A verdade sobre os vinhos autênticos da Borgonha

Por , 24/08/2015 21:08

Durante os nove dias em que circulamos pela Borgonha, no início deste mês de agosto, um dos fatos que mais me chamou a atenção, foi a visível preocupação de alguns produtores tradicionais, com as mudanças que estão ocorrendo na produção de vinhos da região. 

De acordo com estes mesmos produtores, a substituição da tradição, pela modernização  é uma triste  e irreversível realidade que já chegou a Borgonha, um dos últimos redutos mundiais que ainda não havia se rendido a esta tendência mundial avassaladora, fruto de uma demanda gigantesca, por vinhos  fáceis  de beber e  de consumo rápido.

Para piorar ainda mais a situação, numa das Apelações (AOC) que visitamos,  uma pesquisa feita, para saber a intenção dos filhos em dar continuidade  no trabalho dos pais, mostrou resultados  desanimadores, apenas dez por cento, responderam afirmativamente, a grande maioria respondeu que deseja seguir outros caminhos.

Os que decidiram assumir os negócios da família,  por conta de uma visão  mais globalizada, sobre o mundo dos negócios e desapegados da tradição, fruto de longos anos de estudos em grandes centros, acabaram por implantar uma política de standartização dos seus vinhos, como forma de obter lucro imediato e outros não resistiram a tentação das propostas milionárias dos grandes grupos nacionais e internacionais e optaram por vender as suas propriedades.

Assim,  a vida vai ficando cada vez mais difícil, para o  pequeno produtor que ainda  continua  elaborando vinhos autênticos.

avillar

Diante deste cenário, não restam muitas alternativas para estes verdadeiros heróis da resistência: ou continuam nadando contra a corrente, na luta pela manutenção da tradição, até onde conseguirem suportar,  deixam os seus ideais para trás e assumem a modernidade,  correndo o  risco de uma depressão, ou então vendem as suas terras e vão viver  das lembranças do passado, gozando uma aposentadoria confortável.

O certo é que os vinhos autênticos da Borgonha, estão desaparecendo  e a tendência é que se tornem, cada vez mais difíceis e raros de encontrar.

 

De Enófilo para Enófilo

Por , 22/08/2015 09:37

Diferentemente de outras publicações, os comentários sobre o mundo dos vinhos que postamos neste blog, são totalmente independentes e representam apenas e unicamente a nossa opinião .

Não somos profissionais, mas possuímos muita experiência no assunto, fruto dos longos anos de convivência neste universo,  no entanto queremos deixar bem claro que este blog não é uma ferramenta de marketing,  é apenas um instrumento de divulgação de  enófilo para enófilo.

Não temos nenhum patrocínio, ou qualquer  tipo de contrato comercial, seja com vinícolas, distribuidores, lojas de vinhos, importadores, associações, instituições ou algum outro negócio, ligado ao vinho.

Todos os vinhos que degustamos, restaurantes que almoçamos ou jantamos, hotéis que nos hospedamos, viagens que fazemos, são pagos com recursos próprios, não aceitamos sob hipótese alguma, trocar a nossa independência, por benefícios de qualquer ordem, até mesmo porque não precisamos disso.

Nossas fontes de receitas, não são originárias de nenhum segmento relacionado ao  vinho, gastronomia ou turismo.

Portanto os nossos leitores, podem ter  a certeza que  as  opiniões, indicações ou manifestações aqui publicadas, poderão não ser as melhores ou  as mais técnicas, mas  sem dúvidas, representam o reflexo mais puro e cristalino do nosso pensamento.  

 

Bourgogne les Bons Bâtons 2005

Por , 15/08/2015 10:16

Mesmo sendo o vinho de entrada do produtor Philippe Lecrerc, eu posso garantir que este vinho não fica devendo nada, para muitos Villages ou até mesmo para alguns 1er crus.

Apesar dos seus 10 anos de idade, ainda é uma criança que  vai dar muitas alegrias aos enófilos que tiverem o privilégio de degustá-lo nos próximos anos!

Borgonha les batons

Pois eu tive o imenso prazer de provar este Bourgogne, há poucos dias atrás em visita a sede da vinícola,  localizada em Gevrey-Chambertin  e fiquei encantado com tamanha potência, elegância, acidez e persistência! Seu aroma, tal qual um peça teatral ou um show musical, começa discreto no inicio e aos poucos vai se revelando e conquistando os degustadores, no final leva a plateia ao delírio.

Comprei 2 garrafas ao preço de 16 euros( em torno de 60 reais), para trazer ao Brasil e ontem a noite, abri a primeira garrafa para acompanhar o jantar.

A ótima impressão que eu havia tido lá na vinícola, foi superada com sobras, o vinho é um verdadeiro show ! 

Agora me resta apenas uma garrafa deste vinho maravilhoso e o arrependimento de  ter comprado, apenas  duas.

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