Barberas Nacionais, Superam Italianos em Degustação as Cegas.

Por , 28/09/2015 13:37

“Descobrindo os Barberas” foi o tema de mais uma edição da já tradicional degustação as cegas da Confraria Clube do Tinto, no ano do seu décimo aniversário, quando foram degustados três Barberas italianos e dois nacionais.

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A Barbera  é uma uva ancestral,  originária da região do  Piemonte, onde é considerada a mais popular, além disso é uma das mais cultivadas em toda a Itália. É  utilizada tanto para fazer vinhos leves, para o dia-a-dia, como para produzir vinhos estruturados com alta capacidade de envelhecimento. A Barbera, também é cultivada nos Estados Unidos, Argentina, Austrália  e no Brasil, trazida pelos primeiros imigrantes italianos que chegaram em nosso país, porém com exceção dos  Barberas  do Piemonte,  os demais vinhos produzidos com esta casta no resto do mundo, ainda são pouco conhecidos.

Não existem dúvidas que os piemonteses Barbera D’Alba e Barbera D’Asti  DOC e DOCG,  são considerados os melhores do mundo, mas em Piancenza na região da Emília Romagna, também estão produzindo um  Barbera de  grande qualidade.

Os Barberas D’Alba eu conheço muito bem e os bebo com certa frequência,  pois estão entre os meus vinhos preferidos, pela sua elegância,  taninos macios e alta acidez, quanto aos da denominação D’Asti, conheço pouco, mas sei  que também são excelentes.

Dos outros países que produzem Barberas, nunca provei nenhum exemplar, mas já ouvi falar que nos Estados Unidos, estão fazendo ótimos vinhos com esta uva.

No Brasil, tenho conhecimento da existência  de três vinhos elaborados com a uva Barbera,  porém o único que conheço  bem é o produzido pela Angheben do Vale dos Vinhedos, elaborado com uvas cultivadas em Encruzilhada do Sul , na Serra do Sudeste e trata-se de um dos melhores  custo/benefício, em termos de vinho nacional, pela sua alta qualidade e preço acessível. Desde a sua primeira safra, o Barbera da Angheben faz sucesso entre enófilos e especialistas brasileiros, mas  devido a sua baixa produção, ainda é pouco conhecida do grande público.

Também em solo gaúcho, a vinícola Perini, começou a produzir recentemente, um Barbera com uvas cultivadas no Vale Trentino, no município de Farroupilha na Serra Gaúcha, apesar de já ter ouvido e lido alguns elogios a seu respeito, eu ainda não o havia provado, até  e realização desta degustação. É  bem possível que este Barbera da Perini, num futuro breve, venha a ser mais conhecido pelo consumidor brasileiro, pois sua produção é maior e está a venda numa grande rede de supermercados, além de lojas especializadas 

Há pouco tempo fiquei sabendo da existência de um terceiro Barbera brasileiro, trata-se do Pireneus Bandeiras Barbera, produzido pela vinícola  Pireneus Vinhos e Vinhedos da região dos Cerrados no Centro-Oeste do país,   também considerado Barbera, porém  elaborado com 85% desta casta e segundo alguns experts, trata-se de um grande vinho, mas também de baixa produção e pouca divulgação.

A degustação contou com a participação dos seguintes vinhos :  Barberas D’Alba Fratello Dogliani  2011 e  Collina San Ponzio 2012, o  Barbera D’Asti Icardi 2011 e os Barberas nacionais Angheben 2012 e Perini 2013.

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Ao final da degustação, computadas as notas dos onze degustadores,  a classificação dos vinho, ficou sendo a seguinte:

1º lugar  – Perini Barbera 2013-   67,5 pontos                                        

2ºlugar – Angheben Barbera 2012- 67,0 pontos

3ºlugar – Fratello Dogliani Barbera D’Alba 2011- 59 pontos

4ºlugar – Collina San Ponzio Barbera D’Alba 2012-57 pontos 

5ºlugar – Icardi Barbera D’Asti 2011- 23 pontos

Cabe ressalvar que o Icardi Barbera D’Asti  teve o seu julgamento prejudicado, pois apresentava sinais  claros de decomposição, por possíveis problemas de armazenamento, transporte inadequado ou ainda alguma outra situação que veio a alterar as suas caraterísticas originais, não se admite que um vinho, com apenas 4 anos de idade, produzido por uma vinícola conceituada, esteja praticamente morto.

Obs.: o sexto vinho que vocês estão vendo na foto abaixo, trata-se de um dos cinco que colocamos repetido, numa das técnicas que utilizamos, para  avaliar o grau de conhecimento dos confrades.

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O Barbera da Angheben eu até esperava que pudesse competir em igualdade de condições, pois conheço muito bem a sua qualidade, mas a vitória do Perini foi realmente a surpresa positiva do evento. Além disso foi o vinho mais barato da competição e pode ser encontrado facilmente em alguns supermercados da rede Zaffari, onde eu comprei esta garrafa, por R$34,90. Aliás os dois vinhos gaúchos, eram os de menor preço, pelo Angheben paguei R$59,90. Já os Barberas D’Alba estavam na faixa dos R$80,00 e o vinho mais caro foi o Icardi Barbera D’Asti que custou R$102,00.

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A primeira conclusão desta degustação as cegas do Clube do Tinto, é que o Brasil agora conta com dois ótimos Barberas a  disposição do consumidor brasileiro e a segunda é que mais uma vez os vinhos nacionais, quando livres do preconceito e da influência dos rótulos,  sempre conseguem bons resultados em degustações as cegas, diante  de vinhos tradicionais e de reconhecida qualidade.

A melhor opção para trazer vinhos na mala com segurança

Por , 18/09/2015 18:34

Este post é para você que já  passou  pelo dissabor de ter as  suas roupas manchadas e além disso, ainda perdeu aquele vinho especial que  trazia na mala,  porque a garrafa  quebrou durante o trajeto.

Mas este post, também é para você que  em algum momento, ficou com receio de trazer  grandes vinhos do exterior,  por falta de uma alternativa segura para transportar as garrafas.

No último mês de agosto, há poucos dias de retornar de uma viagem,  conversei com algumas pessoas, sobre a maneira mais segura de trazer alguns vinhos na mala. Foi então que fiquei sabendo da existência de uma embalagem que além de proteger a garrafa contra grandes impactos, também tem a capacidade de absorver o líquido, no caso de uma eventual quebra.

Acredito que assim como eu, a grande maioria dos meus leitores nunca antes ouviram falar deste produto, mais um bom  motivo para escrever este post e compartilhar a descoberta com todos.

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A JetBag é uma sacola plástica, desenvolvida exclusivamente, para proteger o casco e sugar até 750 ml do líquido, através do seu forro absorvente. Possui fecho de vedação, é reutilizável e biodegradável.

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O que eu posso relatar da experiência que tive com as JetBags, é  que elas cumpriram o seu papel , tanto na proteção das garrafas, quanto das bagagens que chegaram ao seu destino em perfeitas condições, depois de uma viagem internacional, com duas conexões.

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Os vinhos já estão na adega(alguns já foram degustados) e as  JetBags, estão devidamente guardadas no armário, a  espera de uma próxima viagem,  pois como já citei no início, elas podem ser utilizadas diversas vezes.

Aos interessados, a minha sugestão é que adquiram as suas JetBag pela internet, antes de viajar, pois além do preço ser bem mais barato, não são muito fáceis de se achar. As que comprei, tive a sorte de encontrá-las  numa loja de vinhos em Beaune, por indicação de amigos, mas o preço é salgado.

De todas as alternativas que já testei até hoje,  a sacola JetBag , é com certeza a mais segura. 

 

Geada Atinge Vinhedos da Campanha Gaúcha

Por , 15/09/2015 10:43

Como se já não bastasse a grave crise  que assola o Rio Grande do Sul,  resultado da grande incompetência  dos seus governantes, a natureza também resolveu dar a sua contribuição, para agravar ainda mais a situação. 

Conforme foi noticiado na edição desta terça-feira, do Jornal Minuano da cidade de Bagé-RS, a geada que caiu no último sábado sobre a região, provocou grandes perdas, para o setor de vinhos.

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Alguns produtores de Dom Pedrito e Candiota, estimam que  40%  dos parreirais foram atingidos.

Leia a reportagem completa no link abaixo.

http://www.jornalminuano.com.br/VisualizarNoticia/21787/produtores-da-regiao-estimam-a-perda-de-mais-de-40-da-producao-de-uva.aspx#prettyPhoto

Você sabia que existem Borgonhas feitos com Sauvignon Blanc?

Por , 03/09/2015 22:10

É bem possível que   assim como eu,  muita gente não tenha conhecimento que os vinhos da Borgonha, não são feitos apenas com as uvas Pinot Noir  e Chardonnay, como é divulgado pela grande mídia.

O que  contribui para esta  desinformação geral, é que grande parte das publicações  especializadas e  cursos sobre o mundo dos vinhos,  divulgam apenas e tão somente, os famosos e mundialmente reconhecidos, Borgonhas, produzidos com estas duas castas.

Poucos sabem que  existe um “Grand Vin de Bourgogne” denominado, Sauvignon de Saint Bris, Apellattion Village,  criada por decreto  em 10 de janeiro de 2003,  cujos vinhos são produzidos, apenas com a casta Sauvignon Blanc .

A  AOC de  Saint Bris, abrange uma área de pouco mais de 130 hectares de vinhedos, ao norte da Borgonha e fica situada  entre os vinhedos de Chablis e Auxerrois, e são divididos em cinco comunas de produção  a saber: Saint-Bris-le-Vineaux, Citry, Irancy, Quenne e Vincelottes.

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Os vinhos desta denominação, com certeza não possuem  o mesmo reconhecimento dos seus conterrâneos feitos com Pinot Noir e Chardonnay, mas  são  de muito boa qualidade e seus preços são bem mais acessíveis aos bolsos dos enófilos.

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Uma boa parte destas informações que estou compartilhando com meus leitores, fiquei sabendo durante  a visita que fizemos no último mês de agosto, à   propriedade Domaine Bersan, localizada na comuna de Saint-Bris-Le-Vineaux, pertencente a descendentes de uma família que produz vinhos na região, há várias gerações.

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Conhecemos as suas caves subterrâneas , construídas nos séculos XI e XII que é um verdadeiro monumento da história da Borgonha, e ainda tivemos o privilégio de degustar os vinhos das suas diversas apelações, entre eles os da então desconhecida Sauvignon Saint Bris. 

Espero que esta publicação tenha servido,  para  que no mínimo, meia dúzia de enófilos  fiquem sabendo que  nem só de Pinot e Chardonnay vive a Borgonha. Se isto acontecer este post já terá valido a pena. 

 

 

 

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