Não confunda Crus du Beaujolais com Beaujolais.

Está enganado quem acha que todos os vinhos denominados Beaujolais, produzidos com a uva Gamay, são vinhos leves, frescos e frutados que ficam prontos para consumo, aproximadamente  de 2  a 3 meses após a colheita e devem ser bebidos em até 6 meses da sua fabricação.

Existe ao norte de Beaujolais, 10 áreas distintas denominadas de Beaujolais Cru, onde são produzidos  vinhos mais estruturados, de ótima qualidade que são considerados os melhores da região e ao contrário da grande maioria dos Beaujolais, possuem grande potencial de guarda que pode variar de 6 a 15 anos, ou mais, dependendo  do estilo e da sub região.

Como os vinhos de Beaujolais Cru são de estilos diferentes e de uma maior qualidade, alguns produtores evitam referências explícitas ao título genérico, preferindo utilizar apenas, o nome de um cru particular.

Em 2012  eu bebi o  Bouchard  Père & Fils Moulin-À-Vent 2010,(um dos que não utilizam o nome Beaujolais) e me tornei fã destes vinhos, pois me lembra muito de um bom Pinot Noir.

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De lá para cá tenho comprado estes vinhos com alguma frequência, recentemente  provei dois  ótimos Crus du Beaujolais do produtor Henry Fessy, o Fleurie  2010 e o Moulin-À-Vent 2010, este último, considerado o mais notável dos 10 crus du Beaujolais, onde o solo  rico em granito rosa e manganês, contribui na produção de vinhos com sabores intensos e concentrados.

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Portanto não confunda Crus du Beaujolais, com Beaujolais,  pois são vinhos bem distintos, cuja única semelhança é que são produzidos com a uva Gamay . 

 

Uma raridade da Patagônia !

É com imensa satisfação que hoje eu escrevo, sobre um vinho raro da Patagônia Argentina, uma verdadeira obra de arte da enologia, cuja produção se limitou a apenas 600 garrafas ! Eu estou falando do Miras Pinot Noir 2005, produzido pelo enólogo Marcelo Miras.

Escrever sobre um grande vinho é uma forma de redobrar o prazer que senti quando da sua degustação, talvez tenha sido esta a minha principal motivação para criar este blog.

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Miras conseguiu fazer um Pinot Noir, diferente de todos os que eu já tomei até hoje e não tenho dúvidas que  é um dos melhores ! 

Completando 10 anos de idade neste 2015 , acredito que o vinho está no seu melhor momento ! A sua coloração apresenta tons escuros, mesclados com cores  já puxando para o alaranjado,  seus aromas são intensos e complexos,  as frutas vermelhas maduras se confundem com baunilha e especiarias, na boca é um vinho potente, porém  extremamente equilibrado, o carvalho (estagiou 36 meses) francês e americano,está muito bem integrado , na mais perfeita harmonia, a acidez é uma maravilha  e o final  é de grande persistência. O teor alcóolico é de 14% . 

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A rolha deste vinho é uma das maiores que eu já vi até hoje, me pareceu até maior que a dos Premier Grand Cru Classe e de outros grandes vinhos, o seu rótulo, mesmo que eu não entenda nada de artes, achei lindíssimo ! 

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Com certeza não é um vinho barato, mas dificilmente  encontraremos raridades a preço baixo! Outro grande problema, é que não será nada fácil encontrar, ao menos mais uma garrafa!

 

As cegas eu diria que era um Pinot da Borgonha !

Quando eu bebo um varietal de Pinot Noir, independentemente da região em que foi produzido, fico tentando encontrar alguma semelhança com os Pinots da Borgonha, pois para mim, estes são sem a menor dúvida, os melhores do mundo .

Embora existam bons Pinots em outras partes do mundo, alguns  inclusive muito parecidos na cor e no aroma, na boca são completamente diferentes dos Borgonhas e  não é segredo para ninguém que a parte gustativa é a mais importante, para definição de um vinho.

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Mas eis que hoje, neste segundo domingo de 2015, eu fui surpreendido por um Pinot Noir da Nova Zelândia,  o Sanctuary 2011, produzido na Região de Marlborough que me lembrou muito de um verdadeiro Borgonha, em todas as suas caraterísticas, talvez a sua acidez fique um pouquinho abaixo, mas no conjunto da obra era muito semelhante.

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As cegas, eu diria que era um Pinot Noir da Borgonha !

Espumantes brasileiros para não sentir saudade dos importados

Este  não é mais um post, para alardear sobre a qualidade dos espumantes nacionais, pois isto o Brasil inteiro e uma boa parte do mundo já está sabendo.

O ultimo post de 2014 deste blog, será sobre alguns dos muitos espumantes brasileiros especiais que com certeza, não  deixarão  saudade dos estrangeiros.

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– LH Zanini Extra-Brut

– Máximo Boschi Speciale- Extra-Brut

-Valmarino e Churchill Extra Brut

-Cave Geisse Blanc de Noir-Brut

-Estrelas do Brasil Brut Champenoise

-D.Giovanni Brut Ouro

-Dona Bita Champenoise

-Valduga 60 meses

Como eu falei no inicio, estes são apenas alguns dos considerados espumantes brasileiros extra classe, mas existe uma relação maior de rótulos dentro da mesma categoria.

Desejo a  todos os leitores que prestigiaram este blog ao longo  de 2014, que tenham um 2015, muito acima das suas expectativas, em todas as áreas das suas vidas.

Feliz 2015 ! 

Nova degustação as cegas, mostra o que muitos já sabem !

Desde que a  mais famosa degustação as cegas realizada em Paris, surpreendeu o mundo em 1976, a grande maioria das provas de vinhos realizadas no mesmo formato, continuam apresentando resultados inesperados e aplicando lições de humildade nos grandes experts no assunto .

Na mais recente degustação as cegas  que participei, realizada no final de outubro, pelo Clube do Tinto, cujo tema foi: descobrindo as diferenças e semelhanças, entre os vinhos da Serra Gaúcha e os vinhos de Bordeaux, pelo menos para mim não teve nenhuma surpresa, o resultado apenas mostrou o que muita gente já sabe.

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Os vinhos gaúchos que participaram da prova foram os seguintes:

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Valmarino Reserva da Familia 2008- Pinto Bandeira- 79,00

Dall’Agnol Superiore 2008- Faria Lemos- 105,00

Máximo Boschi Merlot 2005- Vale dos Vinhedos-62,00

Os vinhos de Bordeaux, foram os seguintes:

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Chateau Mancèdre Cuvée du Roy 2005- Pessac Léognan- 107,40

Chapelle Saint-Martin 2009- Puisseguin Saint-Emilion-58,50

Chateau Luc de Beaumon 2009- Blaye Côtes de Bordeaux-59,33 

O ranking final ficou assim:

1º lugar- Maximo Boschi Merlot 2005

2º lugar- Dall’Agnol Superiore 2008

 3º lugar- Chateau Luc de Beaumon 2009

4º lugar-Valmarino Reserva da Familia 2008

5º lugar-Chateau Mancèdre Cuvée du Roy 2005

6º lugar- Chapelle Saint-Martin 2009

 O objetivo desta degustação não  foi de forma nenhuma, provar que os vinhos nacionais são melhores, mas apenas mostrar  que o Brasil já está produzindo vinhos de muito bom nível e que em alguns casos, são iguais ou superiores a muitos vinhos importados.