Barberas Nacionais, Superam Italianos em Degustação as Cegas.

“Descobrindo os Barberas” foi o tema de mais uma edição da já tradicional degustação as cegas da Confraria Clube do Tinto, no ano do seu décimo aniversário, quando foram degustados três Barberas italianos e dois nacionais.

barberas3

A Barbera  é uma uva ancestral,  originária da região do  Piemonte, onde é considerada a mais popular, além disso é uma das mais cultivadas em toda a Itália. É  utilizada tanto para fazer vinhos leves, para o dia-a-dia, como para produzir vinhos estruturados com alta capacidade de envelhecimento. A Barbera, também é cultivada nos Estados Unidos, Argentina, Austrália  e no Brasil, trazida pelos primeiros imigrantes italianos que chegaram em nosso país, porém com exceção dos  Barberas  do Piemonte,  os demais vinhos produzidos com esta casta no resto do mundo, ainda são pouco conhecidos.

Não existem dúvidas que os piemonteses Barbera D’Alba e Barbera D’Asti  DOC e DOCG,  são considerados os melhores do mundo, mas em Piancenza na região da Emília Romagna, também estão produzindo um  Barbera de  grande qualidade.

Os Barberas D’Alba eu conheço muito bem e os bebo com certa frequência,  pois estão entre os meus vinhos preferidos, pela sua elegância,  taninos macios e alta acidez, quanto aos da denominação D’Asti, conheço pouco, mas sei  que também são excelentes.

Dos outros países que produzem Barberas, nunca provei nenhum exemplar, mas já ouvi falar que nos Estados Unidos, estão fazendo ótimos vinhos com esta uva.

No Brasil, tenho conhecimento da existência  de três vinhos elaborados com a uva Barbera,  porém o único que conheço  bem é o produzido pela Angheben do Vale dos Vinhedos, elaborado com uvas cultivadas em Encruzilhada do Sul , na Serra do Sudeste e trata-se de um dos melhores  custo/benefício, em termos de vinho nacional, pela sua alta qualidade e preço acessível. Desde a sua primeira safra, o Barbera da Angheben faz sucesso entre enófilos e especialistas brasileiros, mas  devido a sua baixa produção, ainda é pouco conhecida do grande público.

Também em solo gaúcho, a vinícola Perini, começou a produzir recentemente, um Barbera com uvas cultivadas no Vale Trentino, no município de Farroupilha na Serra Gaúcha, apesar de já ter ouvido e lido alguns elogios a seu respeito, eu ainda não o havia provado, até  e realização desta degustação. É  bem possível que este Barbera da Perini, num futuro breve, venha a ser mais conhecido pelo consumidor brasileiro, pois sua produção é maior e está a venda numa grande rede de supermercados, além de lojas especializadas 

Há pouco tempo fiquei sabendo da existência de um terceiro Barbera brasileiro, trata-se do Pireneus Bandeiras Barbera, produzido pela vinícola  Pireneus Vinhos e Vinhedos da região dos Cerrados no Centro-Oeste do país,   também considerado Barbera, porém  elaborado com 85% desta casta e segundo alguns experts, trata-se de um grande vinho, mas também de baixa produção e pouca divulgação.

A degustação contou com a participação dos seguintes vinhos :  Barberas D’Alba Fratello Dogliani  2011 e  Collina San Ponzio 2012, o  Barbera D’Asti Icardi 2011 e os Barberas nacionais Angheben 2012 e Perini 2013.

barbera

Ao final da degustação, computadas as notas dos onze degustadores,  a classificação dos vinho, ficou sendo a seguinte:

1º lugar  – Perini Barbera 2013-   67,5 pontos                                        

2ºlugar – Angheben Barbera 2012- 67,0 pontos

3ºlugar – Fratello Dogliani Barbera D’Alba 2011- 59 pontos

4ºlugar – Collina San Ponzio Barbera D’Alba 2012-57 pontos 

5ºlugar – Icardi Barbera D’Asti 2011- 23 pontos

Cabe ressalvar que o Icardi Barbera D’Asti  teve o seu julgamento prejudicado, pois apresentava sinais  claros de decomposição, por possíveis problemas de armazenamento, transporte inadequado ou ainda alguma outra situação que veio a alterar as suas caraterísticas originais, não se admite que um vinho, com apenas 4 anos de idade, produzido por uma vinícola conceituada, esteja praticamente morto.

Obs.: o sexto vinho que vocês estão vendo na foto abaixo, trata-se de um dos cinco que colocamos repetido, numa das técnicas que utilizamos, para  avaliar o grau de conhecimento dos confrades.

ascegas1

O Barbera da Angheben eu até esperava que pudesse competir em igualdade de condições, pois conheço muito bem a sua qualidade, mas a vitória do Perini foi realmente a surpresa positiva do evento. Além disso foi o vinho mais barato da competição e pode ser encontrado facilmente em alguns supermercados da rede Zaffari, onde eu comprei esta garrafa, por R$34,90. Aliás os dois vinhos gaúchos, eram os de menor preço, pelo Angheben paguei R$59,90. Já os Barberas D’Alba estavam na faixa dos R$80,00 e o vinho mais caro foi o Icardi Barbera D’Asti que custou R$102,00.

amesa

A primeira conclusão desta degustação as cegas do Clube do Tinto, é que o Brasil agora conta com dois ótimos Barberas a  disposição do consumidor brasileiro e a segunda é que mais uma vez os vinhos nacionais, quando livres do preconceito e da influência dos rótulos,  sempre conseguem bons resultados em degustações as cegas, diante  de vinhos tradicionais e de reconhecida qualidade.

5 comments for “Barberas Nacionais, Superam Italianos em Degustação as Cegas.

  1. Jobson
    28/09/2015 at 18:25

    O que significa que vocês deram uma nota maior para esses dois vinhos? Não significa que eles sejam melhores, e sim porque vocês gostaram mais deles. E o que significa vocês gostarem mais deles? Significa que vocês gostam de vinhos chaptalizados e cheios de sulfito (me refiro ao Perini, já que o Angheben eu não conheço…)

  2. 28/09/2015 at 22:10

    Prezado Jobson
    Estamos plenamente de acordo com as sua colocações. Estes vinhos foram considerados os melhores, apenas e tão somente para as pessoas que participaram desta degustação e mesmo assim não houve unanimidade. Quanto a gostar de vinhos “chaptalizados e cheio de sulfitos”, felizmente vamos ter que continuar degustando, até aprender a identificar estes tipos de vinhos.
    Agradecemos pelo seu comentário, toda a crítica construtiva sempre será bem-vinda !
    Cordialmente
    Paulo Umpierre

  3. Jobson
    28/09/2015 at 22:55

    É só reconhecer a dor de cabeça que o Perini causa no dia seguinte. É tão bom quanto Chapinha pra causar ressaca. E basta uma taça, igual ao Chapinha.

  4. 11/04/2016 at 11:30

    Bom dia!

    Paulo, seu texto me animou a levar esse Perini Barbera pra casa numa de minhas próximas visitas ao supermercado.

    O contraponto não muito elegante do Jobson só aumenta minha curiosidade, principalmente porque esse Perini sai com o rótulo de “seco fino” que é imposto por nossa legislação. Isso me deixa encucado com a ideia de que o vinho seja chaptalizado.

    Enfim, devo provar em breve.

    Nota: dessa seleção de vocês conheço o Fratelli Dogliani, que a meu ver foi correto, não espetacular e nem ruim.

  5. 28/04/2016 at 11:09

    Olá Edward
    Primeiramente quero me desculpar por estar respondendo o seu comentário, somente agora, normalmente sou avisado por e-mail de qualquer comentário no meu blog, mas desta vez, ou não avisaram, ou eu me passei.
    Quanto as opiniões sobre vinhos, eu entendo que é algo muito pessoal, os gostos e paladares diferem de pessoa para pessoa, muitos se alinharão ao meu estilo de vinho, outros discordarão totalmente.
    Quanto ao fato mencionado pelo Jobson, sobre o Barbera da Perini, é bom que se diga que a legislação brasileira permite a utilização da chaptalização, mas eu sou totalmente contra.
    Por fim afirmo que nenhuma das pessoas que degustaram este vinho, tiveram dor de cabeça o que pode ser um sinal que ou vinho não foi chaptalizado ou dependendo do grau de chaptalização, não causa este tipo de efeito colateral citado pelo nosso amigo.
    Agradeço pelo seu comentário, e convido o amigo para visitar a página do blog do Umpierre no Facebook, no twiter @Paulo Umpierre e no meu canal do Youtube( Dicas de Vinho do Umpierre), onde faço degustações comentadas e dou dicas de vinhos.
    Com certeza em breve farei uma visita ao seu blog.
    Grande abraço
    Paulo Umpierre

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *