O MITO

Segundo o dicionário, Mito é uma ficção, um ser sobrenatural, um herói, uma figura cuja existência não pode ser comprovada e domina o imaginário coletivo.

Infelizmente no Brasil, o significado da palavra, acabou sendo vulgarizada ao ser empregada para exaltar personalidades de caráter duvidoso que proliferam nas redes virtuais e reais do nosso país.

Felizmente o assunto deste post não é para falar destas figuras exóticas, mas sim sobre a degustação histórica de um vinho, este sim considerado um Mito no mais puro e fiel significado da palavra.

Antes porém, quero fazer uma ressalva, para que não pensem que sou mais um dos tantos enochatos, bebedores de rótulos que infestam a nossa vinosfera.

Comecei tomando vinhos de garrafão, feitos na colônia e ainda hoje, bebo vinhos simples, especialmente os produzidos no Brasil, por outro lado, graças ao meu trabalho de divulgação, tive a oportunidade de degustar, quase todos os ícones das principais regiões do mundo.  

Na minha opinião e de muita gente, existem dois grandes vinhos que são considerados verdadeiros mitos da enologia mundial,  um deles é o Romanée Conti, o ícone da Borgonha, o outro, é o Chateau Petrus, considerado o rei do Pomerol em Bordeaux.

Nunca criei muitas expectativas em degustá-los, especialmente pelos seus preços exorbitantes e pela dificuldade de serem encontrados no mercado.

Ocorre que por obra do acaso, no último sábado, surgiu a oportunidade de participar de um almoço harmonizado, realizado pela Vinho e Arte, da enóloga Maria Amelia Duarte Flores, no fantástico restaurante Le Bateau Ivre em Porto Alegre, com diversos vinhos do Velho Mundo, onde a grande estrela era um Chateau Petrus 2007.

A sequência de vinhos, começou com o belo Rosé Ott  Chateau de Selle Cotes de Provence Cru Classé 2017, depois foi servido o branco Langenberg La Longue Colline, Cru D’Alsace 2016, um biodinâmico maravilhoso, do renomado produtor Marcel Deiss, a seguir foi a vez do tradicional Champagne Veuve Clicquot Rosé e do Pouilly-Fuissé 2009, La Chapelle de Guinchay do produtor Abel Pinchard, que encerrou a parte de brancos e rosés.

A parte final do evento, iniciou com o excelente Borgonha,Chambolle-Musigny-Les Charmes- Premier Cru safra 2000, produzido pelo Domaine des Chezeaux e na sequência o Grand Cru Classé, Chateau Lynch Bages 2007, dois vinhos diferentes, com capacidade para agradar os paladares mais exigentes.

Porém  a grande expectativa e ansiedade dos participantes do evento, era o momento de provar a grande jóia do Pomerol.

Vocês devem estar curiosos, para saber a minha opinião sobre a degustação deste grande vinho, então lá vai.

O CHATEAU PETRUS é um vinho perfeito, aos 12 anos de idade, está apenas entrando na adolescência, o conjunto cor,aroma, sabor, álcool, acidez, madeira e persistência, formaram uma verdadeira obra de arte, com toda certeza é um vinho que vai ultrapassar os 50 anos com muita saúde.

Seu preço extratosférico e a pequena produção anual, o torna um vinho raro e inacessível à grande maioria do mortais, um verdadeiro MITO ! 

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