O MILAGRE DE PODAR E COLHER NO MESMO DIA

No último final de semana, estivemos visitando a região vitivinícola do Vale do São Francisco, para conhecer o milagre que viabilizou o cultivo de uvas viníferas e a produção de vinhos no semi árido do sertão nordestino.

A trajetória da vitivinicultura nesta região, começou na década de 60, com a produção de vinhos base para vermutes e uvas de mesa, e até mesmo para vinagre, porém, foi a partir dos anos 80, com a implantação de vinhedos de vitis vinífera, trazidas da Europa que surgiram os primeiros vinhos finos.

No início dos anos 2000, com a chegada do grupo Global Wines da região do Dão em Portugal e da gaúcha Miolo Wine Group, o Vale do São Francisco que já contava com pequenas vinícolas, se consolida como uma das grandes produtoras de vinhos e espumantes do mercado brasileiro.

Mas os grandes responsáveis pela transformação desta paisagem, antes árida e seca, imprópria para qualquer tipo de cultivo, foi a união do sol, da água e do homem.

O sol, sempre contribuiu com a sua presença na região durante 300 dias por ano, a água sempre esteve presente e o homem, completou o triângulo ao descobrir a forma de conduzi-la até o solo, para torná-lo fértil.

Porém foi o aperfeiçoamento e a modernização da técnica de irrigação, com a implantação do sistema por aspersão/gotejamento que possibilitou a criação do cenário ideal, para alavancar a expansão da vitivinicultura da região.

Este é a único lugar no planeta, com duas safras por ano, onde todos os ciclos da videira,  podem ser feitos no mesmo dia.

Não por acaso, escolhemos as duas maiores vinícolas do Vale, para conhecer. A primeira foi a Rio Sol, no município de Lagoa Grande, Pernambuco que pertence ao grupo Global Wines, no dia seguinte, foi a vez da Miolo Terranova, em Casa Nova no estado da Bahia, do grupo Miolo Wine Group.

Na Rio Sol que serviu de cenário, para as gravações da minissérie da rede Globo, Amores Roubados de 2014, fomos conhecer os vinhedos e as instalações da vinícola, guiados com muita competência e conhecimento, pela Ana Paula, uma das profissionais da empresa, no  final fomos levados até o varejo, para degustar alguns rótulos dos seus vinhos e espumantes, cuja principal caraterística é o frescor e a leveza, pois foram elaborados para ser consumidos ainda jovens, até dois anos no máximo.

Na Miolo Terranova, fomos recepcionados por Adriano Miolo, superintendente do grupo e por todo o corpo técnico da vinícola. De imediato fomos conhecer, como funciona o seu processo de irrigação, que conta com 2 km de tubulação subterrânea, instalada entre o rio São Francisco e a casa de bombas da vinícola, onde a água é tratada, filtrada e distribuída entre as diversas parcelas de vinhedos, de acordo com a estratégia definida pela empresa.

Na sequência visitamos os vinhedos em vários estágios, dormência, poda seca, brotação,floração,maturação e colheita.

E para encerrar, participamos de um churrasco de fogo de chão, com carne de gado e bode, as sombras do bosque de Oliveiras, acompanhado de vários rótulos de espumantes, vinhos brancos, rosés e tintos, produzidos pela vinícola, com direito a música ao vivo e muita alegria.

Foi uma das visitas mais proveitosas, dentre todas as que já foram feitas e um dos maiores aprendizados, isso sem falar nas diversas atrações gastronômicas e o belo roteiro de enoturismo.

Neste oásis em meio a caatinga e a seca do Sertão, o homem brinca de Deus, com a permissão de São Francisco!

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