OS DIFERENTES ESTILOS DO DON MELCHOR AO LONGO DE TRÊS DÉCADAS

Na última segunda-feira, dia 06 de agosto, eu tive o prazer e o privilégio de participar de uma degustação vertical,com dez safras do vinho chileno Don Melchor, considerado em alguns anos,  o melhor Cabernet Sauvignon do mundo.

A degustação foi realizada na loja Vinho e Arte,do Hotel Plaza São Rafael, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Entre os vinhos degustados, havia um exemplar da primeira safra(1987) e outro da safra mais recente(2015).  

Inicialmente degustamos os vinhos mais antigos: 1987, 1989, 1990, 1993 e 1995.

Na sequência,degustamos os vinhos das safras 1998, 2005, 2009, 2014 e 2015.

Os vinhos pertenciam a coleção pessoal da enóloga e empresária gaúcha, Maria Amélia Duarte Flores, proprietária da Vinho e Arte que também coordenou o evento.

Foi muito gratificante degustar de uma só vez, dez safras deste ícone da América do Sul e  analisar as suas diferentes propostas ao longo de três décadas.

Fiquei encantado com o vinho da primeira safra(1987), onde ficou evidente o estilo Velho Mundo. Apresentou aromas discretos e agradáveis, boa estrutura e elegância,apesar dos seus 31 anos de idade, mantinha boa acidez e final persistente, seu teor alcoólico era de 12.5%.

Dos mais modernos, gostei muito das safras 2005 e 2009, porém são vinhos mais potentes, com taninos adocicados,madeira mais presente,menor acidez e maior teor alcoólico, bem ao estilo Novo Mundo.

Estilos e paladares a parte, o mais importante é que o Don Melchor é um vinho reconhecido em todo o mundo, pela sua qualidade excepcional.

Seu Vinho Suas Regras

Já está no ar desde o primeiro dia de agosto, a nova campanha do Ibravin, para incentivar o consumo do vinho brasileiro e tentar mudar o conceito, de que vinho é uma bebida elitista e cheia de rituais.

A mensagem direcionada especialmente à um público jovem, mais descolado e menos preocupado com tradições, é que cada um deve beber o seu vinho de acordo com as suas regras.

As peças publicitárias estão propondo dar um novo significado aos 4 pilares do consumo tradicional do vinho:
harmonização, conservação, temperatura e experiência.

Diferentemente de Portugal, França, Itália, Espanha, Argentina, Chile e outros países, o Brasil não tem em seu DNA a cultura do vinho, mas aos poucos vamos procurando encontrar o melhor caminho, para chegar mais próximo destas referências.

O vinho brasileiro de qualidade, ainda é um adolescente, se comparado com países do Velho Mundo, mas por tudo que venho acompanhando ao longo dos últimos 20 anos,  é possível notar que terá um belo futuro, porém é preciso ter consciência que o caminho é longo e o resultado é demorado.

Um Presente de Grego

Depois de alguns anos sem degustar vinhos da Grécia, eis que surge na minha taça, direto das montanhas de Aegialia,na região de Peloponeso,o Tetramythos Roditis 2015,para alegrar um sábado chuvoso na Capital Gaúcha. 

Elaborado com a  uva autóctone Roditis de videiras não irrigadas, com idade entre 19 e 35 anos, cultivadas numa altitude entre 650 a 1050 metros acima do nível do mar, em solo a base de pedra calcária e clima mediterrâneo moderado, com utilização de 80% de leveduras selvagens, sem passagem por barricas de carvalho.

Ao contrário do famoso Cavalo de Tróia, de dentro da garrafa deste Tetramythos, saiu um belo vinho, de coloração amarelo e tons esverdeados, revelando aromas de média intensidade, lembrando flores de frutas cítricas e notas minerais. Na boca é delicioso, leve e fresco, de boa acidez e final cítrico, ótimo para acompanhar pratos à base de frutos do mar, saladas e alguns tipos de petiscos.

Esta garrafa foi comprada no Armazém dos Importados, em Porto Alegre, por R$105,00.

Projeto Winemaker – Um Vinho Pra Chamar de Seu

Quase dois anos depois de ter participado do Projeto Winemaker da Miolo, é chegado o  tão esperado dia de conferir o resultado final.

O objetivo deste belo programa, é proporcionar aos participantes, a possibilidade de realizar o sonho de fazer um vinho para chamar de seu, sem precisar ter vinhedo,vinícola ou conhecimento técnico.

Para viabilizar esta experiência única, a Miolo Group desenvolveu uma programação  em quatro módulos,  colocando a disposição dos inscritos, toda sua estrutura de produção e escolheu os seus melhores profissionais, para ministrar aulas práticas e teóricas.

A primeira etapa teve início em agosto de 2016, com a realização da poda seca das videiras em seu período de dormência.

Na etapa seguinte,em novembro do mesmo ano, foi realizada a poda verde e noções sobre técnicas de laboratório.

Em março de 2017 a Vindima, um dos módulos mais importantes do ciclo do vinho. Realização da colheita, recepção das uvas na vinícola, seleção dos cachos e o início da vinificação.

E a última etapa do projeto,em junho de 2017, foi a definição do corte, a escolha do tipo de barricas e o tempo de maturação do vinho. Nesta mesma data, os 3 tipos de varietais selecionados para criar o Vinho Winemaker safra 2017, foram juntos para as barricas, onde ficaram até meados de julho de 2018, quando então começou o processo de engarrafamento e rotulagem.

O blend do vinho foi composto por 60% de uvas Merlot do Lote 43, 20% de Cabernet Sauvignon, do vinhedo São Gabriel e 20% de Merlot do vinhedo Winemaker, envelheceu 11 meses em barricas francesas de segundo uso e o teor alcoólico ficou em 13.5%.

O vinho Winemaker 2017, recebeu o selo da D.O. Vale dos Vinhedos, a primeira e única Denominação de Origem do Brasil. 

A 5ª edição do Winemaker Vinho Tinto, contou com a participação de 20 pessoas de 6 estados.

Além do curso, a programação incluiu transfer de ida e volta ao aeroporto Salgado Filho,  hospedagem no Hotel SPA do Vinho, almoços e jantares em restaurantes de destaques da Serra Gaúcha, degustações e visitas a outros produtores, visita à uma fábrica de barricas de carvalho e 10 caixas(60 garrafas) do vinho elaborado durante o processo, com rótulo exclusivo de cada participante, entregue no endereço indicado, sem custo de frete.

No total foram 10 dias, com três módulos de 3 dias e um de 4 dias.  

O valor total desta edição do Projeto Winemaker, foi de R$15.900,00 parcelado em 12 meses. 

No próximo dia 14 de agosto, todos aqueles que acompanham o nosso blog, estão convidados a participar do lançamento do meu vinho Winemaker, denominado Gran Canário, em homenagem à família Umpierre, originária das Ilhas Canárias.       

O Preço dos Vinhos no Duty Free de Lisboa

No retorno da nossa viagem, eu não poderia deixar de visitar a seção de vinhos do Duty Free do aeroporto de Lisboa, para dar uma olhada nas ofertas e novidades e quem sabe, comprar alguma coisa para levar. Aproveitei para bater algumas fotos de vinhos, mais conhecidos dos brasileiros, com seus respectivos preços,para que os nossos leitores tenham uma ideia dos valores praticados por aqui.

Apesar da supervalorização do Euro, em relação ao Real, creio que continua valendo a pena comprar alguns vinhos de alta gama, pois mesmo que as diferenças já não sejam tão grandes, como antes, ainda estão mais baratos que no Brasil.