Acredite ! Existe um vinho nacional acima de 500 reais.

Com todo o preconceito que existe no Brasil contra o vinho nacional, não creio que seja uma boa política colocar a venda em nosso mercado, um vinho,  cujo preço é um verdadeiro acinte para os padrões da imensa maioria dos consumidores. 

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Não vou entrar no mérito se o vinho vale ou não vale este valor, pois esta é uma questão subjetiva. Muito menos vou fazer comparações de qualquer ordem,  apenas acredito que neste momento, em que produtores e instituições ligadas ao setor, tentam  de várias maneiras,  mudar a cultura dos brasileiros que hoje preferem consumir vinhos importados, por considerar que vinho nacional bom é caro, vender um vinho por mais de 500 reais,  é uma atitude que  vai totalmente contra as campanhas de mostrar ao consumidor que existe sim, vinho nacional de qualidade a preço baixo. 

A não ser que este produtor  esteja  pensando, apenas no seu próprio negócio, na sua própria empresa e no seu próprio vinho e  não está nem um pouco preocupado, com  o contexto.

Os que acompanham as minhas postagens, sabem que além de defensor dos vinhos nacionais, também sou um consumidor assíduo, bem como,  através deste meu blog e no meio social em que convivo,  procuro combater o forte preconceito  que existe contra o nosso vinho.

Nesta condição me sinto muito a vontade para expressar a minha  contrariedade, sobre este fato, que diga-se a bem da verdade não é o único(este  apenas superou  os demais),  cabe ressaltar que  existem muitos outros, cuja faixa de preço é  menor, mas ainda assim, caríssimos.

Esta prática  acaba sendo um forte argumento,  para a grande maioria dos consumidores que vivem alardeando que o vinho nacional de boa qualidade é muito caro.

Repito, não acho que seja uma boa política para o vinho brasileiro, mas enfim,  cada produtor tem todo o direito de colocar o preço que quiser no seu vinho, assim como o consumidor tem o direito de fazer o que quiser com o seu dinheiro, inclusive comprar este vinho.

Eu por exemplo, jamais farei essa loucura.

Paul Mas Grenache Noir 2011- Um ótimo custo/beneficio francês

Quem quiser sair um pouco do circuito Chile, Argentina , Carmenere, Malbec e tomar um belo vinho francês de alta qualidade, sem precisar pagar caro por isso, aqui vai uma dica : Paul Mas Grenache Noir 2011 da região do Languedoc no Sul França. Produzido com 100% da casta Grenache, envelhecido por 10 meses em barricas de carvalho americanas (novas, de 2ª e 3ª passagem) e francesas de 2ª passagem. Seu teor alcóolico é de 13.5%, bem dentro do estilo Velho Mundo.

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De coloração rubi intenso, aromas de bagas vermelhas maduras, violeta, alcatrão e especiarias doces. Na boca  é elegante, aveludado,  possui taninos macios, acidez viva e final persistente.

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O preço fica em torno de 65 reais , em Porto Alegre no Armazém dos Importados e na Loja Decanter. Além de ser uma boa oportunidade de degustar um varietal de Grenache, uma uva pouco conhecida por aqui.

Gewurztraminer – Alsácia x Campanha Gaúcha

No duelo dos Gewurztraminer, o alsaciano Gustave Lorentz me pareceu um vinho melhor acabado e com mais qualidade, mas seu estilo adocicado ,  me fez decidir pelo Luar do Pampa da Campanha Gaúcha que é mais seco  e tem mais frescor.

Outro diferencial que pesou a favor do Gewurztraminer gaúcho, foi o seu preço de 35 reais, contra os 85 reais do vinho produzido na Alsácia. 

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São dois estilos de Gewurztraminer completamente diferentes, o Gustave Lorentz Reserve 2011  é produzido na Alsácia, uma região tradicional, onde  fazem alguns dos melhores vinhos do mundo, com esta uva.

Possui uma coloração amarelo ouro,  no nariz surgem aromas intensos, com predomínios florais, toques de mel e damasco, na boca tem um  sabor que confirma o doce dos aromas, tem ótima textura, acidez perfeita, final longo e seu teor alcóolico é de 13.5% .

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Já o Luar do Pampa  2014 é uma grata surpresa ! Mesmo sendo produzido numa região sem nenhuma tradição no cultivo e vinificação da Gewurztraminer, trata-se de um belo vinho e o seu preço é bem atrativo. De cor amarelo palha, com tons esverdeados, aromas florais intensos  de rosas e jasmim, no fundo da taça aparece um pouco de mel. Na boca é bem seco , possui grande frescor, ótima acidez e o seu final é  de boa persistência. Sua graduação alcóolica é de 12.7% .

Não estou querendo com isso, dizer que o Luar do Pampa é  superior,  apenas estou afirmando que se trata de um vinho, mais afinado com  meu paladar e  com  meu bolso.  

 


Agora eu sei porque Miles detestava o Merlot Californiano

Os vinhos californianos nunca caíram muito no agrado dos consumidores brasileiros, entre os quais eu me incluo. Porém logo depois de ter passado no Brasil o excelente filme Sideways que em meio a trama, aborda com riqueza de detalhes os vinhos e o turismo daquela região, ocorreu por aqui, um aumento considerável na  sua procura, especialmente pelos Pinot Noir. Mas este movimento não durou muito, pois  os preços proibitivos e a pouca oferta no mercado nacional, fizeram com que a situação  voltasse ao normal, em pouco tempo.

Segundo informações o grande motivo, seria que o mercado interno absorve a maior parte da sua produção, como consequência o volume de vinhos para exportação ao resto do mundo é inexpressivo, se comparado com a demais regiões vinícolas tradicionais.

 Pelo menos aqui no Rio Grande do Sul,  poucas  lojas possuem vinhos californianos em suas prateleiras, e esta escassez, eu senti na própria pele, ao tentar comprar alguns, para uma degustação da nossa confraria no ultimo mês de março.

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Depois de vários dias de procura, consegui comprar seis vinhos de 3 produtores diferentes(dois de cada), com preços que variavam , de 74 a 126 reais, ficando na média em 95 reais.

Dois  eram muito ruins(Merlot e Cabernet Franc), dois eram razoáveis(Pinot Noir e Zinfandel) e dois eram bons( Cabernet Sauvignon), mas pelo preço que valem eu não voltaria a comprar nenhum deles. Até mesmo porque, com menos de 95 reais, se consegue vinhos bem melhores, inclusive, vários nacionais. 

Alias, agora entendo porque o personagem Miles, interpretado pelo ótimo Paulo Giamatti, detestava o Merlot Californiano.  

Vale apenas como experiência, para conhecer os vinhos de uma das regiões mais importantes do mundo !

Cabernet Franc Nacional supera Californiano que custa mais que o dobro.

Uma das coisas que mais me encanta no mundo do vinho, é que ele adora  aplicar lições de humildade nos donos na verdade.  Ontem por exemplo, foi a vez de desmentir um argumento que ouço com alguma frequência, de  pessoas que vivem  dizendo que preferem tomar vinhos importados, porque são melhores e mais baratos.

No último final de semana ao degustarmos dois Cabernet Franc, um americano produzido na Appellation de Lodi na Califórnia e outro nacional da região da Campanha Gaúcha, os desmentidos já começaram na hora de comprar os vinhos: pagamos pelo vinho californiano a importância de R$74,10,  enquanto o nacional custou R$35,00, ou seja, menos da metade do preço.

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Até ai tudo bem, pois sabemos que os vinhos médios e bons da Califórnia, não chegam baratos no Brasil, a grande surpresa aconteceu na hora da degustação,  o Ironstone Cabernet Franc 2010, se mostrou um vinho de pouca expressão, no nariz apresentou aromas não muito agradáveis e na boca  nos deparamos com um vinho ralo e de final curto, já o Cabernet Franc 2012 da Peruzzo , deu um show tanto no olfato, quanto no palato. Nos aromas, predominaram as frutas vermelhas maduras e na boca  se revelou um vinho elegante,  intenso, equilibrado de acidez viva e final longo.

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 Não é sem razão que este Cabernet Franc de Bagé, vem sendo elogiado pela crítica nacional, inclusive foi considerado o 4º melhor vinho tinto brasileiro em degustação as cegas realizada em 2014 na  VII Vinum Brasilis de 2014, um dos maiores eventos de vinhos do Brasil.

Parodiando o velho ditado, nada como um vinho depois do outro, para mostrar que no universo da viticultura, não existem verdades definitivas, uma delas é que nem sempre o vinho importado, é melhor e mais barato.