A inacreditável história dos Brunellos de Bagé !

Na ultima quarta-feira fui até o Supermercado Nacional (Walmart) de Bagé-RS, comprar um vinho para presentear um amigo e acabei me deparando com um dos fatos mais inusitados e inacreditáveis que já presenciei, durante todos estes anos em que me tornei um consumidor habitual de vinhos. 

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Ao chegar no corredor dos vinhos, fiquei curioso ao avistar na prateleira, algumas garrafas de Brunellos Di Montalcino, pois não é muito comum encontrar um vinho desta grandeza, no supermercado de uma pequena cidade do interior, mas a grande surpresa aconteceu ao me aproximar dos vinhos, não conseguia acreditar no valor que eu estava vendo impresso na etiqueta abaixo das garrafas.    photo1 (3) (480x640)

Minha primeira reação foi pegar o celular e fotografar, para fazer uma brincadeira com os amigos,  pois imaginei tratar-se de um equívoco, em nenhum momento achei que aquele preço fosse real. Imagine só um Brunello Di Montalcino vendido no Brasil, por apenas 80 reais( 34 dólares) !  

Mas depois de refeito da surpresa, passei a considerar a possibilidade do valor estar correto,  tratei de verificar a etiqueta detalhadamente e em princípio, não encontrei nada errado,  então achei que poderia ser alguma ação de marketing, visando neutralizar a proximidade com o free shop de Aceguá, pensei na hipótese de se tratar de algum lote encalhado e confesso que também imaginei coisas piores. 

Mesmo desconfiado daquela estranha situação, decidi que não deveria perder a oportunidade inédita de comprar Brunellos, a preços inferiores aos praticados nos free shop,   e  foi assim que comprei a única caixa do Brunello Di Montalcino Collina dei Lecci 2007 que havia na loja, segundo informações da atendente.

Incrédulo e satisfeito com tamanha barbada, coloquei os vinhos no carrinho e me dirigi ao caixa,  não sem imaginar que na hora de fazer o pagamento o erro finalmente seria detectado, mas para minha sorte o preço era  os 80 reais que constava na etiqueta.

O mais inacreditável desta história dos Brunellos de Bagé, é que um dos propósitos da minha viagem à Campanha Gaúcha, era  exatamente comprar vinhos no free shop !

 

 

O segredo e a magia do vinho da Bruxa

Um ilustre  desconhecido do grande público consumidor e até mesmo de muitos enofilos engajados, se destaca  no meio da multidão por se tratar de um vinho nacional  comprovadamente orgânico e o único que eu conheço que  ostenta no rótulo, o selo de garantia de  PRODUTO ORGÂNICO BRASIL , emitido pela SisOrg- Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica,  válido para qualquer produto orgânico comercializado no Brasil, inclusive produto importado.

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 Há três anos atrás, quando provei o Hex Von Wein  pela primeira vez, fiquei encantado com o seu estilo elegante   e com o seu baixo preço, lembro de ter comprado  várias garrafas e nas diferentes oportunidades em que o degustei, ele sempre correspondeu as expectativas. 

No inicio deste mês numa degustação as cegas, que relatei no post anterior, o Hex Von Wein voltou a confirmar que é um belo vinho, continua mantendo o mesmo padrão , a mesma qualidade e por incrível que pareça, continua custando os mesmos 30 reais .

 O Hex Von Wein é produzido artesanalmente  pela pequena vinícola que leva o mesmo nome do vinho, localizada em Picada Café, próxima a Nova Petrópolis na Serra Gaúcha, sua produção é limitada a pouquíssimas garrafas em cada safra.

O seu grande defeito é a dificuldade de encontrá-lo, pois não está a venda nas lojas especializadas !

Vinho nacional de 26 reais é primeiro lugar em degustação as cegas

Na noite do último sábado,  a Confraria Clube do Tinto de Porto Alegre, que vai completar 10 anos no próximo ano, realizou uma degustação as cegas, com  vinhos de pequenos produtores e garagistas do Brasil, Chile, Argentina e Uruguai.

Um grupo formado por 10 enófilos, degustaram seis vinhos tintos varietais,  das uvas Cabernet Sauvignon(Brasil), Cabernet Franc(Argentina), Tannat(Uruguai), Teróldego(Brasil), Syrah(Chile) e Merlot(Brasil). No final, cada degustador fez o seu ranking e a soma das melhores colocações , serviu para a elaboração de um ranking geral.  É bom que se diga que não foi utilizado nenhum critério técnico de avaliação, apenas a  experiência, sensibilidade e a percepção, olfativa e gustativa dos participantes.

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O Valmarino Merlot 2013, com a sua imbatível combinação  qualidade e preço baixo, foi o primeiro colocado no ranking geral,   considerado o melhor  da noite, por 7 dos 10 degustadores, o que para mim não foi nenhuma surpresa, pois já conhecia o seu potencial e sempre achei que  numa degustação as cegas,  poderia superar vinhos mais caros e  complexos.

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O segundo colocado, foi o ótimo Miras Cabernet Franc  2010 da Patagônia, um vinho com muita qualidade e  complexidade. 

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O vinho que obteve a terceira colocação, foi talvez a mais agradável surpresa, por se tratar de um vinho desconhecido da grande maioria do público consumidor. O Hex Von Wein(Vinho da Bruxa) Cabernet Sauvignon 2011 de Picada Café, é o único vinho nacional que eu conheço que traz estampado no rótulo o selo de Produto Orgânico do Brasil . Ficou a frente de 3 vinhos de maior preço e foi o segundo mais barato da degustação.

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Abaixo, segue a descrição completa dos vinhos degustados e o ranking geral :

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– Bruta Bestia Teróldego 2013 – Arte da Vinha – Garibaldi-RS-Brasil- R$ 35,00 – 5º lugar

– Hex Von Wein- Cabernet Sauvignon 2011- Picada Café-RS-Brasil-R$  30,50 – 3º lugar

– Valmarino Merlot 2013- Pinto Bandeira-RS- Brasil- R$  26,00 – 1º lugar

– Miras Cabernet Franc 2010-Patagônia- Argentina-R$  89,00 – 2º lugar

– Emoción Syrah 2008- Starry Night-Vale do Maipo- Chile- R$  69,00 – 6º lugar

– De Lucca Reserve Tannat 2011- Canelones-Uruguai- R$  49,41 – 4º  lugar

   

Uma delícia de Tannat argentino

Depois de todos esses anos, em que transito pelos diversos caminhos do universo vinicola, venho humildemente confessar que eu nunca soube da existência de um Tannat argentino, mas para o meu espanto ele existe, e o melhor de tudo é que se trata de um senhor Tannat,  surpreendentemente delicioso, com estilo diferente dos uruguaios e nacionais.

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Eu que não sou um grande apreciador de vinhos chilenos e argentinos, fiquei encantado com este belo vinho, chamado Amauta Absoluto 2012, 100% Tannat, produzido  pela Bodega El Porvenir, localizada no Valle de Cafayate, numa altitude de  1.750 metros, acima do nível do mar, em Salta na Argentina.

O Amauta na cultura original da região de Cafayate, era um grande mestre, um homem sábio. Respeitado por seu conhecimento em assuntos relacionados ao homem, a natureza e o universo, era quem  ensinava a viver.

Numa breve descrição sobre  este belo vinho, o que eu posso dizer é que na taça apresenta um violáceo intransponível, aromas doces e muito intensos de frutas negras  maduras, lembra geléia, na boca é denso, possui taninos macios e um toque adocicado que é quebrado, por uma bela acidez, o final é bem persistente. Quem não sabe, não diz que tem 14.5% de teor alcóolico.

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Pois foi este vinho que encontrei por puro acaso, numa tarde chuvosa do inverno de Porto Alegre, dedicada a prospecção de novidades para beber e compartilhar com aqueles que me honram com a leitura dos comentários deste enófilo e blogueiro 100% amador !

Comprar vinhos nos free shop é confiável?

Conversando com alguns amigos que moram fora do RS, descobri um tanto surpreso que  eles não compram vinhos nas lojas dos free shop que fazem fronteira  com o Brasil, pois acreditam que são todos “made in China”.

O risco da falsificação sempre vai existir, não somente nos free shop, mas em quase todos os lugares do mundo, basta lembrar  do recente escândalo  dos Brunellos descoberto na Itália, mas isso não impediu que continuássemos comprando brunellos pelo mundo afora.

O que se sabe, é que fazer compras nas Zonas Livre do Paraguay realmente não é muito confiável, pois lá existe  uma cultura de produtos falsificados, porém nas lojas do Uruguay, nunca  ouvimos falar, principalmente no caso dos vinhos, mas pelo visto os meus amigos acham que são todos iguais. 

O que eu posso dizer aos meus leitores, é que há muitos anos  eu compro vinhos nos free shop das cidades uruguaias de Rivera, Rio Branco, Chuy e Aceguá, e nunca notei nenhuma diferença dos vinhos, comprados nas lojas do Brasil e de alguns países que visitei, além do mais conheço gente com muita experiência e até mesmo profissionais do ramo que não abrem mão de viajar até a fronteira, para abastecer as suas adegas. Creio que se houvesse alguma desconfiança não viajariam 500 km, para comprar vinhos de procedência duvidosa.

O que pode acontecer nas pequenas lojas é a falta de um local apropriado para guardar os vinhos, mas isso dificilmente vai acontecer nas lojas maiores, tipo a Siñeriz de Rivera e outras que possuem  excelentes estruturas, para o armazenamento e comercialização de grande variedade de vinhos, das principais regiões vinícolas do mundo.

Outra situação que já vi acontecer é  abrir alguma garrafa para beber e o vinho estar estragado, mas isso também acontece eventualmente com os vinhos que trazemos da Europa e até mesmo comprada no Brasil. Recentemente um amigo me relatou, sobre um episódio semelhante com uma garrafa de Vega Sicília que trouxe da Espanha.

Não vejo motivos para se ter medo de comprar vinhos nos free shop das cidades uruguaias que fazem fronteira com o Brasil,  apenas sugiro que tenham o cuidado de procurar lojas conceituadas, com estrutura apropriada para esta finalidade.

Da minha parte , sempre que possível seguirei comprando vinhos nestes lugares, pois é a única alternativa que existe, de beber os grandes vinhos do mundo, pagando um terço do preço que é vendido aqui no Brasil.