bem desagradável, lembrava um vinho aberto há  muitos dias e a acidez havia sumido. O vinho estava oxidado e sem condições de ser bebido.

No início  ficamos olhando um para outro,  meio que sem acreditar que aquilo estivesse acontecendo,  principalmente por se tratar de um vinho, com apenas 4 anos de idade  e por ter dado um show na garrafa anterior,  demonstrando que ainda poderia durar muitos anos. 

Refeitos do susto, não nos restou alternativa, senão encarar a realidade e ficar com boa lembrança da primeira garrafa!

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Infelizmente não havia mais nada a fazer . O Bourgogne  estava  morto !   

Dia da Liberdade de Impostos do Vinho

Por , 02/06/2015 22:29

Não tive notícias, sobre a participação do setor do vinho ou de algum produtor neste movimento, destinado a mostrar aos consumidores o tamanho real dos impostos de cada produto.

Na minha opinião os produtores de  vinhos no Brasil,  que tanto tem lutado pela redução da enorme carga tributária, estão perdendo uma excelente oportunidade, para mostrar ao seu público consumidor o tamanho e o peso destes impostos que acabam fazendo com que os nossos vinhos, sejam mais caros  que uma boa parte dos vinhos importados.

Chega a ser surpreendente que nenhum produtor e nem as suas associações, tenham tomado a iniciativa de participar deste evento, com grande repercussão nacional, que no Rio Grande do Sul, já está na sua 11ª edição. 

 

 

 

 

Apesar de já estar na terceira idade, ainda goza de boa saúde !

Por , 02/06/2015 11:29

 No último final de semana, finalmente degustamos o Baron de Lantier Cabernet Sauvignon safra 1991, produzido no município de Garibaldi, na Serra Gaúcha, pela Bacardi-Martini do Brasil Indústria e Comércio Ltda., sob a responsabilidade do enólogo Adolfo Lona.

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A rolha estava quase que totalmente umedecida, exceto o ultimo milímetro da parte superior,  mas em perfeitas condições, tanto que consegui tira-la inteira, sem necessitar de  saca-rolha especial.

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Seguindo recomendações, o vinho não foi decantado, abrimos a garrafa e começamos a degustação de imediato.

A sua cor  atijolada, denunciava o efeito dos  seus quase 25 anos, mas o líquido estava totalmente límpido. Os primeiros aromas lembravam claramente defumados, com toques de café em segundo plano, depois de algum tempo, surgiram aromas não muito intensos de frutas vermelhas maduras.

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Na boca o vinho estava perfeito, macio, boa estrutura, equilibrado, madeira super integrada e uma acidez surpreendente, seu final era de média persistência .

Antes que os fundamentalistas de plantão venham a destilar o seu ódio ao vinho nacional, quero deixar claro que a única intenção desta degustação, foi  a curiosidade de saber as condições de um vinho tinto nacional, produzido na Serra Gaúcha, há quase 25 anos atrás.

Fiquei muito feliz  ao constatar que depois de todos estes anos, o vinho  manteve intacta todas as suas caraterísticas, mesmo tendo sido elaborado numa época em que não  se tinha acesso a toda  tecnologia que existe hoje.

Depois desta degustação, posso afirmar tranquilamente que  o Baron de Lantier Cabernet Sauvignon 1991, apesar de já estar na terceira idade,  ainda goza de boa saúde !

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