Ex-jogador de futebol brasileiro se transforma em produtor de vinhos por acaso

Por , 26/05/2016 19:38

Ontem à noite tomei um vinho na casa de  amigos que me agradou  bastante, tanto no quesito qualidade, quanto pelo preço acessível, algo em torno de 75 reais nas lojas especializadas.

O Contador de Estórias safra 2009, é um corte de 60% de uvas Syrah, 30% de Touriga Nacional e 10% de Petit Verdot, estagiou 70% em cuba de inox e 30% em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses, seu teor alcoólico é de 14% .

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No visual apresenta uma coloração rubi violáceo intensa, aromas de frutas negras maduras, especiarias e um toque mineral, na boca é redondo, elegante, o carvalho está bem integrado, a acidez está no ponto e o final é persistente.

Este vinho é produzido pela vinícola Manzwine, localizada na Vila de Cheleiros distrito de Setúbal à 20 minutos de Lisboa, propriedade do brasileiro André Manz, ex-jogador de futebol que  ao mudar-se para esta localidade em 2004, queria apenas fazer um vinho para consumo da família, pois era um apreciador da bebida, mas a descoberta de 200 cepas de uma uva branca chamada Jampal, praticamente extinta em Portugal, fez com que André  decidisse produzir um vinho com esta casta, mesmo sendo desaconselhado pelas pessoas do lugar, em função da abundância de outras variedades e da fraca rentabilidade em grande escala da Jampal. “Eu não quero fazer muito vinho, quero fazer bom vinho,” justificou André ao seguir em frente com seu projeto.

O resultado foi surpreendente: o seu vinho era diferente de tudo o que se havia provado até então, constituindo uma oportunidade de negócio inesperada e o mote para a produção de outras castas portuguesas tintas mais antigas, assim como para a exploração de vinhas nas regiões nobres do Alto Douro e Palmela.

Hoje seus vinhos  são reconhecidos em  Portugal e  em diversos países europeus e já estão sendo exportados para vários países, inclusive o Brasil.

 

LOTE 43 SAFRA 2012- As Minhas Primeiras Impressões

Por , 11/05/2016 17:36

Acabei de degustar o  Lote 43 safra 2012 que ainda não foi lançado oficialmente no mercado, o que deverá acontecer somente na próxima quarta-feira, 18/05 na cidade de Salvador, durante a realização de um jantar com a presença de Adriano Miolo, seguido de uma degustação de algumas safras anteriores deste vinho.

Conheço o Lote 43 de longa data, desde a sua primeira edição em 1999,  mas a cada safra é um vinho diferente e por isso mesmo, eu estava muito curioso para degustar este 2012, considerada ao lado de 2005, uma das safras históricas da Serra Gaúcha.

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Assim como nas safras anteriores, este vinho foi produzido com uvas cultivadas no Lote 43,  uma área de 19 hectares de vinhas, localizada na D.O. Vale dos Vinhedos que deu origem ao nome do vinho, para a sua elaboração, foram utilizadas 60% de uvas Merlot, colhidas nas primeiras semana de março e 40% de Cabernet Sauvignon, colhidas nas últimas semana do mesmo mês, o vinho amadureceu  durante 12 meses, em barricas novas de carvalho francês e americano e após o seu engarrafamento, foi armazenado nas caves subterrâneas da vinícola, desde então encontrava-se repousando até o  inicio da comercialização.

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Mas vamos as minhas primeiras impressões, sobre a degustação, deste que é um dos vinhos mais esperados pelos enófilos de todo o país, em função de ser produzido somente nas melhores safras, para que tenham uma ideia, nos 17 anos desde o seu lançamento, foi elaborado em apenas 7 safras ( 1999, 2002, 2004, 2005, 2008, 2011 e 2012).

No visual apresenta uma coloração vermelho púrpura, com nuances violáceos, o bouquet  é um festival de aromas agradáveis e intensos, onde predominam frutas negras maduras, também senti chocolate amargo, frutas secas, especiarias e outros que não identifiquei, na boca é um vinho de grande estrutura, aveludado, carvalho bem integrado, ótima acidez  e final de grande persistência. O vinho é tão macio e redondo que os seus 14% de teor alcóolico não destoa deste contexto, mantendo o seu perfeito equilíbrio.

O vinho já está pronto para ser degustado hoje, mas o seu enorme potencial de guarda, com certeza irá lhe acrescentar outras qualidades, próprias da evolução dos grandes vinhos.

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Eu que já  degustei as seis safras anteriores  do Lote 43,   fiquei com a impressão que este safra 2012,  será considerado um dos melhores, entre as sete que foram produzidas.

Não tenho nenhuma dúvida que continua sendo um dos grandes vinhos tinto brasileiros.

Por enquanto está sendo vendido, somente no site da Miolo,  ao preço de 163 reais, mas com o desconto promocional de 20%, o valor final fica em 130 reais.

Mesmo com desconto o preço está bem salgado, mas infelizmente com o aumento do 10% no IPI e em todos os demais custos da cadeia produtiva,  os produtores foram obrigados a reajustar seus preços.

A minha sugestão, para quem deseja degustar este grande vinho brasileiro, sem pesar tanto no seu bolso, é dividir o valor de uma garrafa entre alguns confrades, amigos ou familiares.

 

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