CONTRABANDO É CRIME E QUEM COMPRA É CÚMPLICE

Na última quarta-feira, dia 29, a Polícia Federal divulgou a apreensão de mil caixas de vinhos,aproximadamente, em estabelecimentos comerciais e residenciais nos municípios de Santa Rosa e Porto Mauá no Rio Grande do Sul, por não possuir comprovação regular de sua importação.

A operação Baco que teve início em abril deste ano, já identificou o ingresso de vinhos e espumantes contrabandeados, principalmente pela fronteira do Brasil com a Argentina.

Todos sabem que contrabando é crime, mas este crime só existe, porque existe o comprador. Quem compra qualquer produto, oriundo desta prática ilegal, não paga os impostos que teoricamente serviria para investimentos em saúde, educação e segurança, além disso, contribui para o aumento do desemprego, pois os empresários legalizados que pagam altos tributos, para desenvolver as suas atividades, muitas vezes acabam reduzindo ou até mesmo fechando os seus negócios, diante da total impossibilidade de concorrer com os preços deste comércio ilícito.  

Certa vez numa roda de enófilos, um “cidadão” culto de classe média alta, se vangloriava de ter um “contrabandista de confiança” que entregava na porta de sua casa, os rótulos mais famosos do mundo, ignorando ou pouco se importando que estava sendo cúmplice de um crime.

Assim como este exemplo que citei, há um grande contingente de pessoas que compram vinhos contrabandeados, para servir aos ilustres convidados de suas festas e comemorações.

Muitos destes “respeitáveis cidadãos”, reclamam da corrupção desenfreada, em seus discursos inflamados, pedem dura punição para os corruptos. Depois, investidos na condição de donos da moral e dos bons costumes, em paz com as suas consciências, brindam com suas lindas famílias, com Champagnes, comprados do “amigo” contrabandista.

CAMPANHA GAÚCHA SURPREENDE E ENCANTA TURISTAS DO CENTRO DO PAÍS

No último final de semana, enófilos de seis importantes cidades brasileiras, participaram de um tour pela Campanha Gaúcha, para conhecer in loco, uma das regiões que mais tem se destacado no cenário vitivinícola do país nos últimos anos e que começa a despertar também para o enoturismo. 

Na primeira parada, o grupo foi recebido pela família Mercio, proprietária da histórica Estância Paraízo de Bagé, com um autêntico churrasco gaúcho,saboreado sob as sombras das árvores, bem ao estilo campeiro, acompanhado pelos maravilhosos Cabernet Sauvignon, Don Thomas y Victória, safras 2011 e 2012. Além destes, também foram provados, o espumante Don Thomaz y Victória Brut método Champenoise e o DON, um Cabernet Sauvignon, com menos extração de taninos,ótimo para tomar quase gelado.

A Estância Paraízo, possui uma história muito rica, foi fundada há 229 anos e sempre pertenceu a mesma família que veio da Ilha de São Jorge nos Açores, inicialmente para Colonia do Sacramento no Uruguai e posteriormente para a região da Campanha, onde hoje é o distrito de Joca Tavares. Sua principal atividade é a agropecuária, porém a partir do ano 2000, começou a implantação de vinhedos, para fornecer uvas à vinícola Salton. Em 2011 começa a produzir  seus próprios vinhos. No total são 5 hectares cultivados, 3 de Cabernet Sauvignon e 2 hectares da primeira Shiraz, registrada no Ministério da Agricultura. A Estância Paraizo também faz parte do projeto de Indicação de Procedência da Campanha, liderado pela Embrapa, cujo objetivo é estabelecer uma indicação geográfica para os vinhos finos da Região da Campanha.

A Capela de São Jorge, na foto, foi construída em 1916, pelos 3 filhos do Coronel Thomaz Mercio, para abrigar os restos mortais do pai.

Vale a pena ouvir a história completa, contada pelo atual proprietário, Thomaz Alves Pereira Mercio, pertencente a nona geração da família e atual proprietário da Estância Paraízo! 

O próximo destino,  foi a Miolo Seival Estates, no município de Candiota, uma das gigantes da região, com quase 200 hectares de vinhedos,onde são produzidos anualmente mais de 1 milhão e 500 mil garrafas, entre vinhos tintos, brancos e espumantes, desde rótulos da linha de entrada,passando pelos reservas, até os vinhos de maior complexidade, onde se destaca a linha Miolo Quinta do Seival Cabernet Sauvignon, Castas Portuguesas e Alvarinho, Touriga Nacional  e Pinot Noir da linha Single Vineyard e o grande Sesmarias, considerado um Super Premium, elaborado somente em safras excepcionais.

A programação começou, quando a tarde já se preparava para sair de cena e a noite chegava de mansinho, para assumir seu posto, o sol ainda emitia os seus últimos raios, sobre os vinhedos, colorindo de dourado, as vinhas, os campos e os bosques no seu entorno. Na carroceria de dois tratores, o grupo circulou entre as videiras de Tannat, Petit Verdot, Tempranillo, Cabernet Sauvignon e outras tantas castas, cultivadas naquela imensidão de terras.

De volta a vinícola, uma recepção maravilhosa organizado pela Thaís e sua equipe, esperava os 18 felizardos, no espaço do varejo, onde foram degustados alguns vinhos já disponíveis no mercado e outros ainda em processo de maturação nas barricas, como foi o caso do espetacular Sesmarias 2018, um vinho que deverá fazer um enorme sucesso quando for lançado.

A noite, todos ficaram hospedados no hotel Obino, em Bagé.

No dia seguinte, depois de uma hora de viagem, o grupo chegou na Guatambu Estância do Vinho, sediada no município de Dom Pedrito.

Poucas vinícolas brasileiras tem estrutura semelhante, seus vinhos e espumantes, são de alta qualidade, o prédio da vinícola em estilo espanhol, é um primor,a paisagem campeira é um retrato da região, a equipe é muito capacitada e o atendimento, impecável. Tudo na Guatambu é pensado e planejado nos mínimos detalhes. Depois da visita pelas instalações da vinícola, guiada pela Engenheira Agronoma Gabriela Pötter, responsável pela ideia do novo negócio da família, o grupo participou de um almoço harmonizado, com cortes nobres de gado e cordeiro da propriedade, assados na parrilla, acompanhados dos vinhos de alta gama da vinícola, servidos a vontade para as mais de 100 pessoas, vindas de várias cidades que lotavam o amplo salão do restaurante. 

A família Herman Pötter, proprietária do empreendimento, conseguiu a proeza de unir, profissionalismo,alta capacidade de gestão aos fortes valores familiares.

A Guatambu é um verdadeiro case de sucesso que está alavancando o enoturismo na região da Campanha Gaúcha.

Quase ao final da tarde de sábado, o grupo chegou em Santana do Livramento que faz fronteira com a cidade de Rivera no Uruguai, para a última visita do tour, na vinícola Almadén, a maior da região, também propriedade da Miolo.

Quem achou que a Miolo Seival era grande, levou um susto com o tamanho da Almadén, com seus mais de 500 hectares de vinhedos.

Após a calorosa recepção do Fabrício e sua equipe, o grupo embarcou num ônibus da vinícola e foi percorrer um pedaço daquele mar de vinhedos, com direito a realizar alguns minutos de poda seca e degustar espumantes, apreciando o por do sol de um lado e a chegada da lua de outro, tendo ao fundo, o emblemático Cerro do Chapéu.

Com a noite já instalada na fronteira, era hora de conhecer a estrutura gigantesca da cantina, onde são vinificadas anualmente, milhares de toneladas de uvas.

Na sequência, um cenário com direito a lua cheia nos jardins, serviu de local para os brindes com espumantes e salgadinhos.

E o tour foi encerrado, com um magnífico jantar no restaurante da vinícola, onde foram servidos pratos típicos da região: Espinhaço de cordeiro, carreteiro de charque e uma feijoada campeira, acompanhados do maravilhoso Almadén Tannat Vinhas Velhas 2015.

O tour foi um grande sucesso e a Campanha Gaúcha surpreendeu e encantou a todos, com suas lindas paisagens, sua natureza exuberante, seus vinhos de alta qualidade,uma história riquíssima e seu povo hospitaleiro.

Com certeza em pouco tempo será mais um grande polo do enoturísmo brasileiro!  

UM DOS MELHORES VINHOS PRODUZIDOS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 20 ANOS

No último sábado, tive o prazer e o privilégio de participar de uma degustação vertical,das sete safras (2000, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009) de um dos grandes vinhos nacionais, produzidos nas últimas duas décadas.

Estou falando do Merlot Biografia, elaborado pela Maximo Boschi do Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha, que tem como grande diferencial, o seu envelhecimento, durante 10 anos nas caves da vinícola, antes de ser comercializado, ou seja, ele já chega ao mercado pronto para ser consumido, ao contrário da grande maioria dos vinhos de guarda, produzidos no mundo, que depois de comprados, ainda precisam ficar envelhecendo por um longo tempo.

Foi uma experiência incrível, degustar ao mesmo tempo, sete vinhos brasileiros, com tamanha  qualidade, cada com as suas peculiaridades, mostrando a verdadeira expressão de cada safra.

Fiquei muito feliz em constatar a vitalidade e a saúde de um vinho nacional, prestes a completar 20 anos de idade.

Não vou comentar, sobre cada um dos vinhos provados, para não estender este post, mas resumindo, apenas digo que são vinhos elegantes, estruturados, macios, equilibrados e de longa persistência,  elaborados seguindo o estilo Velho Mundo, bem diferentes de chilenos, argentinos, americanos, etc…

A partir da edição 2007, passou a se chamar  Maximo Boschi Biografia Merlot(tem também um Cabernet Sauvignon), sua produção é limitada e todas as garrafas são numeradas, nas 3 primeiras safras(2000, 2004 e 2005) foram elaborados com uvas da Serra Gaúcha, da safra 2006 em diante, passou a ser produzido, com uvas cultivadas no município de Bagé na região da Campanha.

A degustação foi realizada pela confraria Clube do Tinto de Porto Alegre, fundada há 14 anos e teve a presença de Renato Antonio Savaris, um dos proprietários da Maximo Boschi que conduziu a degustação e contou um pouco da história da vinícola.

A partir de hoje, não aceito mais críticas sobre a qualidade dos vinhos brasileiros, vindas de quem nunca tomou um Maximo Boschi Biografia.

UM TINTO ITALIANO DA SERRA CATARINENSE

Desconhecida da grande maioria dos brasileiros, a casta italiana Refosco dal Peduncolo Rosso, cultivadas numa altitude média de 1.280 metros, na Serra Catarinense, deu origem à mais um grande vinho nacional.

Pois este varietal que leva a mesma denominação da uva, é um tinto de grande qualidade, da safra 2017, foi produzido pela bela vinícola catarinense, Leone di Venezia, localizada no município de São Joaquim, fundada por um neto de imigrante italiano que estudou enologia na Itália, surgindo dai a inspiração para o nome da vinícola e por fazer vinhos com uvas daquele país. 

Na análise visual, o vinho apresentou uma coloração rubi violáceo, brilhante e intransponível, aromas intensos de frutas vermelhas maduras, café, tostado de barrica e notas de especiarias, na boca mostrou muita potência, taninos marcantes e ótima acidez, no retrogosto confirmou os aromas e o final é de grande persistência. Maturou 18 meses em barricas de carvalho e o teor alcoólico  de 14,6%, é resultado de uvas, colhidas super maduras.

Realmente um grande vinho que me fez lembrar de alguns ótimos tintos italianos que provei.

Como dizemos aqui no Sul, “um baita vinho!”

BAR DE VINHOS EM FLORIPA

Durante o pequeno tour que fizemos pela Ilha de Florianópolis, na última semana, fomos conhecer o The Wine Pub, um bar de vinhos que funciona há dois anos, no Largo Benjamin Constant, no centro histórico da Capital Catarinense.

A direita de quem entra no salão, estão instaladas as seis máquinas WineStation, com capacidade para quatro garrafas cada, totalizando 24 rótulos de vinhos brancos, rosés e tintos, das principais regiões produtoras do mundo, inclusive do Brasil.

Na entrada o cliente recebe um cartão chipado, com limite de 300 reais recarregáveis e uma taça, a partir dai basta se dirigir às estações, escolher o vinho que deseja provar, introduzir o cartão no compartimento no lado esquerdo superior  da máquina, posicionar a taça embaixo da torneira, selecionar a dose desejada, entre 50, 75 e 150 ml e apertar o botão, imediatamente a sua taça estará servida, depois disso, é só repetir quantas vezes  o seu fígado e o seu bolso suportarem.

Os preços variam de acordo com o vinho e a dose escolhida, no dia em que lá estivemos, havia vinhos a partir de R$8,00, a dose de 50ml. Para alguns vinhos mais caros, existem doses de 30ml.

Também existe a possibilidade de pedir vinhos ou espumantes em garrafa e várias opções de entradas, com tábua de queijos variados, Bruschettas, frios e pratos mais elaborados, como o maravilhoso ragú de cordeiro que comemos.

A decoração do ambiente é simples e despojada, o clima é  alegre e descontraído, o atendimento é rápido e cordial e o proprietário simpático e sempre atento, circula com frequência entre as mesas.

Recomendamos o The Wine Pub a todos que visitarem a bela e encantadora, Floripa!

Com certeza voltaremos!!!