Atenção consumidores de vinhos, Cuidado! Não é bem assim como está sendo divulgado

A propósito de uma recente publicação, sobre o ranking dos 100 melhores vinhos do mundo, da Associação Mundial de Escritores e Jornalistas sobre Vinhos e Destilados,  é preciso esclarecer que nesta lista, estão apenas os  que participaram e receberam premiações, nos mais de 70 concursos realizados em várias partes do mundo, muitos até podem ser ótimos vinhos,  mas isso não quer dizer que sejam os melhores do mundo.

É preciso informar ao grande público, com a mesma ênfase e formato que a  maioria dos produtores em todo o mundo, inclusive  brasileiros, (eu conheço muitos) não participam de nenhum tipo de concurso,  por  entender que estes eventos são puramente promocionais. Entendo que a bem da verdade, é preciso alertar o consumidor, sobre como funciona este tipo de ranking, para que na hora em que ele for escolher um vinho, não  venha a ser induzido a comprar  um produto iludido por publicações não muito claras .

Eu sou um entusiasta do vinho nacional e como consumidor assíduo, sei que o Brasil está produzindo, uma grande diversidade de vinhos de ótima qualidade e a cada dia surge um novo produto na mesma linha. O vinho nacional já assumiu um espaço razoável neste universo vínico e não tenho dúvidas que este espaço será cada vez maior com o passar do tempo.

 Por tudo isso é que tenho  sérias dúvidas sobre este tipo de lista, assim como também, não compro vinhos apenas porque é bem pontuado pelos experts, pois sei que existem muitos interesses comerciais por trás destas avaliações. Alguns já entendem que  estas divulgações são ótimas para promover e consolidar o vinho nacional em todo o mundo, eu porém acredito que pode ser um tiro no pé. Fico imaginado que pessoas menos esclarecidas ao provarem os nossos vinhos da lista dos considerados melhores do mundo, possam deduzir que todos os demais  são inferiores, pois nem ao menos aparecem  no tal ranking, quando sabemos  que isso não é verdade. Também imagino ainda, algum turista  em visita ao Brasil, bebendo um destes vinhos nacionais ranqueados, acabar levando para o seu país de origem uma  impressão distorcida dos nossos vinhos. 

Não quero com isso demonstrar que sou o dono da verdade, cada um tem as suas convicções, as suas opiniões e eu respeito todas, apenas não poderia deixar de registrar as minhas, além de alertar e esclarecer aos meus leitores, sobre como funcionam estas publicações! 

Vega Sicília “Unico”, Oremus Tokaji Eszencia e o strogonoff do Maxim’s-Uma noite para ficar na história

Na noite da última quarta-feira, eu tive a sorte e o privilégio de  degustar dois dos maiores vinhos já produzidos em todo o mundo, considerados ícones da enologia deste planeta.

Este verdadeiro sonho de consumo de qualquer enófilo que se preze,  materializou-se durante um jantar exclusivo, oferecido por um dos amigos que  o mundo dos vinhos me apresentou . 

O primeiro grande vinho da noite, dispensa apresentações, qualquer comentário que eu fizer sobre o Vega Sicília  “Unico” safra 2000, não conseguirá traduzir toda a  sua grandeza e o quanto ele contribuiu para  o encanto da magnífica confraternização, mas o que eu posso falar sem medo de errar, é que foi um dos melhores tintos que eu já degustei em todos os tempos.

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 Após o show de abertura do Vega Sicília, ao longo da noite foram servidos mais três belos vinhos (um Sul africano e dois nacionais), para acompanhar o excepcional strogonoff  de cordeiro, receita do restaurante Maxim’s de Paris, e os assuntos que se tornavam mais animados a medida em que  passavam as horas.

O  encerramento da noite,  foi digno de   um daqueles finais de espetáculo, em que a platéia  aplaude de pé, faz reverência e fica pedindo bis ao grande artista que se retira do palco. Foi exatamente isto que deu vontade de fazer quando acabamos de degustar o último vinho da noite, o excepcional Oremus Tokaji Eszencia 2000, também conhecido, como o vinho dos reis, ou o rei dos vinhos!

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Só quem conhece  e  já provou deste vinho vai entender o que eu estou falando!  O mínimo que eu posso dizer, é que é de se beber rezando !

Esta noite foi com certeza,  um dos grande momentos que vivenciei por conta da magia que só o mundo dos vinhos  é capaz de nos proporcionar. Entrou com honras, para a galeria das minhas melhores emoções !

Uma das mais importantes vinícolas da Itália, produz vinho inédito no Brasil .

Uma feliz coincidência do destino,  acabou me proporcionando a oportunidade de  conhecer  as instalações, os vinhedos e principalmente a história da vinícola italiana, que   acaba de lançar um vinho produzido em solo brasileiro.

Durante um tour de vinhos pela Itália em maio de 2011, visitamos a Azienda Masi Agrícola, uma das maiores produtoras de Amarone do mundo, mas em nenhum momento da visita as pessoas com quem tivemos contato, deixaram escapar  o segredo da inédita  parceria que havia firmado em 2007, com a gaúcha Vallontano, para elaborar um vinho que expressasse o terroir brasileiro a partir da centenária técnica vêneta .   

É possível que a Bandeira do Brasil tremulando no alto do mastro na entrada da vinícola, em homenagem a chegada de visitantes brasileiros, também tenha sido uma alusão aos laços que naquela altura já havia unido as empresas dos 2 países.

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Só  fomos ficar sabendo deste projeto, alguns meses depois de ter retornado ao Brasil. Quase não acreditei quando foi divulgado na mídia a notícia que  uma equipe técnica da Masi   e  o enólogo/proprietário da Vallontado, já estavam trabalhando há mais de 3 anos, na produção deste vinho.

Na sequência  deste post, segue um resumo da visita  que fizemos à Masi e  como surgiu a ideia de produzir o vinho brasileiro: 

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A  Azienda Masi Agrícola é considerada uma das maiores e mais tradicionais vinícolas italianas, seus vinhedos existem há seis gerações, o controle societário é estritamente familiar, mas  possui elevado grau de profissionalismo e gestão de uma organização internacional. Seu presidente é Sandro Boscaini e a diretoria é formada pelos seus filhos Alessandra e  Rafaelle e o irmão Bruno, diretor técnico-industrial. 

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A Organização possuí seis áreas de negócios, subordinadas a um Conselho de Administração. Além de Valpolicella, também possuem vinhedos na Argentina na Região de Tupungato em Mendoza, na Toscana  e no Vêneto em parceria com o Conde Serego Alighieri, único descendente  vivo de Dante Alighieri.

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Através de sua equipe técnica a Masi é pioneira em experimentos que utilizam variedades Veronesas secundárias(Oseleta, Dindarella, Croatina Negrara e Forselina), com as principais variedades( Corvina, Rondinella e Molinara). Além disso, estudos aprofundados sobre o apassiamento(secagem)das uvas levou a um novo estilo de Amarone que se transformou em grande sucesso.

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Criou o primeiro vinhedo experimental, para comparação de variedades e clones de uvas nativas do Vêneto, onde foram plantadas 48 variedades diferentes e clones replicados em um número de plantas para permitir microvinificações necessárias. Também foi criada uma cantina experimental, dotada de uma infraestrutura de vanguarda, para vinificação e maturação destas uvas. Todo o projeto e a estrutura tecnológica, conta com a colaboração do departamento de viticultura e enologia da Universidade de Milão e foram reconhecidos pelo MURST, Ministério da Educação Universidade e Pesquisa.

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Também foi criado pela Masi em suas caves subterrâneas de Gargagnano , um sistema inovador de apassimento denominado NASA, Natural Appassimento Super Assistido, com o objetivo de conseguir, auxiliada pela tecnologia, uma secagem ideal das uvas sem o desenvolvimento de fungos, recriando internamente as condições climáticas das melhores safras do passado. Este sistema controla as variáveis ( temperatura, umidade, ventilação, variação de peso) de modo que possam alcançar os parâmetros das grandes safras. A configuração atual foi calculada com base em uma média ponderada das safras dos anos de 1988, 1990, 1991 e 1995.

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O apassimento das uvas é um método tradicional utilizado na região do Vêneto, para concentrar armas e sabores ao vinho. As uvas repousam, por um período de três a quatros meses em esteiras de bambú dentro da Cantina, perdendo entre 35 a 40% de seu peso antes da primeira vinificação. A Masi é a maior especialista neste processo de produção no século XXI.

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A Masi também é artíficie da evolução da técnica do “ripasso”, também conhecida como “dupla fermentação”. Nos anos 80, produz o “moderno” Campofiorin: um vinho tinto de uvas autóctones de Verona, refermentado com uma pequena porcentagem de uvas semi appassitadas, e não utilizadas para o Amarone. Este método tem a grande vantagem de dar aos vinhos, aromas e sabores mais intensos, provenientes de uvas supermaduras, ao invés do mais tânico bagaço residual de  Amarone que era usado no modelo antigo.

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A ideia de produzir um vinho  brasileiro no estilo vêneto, numa região com grande população de descendentes Vênetos, começou a partir do sonho de  um destes descendentes, D.Ivo Pasa, administrador do Hospital Sacro Cuore di Negrar , em Verona,  que   se torna amigo de Sandro Boscaini, presidente da Masi e passa a incentivar o grande produtor a transformar o seu sonho em realidade.

Em 2006, convencido pelo argumentos de D.Ivo,  Sandro Boscaini decide realizar o projeto  e inicia  a busca por parceiros para a sua implementação . Em 2007 e depois de vários contatos e pesquisas, escolhe a Vinícola Vallontano do Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves-RS, liderada pelo seu enólogo e proprietário Luiz Henrique Zanini,  para em conjunto com a equipe técnica da Masi dar inicio ao ambicioso projeto .

Depois de quase 10 anos, muitos testes e grandes expectativas,  o sonho acaba se materializando com o lançamento neste mês de junho do Oriundi  safra 2011 , uma combinação de uvas Tannat 70%, Teroldego 15% , Ancelotta 5%  e  10% de vinhas típicas do Vêneto

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 Os comentários sobre a degustação do Oriundi 2011, serão publicado  em outro post, mas posso adiantar que se trata de um grande vinho !

Uma preciosidade da histórica safra 2005 ! Simplesmente o Maximo !

Acaba de ser lançado no mercado, o único vinho nacional feito exclusivamente para ser um vinho de guarda. Após quase 10 anos evoluindo nas caves, o excelente Maximo Boschi  Merlot  da histórica safra 2005,  já chega pronto para ser degustado e para fazer história no cenário vitivinícola do Brasil.  

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A grande estratégia da vinícola  Maximo Boschi, é elaborar um vinho diferenciado, de alta qualidade e pequena produção, feito somente em safras especiais,  para ser lançado  depois de vários anos de evolução, seguindo conceitos semelhantes aos famosos vinhos europeus,  e cobrar por este produto premium,  um preço competitivo. 

Nestes 14 anos de existência da vinícola, o Maximo Boschi Merlot  foi produzido em apenas três safras  2000, 2004 e o 2005 que está chegando ao mercado agora.

Os vinhos da  Maximo Boschi, caíram no gosto dos cariocas e de turistas que visitam o Rio de Janeiro, para onde é vendida metade da sua produção e estão nas cartas dos três restaurantes do famoso Chef francês Claude Troisgros e  Fasano, mas também estão fazendo sucesso em São Paulo e Brasília, mas por incrível que pareça, ainda é pouco conhecido do público gaúcho, que responde apenas por 5% das vendas.

Degustar este vinho foi  muito prazeroso, já fiquei seduzido ao sentir seus aromas intensos e complexos que me lembravam especialmente,  frutas vermelhas maduras,  na boca confirmou toda a expectativa, saboroso, elegante, taninos macios, acidez perfeita e retrogosto de grande persistência. Seu teor alcóolico é de 13% . 

Eu  que já havia degustado e gostado muito do safra 2004,  fiquei encantando com este 2005!  Superou as minhas expectativas mais otimistas. Tenho certeza que vai agradar em cheio, principalmente aos  adeptos dos vinhos tradicionais  produzidos no Velho Mundo !

Uma produção artesanal limitadíssima de 2.500 garrafas numeradas deste grande Merlot,  já está sendo distribuída entre os principais mercados do país.

Algo me diz que este vinho vai esgotar rapidamente, por isso já tratei de comprar algumas garrafas para guardar e ir bebendo de tempos em tempos.

Em Porto Alegre, o Maximo Boschi Merlot 2005  está sendo vendido na Loja Vinhos e Sabores ao preço de 62 reais, bem inferior aos outros grandes vinhos nacionais . 

“Prá quem chega de Rosário ao fim da tarde…”

Vem do município de Rosário do Sul na Campanha gaúcha, um dos melhores Cabernet Sauvignon nacional que eu já degustei até hoje.

O mais novo lançamento  da vinícola Routhier & Darricarrère, é o que se pode chamar de uma obra de arte, pois surgiu a partir da ideia de unir vinho, arte e  literatura.

Inspirado no conto do escritor pelotense João Simões Lopes Neto, sobre uma das mais famosas lendas do Rio Grande Do Sul,  tendo estampada no rótulo,  uma obra do artista plástico Gelson Radaelli, nasceu o excelente Cabernet Sauvignon Salamanca do Jarau 2012,  que me trouxe claramente a lembrança dos elegantes vinhos  de Bordeaux, inclusive nos seus 12.5% de teor alcóolico.

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O vinho foi elaborado apenas com leveduras indígenas (da própria uva) e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho.

Foram produzidas apenas 2000 garrafas e está sendo comercializado a 90 reais, exclusivamente pela loja Sommelier Vinhos , também faz parte da Carta  do restaurante Atelier das Massas(propriedade do autor do rótulo).