A verdade sobre os vinhos autênticos da Borgonha

Durante os nove dias em que circulamos pela Borgonha, no início deste mês de agosto, um dos fatos que mais me chamou a atenção, foi a visível preocupação de alguns produtores tradicionais, com as mudanças que estão ocorrendo na produção de vinhos da região. 

De acordo com estes mesmos produtores, a substituição da tradição, pela modernização  é uma triste  e irreversível realidade que já chegou a Borgonha, um dos últimos redutos mundiais que ainda não havia se rendido a esta tendência mundial avassaladora, fruto de uma demanda gigantesca, por vinhos  fáceis  de beber e  de consumo rápido.

Para piorar ainda mais a situação, numa das Apelações (AOC) que visitamos,  uma pesquisa feita, para saber a intenção dos filhos em dar continuidade  no trabalho dos pais, mostrou resultados  desanimadores, apenas dez por cento, responderam afirmativamente, a grande maioria respondeu que deseja seguir outros caminhos.

Os que decidiram assumir os negócios da família,  por conta de uma visão  mais globalizada, sobre o mundo dos negócios e desapegados da tradição, fruto de longos anos de estudos em grandes centros, acabaram por implantar uma política de standartização dos seus vinhos, como forma de obter lucro imediato e outros não resistiram a tentação das propostas milionárias dos grandes grupos nacionais e internacionais e optaram por vender as suas propriedades.

Assim,  a vida vai ficando cada vez mais difícil, para o  pequeno produtor que ainda  continua  elaborando vinhos autênticos.

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Diante deste cenário, não restam muitas alternativas para estes verdadeiros heróis da resistência: ou continuam nadando contra a corrente, na luta pela manutenção da tradição, até onde conseguirem suportar,  deixam os seus ideais para trás e assumem a modernidade,  correndo o  risco de uma depressão, ou então vendem as suas terras e vão viver  das lembranças do passado, gozando uma aposentadoria confortável.

O certo é que os vinhos autênticos da Borgonha, estão desaparecendo  e a tendência é que se tornem, cada vez mais difíceis e raros de encontrar.

 

De Enófilo para Enófilo

Diferentemente de outras publicações, os comentários sobre o mundo dos vinhos que postamos neste blog, são totalmente independentes e representam apenas e unicamente a nossa opinião .

Não somos profissionais, mas possuímos muita experiência no assunto, fruto dos longos anos de convivência neste universo,  no entanto queremos deixar bem claro que este blog não é uma ferramenta de marketing,  é apenas um instrumento de divulgação de  enófilo para enófilo.

Não temos nenhum patrocínio, ou qualquer  tipo de contrato comercial, seja com vinícolas, distribuidores, lojas de vinhos, importadores, associações, instituições ou algum outro negócio, ligado ao vinho.

Todos os vinhos que degustamos, restaurantes que almoçamos ou jantamos, hotéis que nos hospedamos, viagens que fazemos, são pagos com recursos próprios, não aceitamos sob hipótese alguma, trocar a nossa independência, por benefícios de qualquer ordem, até mesmo porque não precisamos disso.

Nossas fontes de receitas, não são originárias de nenhum segmento relacionado ao  vinho, gastronomia ou turismo.

Portanto os nossos leitores, podem ter  a certeza que  as  opiniões, indicações ou manifestações aqui publicadas, poderão não ser as melhores ou  as mais técnicas, mas  sem dúvidas, representam o reflexo mais puro e cristalino do nosso pensamento.  

 

Bourgogne les Bons Bâtons 2005

Mesmo sendo o vinho de entrada do produtor Philippe Lecrerc, eu posso garantir que este vinho não fica devendo nada, para muitos Villages ou até mesmo para alguns 1er crus.

Apesar dos seus 10 anos de idade, ainda é uma criança que  vai dar muitas alegrias aos enófilos que tiverem o privilégio de degustá-lo nos próximos anos!

Borgonha les batons

Pois eu tive o imenso prazer de provar este Bourgogne, há poucos dias atrás em visita a sede da vinícola,  localizada em Gevrey-Chambertin  e fiquei encantado com tamanha potência, elegância, acidez e persistência! Seu aroma, tal qual um peça teatral ou um show musical, começa discreto no inicio e aos poucos vai se revelando e conquistando os degustadores, no final leva a plateia ao delírio.

Comprei 2 garrafas ao preço de 16 euros( em torno de 60 reais), para trazer ao Brasil e ontem a noite, abri a primeira garrafa para acompanhar o jantar.

A ótima impressão que eu havia tido lá na vinícola, foi superada com sobras, o vinho é um verdadeiro show ! 

Agora me resta apenas uma garrafa deste vinho maravilhoso e o arrependimento de  ter comprado, apenas  duas.

Sassicaia 2008 – Forte candidato ao Oscar de melhor vinho já degustado

A primeira  vez que ouvi falar no Sassicaia, foi num diálogo dos personagens do filme Sidewais, em 2005,  o melhor  que assisti até hoje, relacionado ao assunto vinho.

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Lembro de  um dos personagens, ter falado que foi um Sassicaia 1998,  o  responsável por ele ter se atirado de cabeça no mundo do vinho, e estou falando  aqui de um filme americano que se passa no Napa Valey, a meca do vinho daquele país  e o Sassicaia é  italiano.

Gostei tanto do filme que quando  saiu em DVD, comprei para revê-lo de tempos em tempos, desde então  o  Sassicaia, nunca mais saiu da minha lembrança.

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Na época  eu não tinha a menor ideia da grandeza deste vinho, mas a medida que eu fui me aprofundando neste universo enológico, fiquei sabendo que o Sassicaia era considerado um dos grandes vinhos, não só na Itália onde é produzido, mas em todo o mundo.

Sempre tive  curiosidade e vontade de provar este vinho que é quase uma unanimidade mundial, tanto da crítica especializada, como dos seus felizes consumidores, mas o seu preço em nosso pais,  é inacessível, para a grande maioria dos enófilos brasileiros.

Mas eis que em 2011, quando fiz uma viagem a Itália, ao entrar numa pequena enoteca em Montalcino, me vi frente a frente com uma garrafa do grande Sassicaia safra 2008, uma das melhores deste novo século, mas segundo indicações, só estaria no ponto ideal para ser  degustado, em 2015.

O preço era cinco vezes menor que no Brasil,  mesmo assim ainda continuava muito caro para  meu bolso, mas no final, toda aquela vontade reprimida aflorou diante daquele vinho que há muitos anos era objeto do meu desejo e eu acabei cometendo a loucura de comprar uma garrafa para trazer no retorno da viagem.

Durante  este tempo todo, a garrafa do Sassicaia, ficou descansando na minha adega, enquanto evoluía e ganhava condições de ser degustado.

Há uns dias atrás, quando me dei conta que o vinho já havia atingido o tempo mínimo recomendado, para  ser aberto, decidi que havia chegado o momento.

Hoje em nosso tradicional almoço dominical,  o grande  protagonista foi o Sassicaia 2008, forte candidato ao Oscar de melhor vinho que degustamos nos últimos tempos.

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O Sassicaia é realmente um vinho espetacular! É tudo aquilo que eu ouvi falar dele nestes anos todos e mais um pouco.

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Não vou estragar este momento, com nenhum tipo de análise do vinho, nem tentar descrever as sensações que sentimos, ao beber este Sassicaia 2008,  apenas vou dizer que é daquelas raridades que fazem parte da categoria dos vinhos emocionantes.

Blog do Umpierre a Caminho da Borgonha

Na próxima segunda-feira, estaremos embarcando, com destino a Borgonha, levando na mala uma imensa expectativa, em  conhecer a magia deste  lugar , onde o vinho é produzido há séculos e principalmente, aprender tudo que o tempo permitir, sobre as suas célebres “denominações”, suas regiões demarcadas, chamadas “climats” e os seus vinhos de estilo inimitável e personalidade diversas que há poucos dias foram declarados Patrimônio Mundial, pela UNESCO. 

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A nossa base será a cidade de Beaune, de onde partiremos diariamente, para as visitas que faremos a alguns produtores autênticos da região, para conhecer um pouco das suas histórias, dos seus métodos de cultivo e vinificação, e obviamente, degustar os seus vinhos.

Serão  oito dias de uma intensa agenda enogastrônomica, que prevê visitas à dez vinícolas,  degustações, almoços em vilarejos, piquenique em meio a vinhedos, jantares harmonizados, além de passeios aos principais pontos turísticos e históricos da região !

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Nossa temporada na Borgonha, terá o acompanhamento personalizado  de Jean Claude e Lígia, da Consultoria Relações Brasil/Bourgogne, especializada em enoturismo na região.

Não tenho dúvidas que retornaremos da Borgonha, com um belo excesso de bagagem, mas felizmente não haverá sobretaxas  e nem o risco de ser barrado na Alfândega, pois não estipularam limite para  a importação de conhecimento,possivelmente porque ainda não encontraram uma maneira de  inspecionar o nosso intelecto .