Leitor francês comenta sobre o preconceito contra os vinhos roses

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No dia 01 de março, recebi  o comentário de um leitor francês, a respeito de um post que escrevi no dia 20 de fevereiro último, cujo título se chamava: Chateau De Pourcieux- Um Rose Para Derrubar Preconceitos- se por um lado fiquei muito honrado, ao saber que estou sendo lido no país  que é berço do vinho no mundo,  por outro, fiquei surpreso, pois tudo indica que não devo ter sido bem interpretado, talvez pela diferença na tradução do nosso idioma, ou até mesmo por uma possível falta de talento da minha parte, para traduzir o meu pensamento, a verdade é que o meu ilustre leitor francês, ataca, com uma certa razão, mas com algum exagero,  o preconceito aos vinhos roses, conforme vocês poderão ler abaixo:

” Olá, com todo o respeito que eu tenho  para você, o assunto é justamente que você é vítima do preconceito que rosé não é vinho! E o pior para mim é que você está induzindo uma influença muito nefasta sobre seus leitores. A onde se enfrenta com o poder critivável dos bloggers especializados que impõe uma visão puramente pessoal do seu próprio mundo do vinho.”

Assim como este comentário do leitor, a minha resposta está publicada no espaço do blog, destinado à esta finalidade, porém além disso, também decidi escrever um post sobre este assunto, não apenas para fazer uma mea culpa, mas também para ajudar a combater este preconceito que existe não só no Brasil, mas em várias partes do mundo.

Acho que vale a pena a reflexão,  pois até podemos  não gostar de um determinado tipo de vinho, mas não podemos deixar de beber, apenas por preconceito!  

 

Chateau De Pourcieux-Um Rose Para Derrubar Preconceitos

Nestes quase 20 anos habitando o planeta vinho, devo ter comprado no máximo, umas duas ou três garrafas de vinhos rose, os demais bebi em  eventos e apesar de ter gostado de alguns, nenhum despertou o meu entusiasmo.

Não sei ao certo os  motivos pelos quais nunca me interessei pelos roses, mas desconfio que o principal seja  preconceito. 

Ocorre que na última sexta-feira 13, eu fui surpreendido por um rose simplesmente maravilhoso.  Beber o Chateau De Pourceiux 2013, um legítimo Provence,  foi muito prazeroso e vai fazer eu explorar com mais frequência o universo dos roses.  

 

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Tudo é bom  neste rose, sua bela coloração salmão já seduz ao primeiro olhar, o aroma é um festival de frutas vermelhas, um mix de framboesa, cerejas e morangos, além de um agradável toque floral,  quando o palato entra em contato com o vinho é um show de sensações, desde sabor, frescor,  acidez, até o  final persistente. 

Produzido a partir de um corte de 3 uvas, Cinsault, Syrah e Grenache, não foi por mero acaso que venceu o Top Ten da Expovinis por 5 anos (2007, 2008, 2010,2011 e 2012). Pode ser tomado como aperitivo ou serve também, para acompanhar saladas,  frutos do mar, peixes, frangos grelhados e outros alimentos leves. Seu teor alcóolico é de 13.5% .

Abrir uma garrafa deste Chateau De Pourcieux, para tomar num final de tarde ou inicio de uma noite de verão, após um dia de trabalho cansativo e estressante, é  garantia de  total relaxamento e momentos de muito prazer .

 

Os meus critérios na hora de comprar vinho

Este post pré-carnavalesco é para falar sobre uma das minhas atividades mais prazerosas da atualidade que é comprar vinhos. Faço isso sempre que possível e que o bolso permite.

Depois de tantos anos frequentando inúmeras lojas especializadas, acabei criando instintivamente,  alguns  critérios  que  costumo utilizar, na hora de adquirir uma, ou mais garrafas desta bebida fantástica.

No começo, devido ao pouco conhecimento, fui muito influenciado por diversos fatores externos(vendedores, crítica, mercado, mídia, amigos, etc…) e acabei desenvolvendo uma preferência, por vinhos mais encorpados, com alto teor alcóolico e carvalho acentuado.

Tomei muito vinho(e gostava) australiano, sul-africano, argentino e chileno acima de 15% e não esqueço nunca de um nacional , com inacreditáveis 16.3%. 

Com o passar do tempo o meu paladar foi  mudando e hoje  raramente eu bebo vinhos, com teor alcóolico acima de 14.5%, exceto em ocasiões especiais. Hoje o meu vinho ideal , tem que ter entre 12.5% a 13.5% e corpo médio, onde a fruta e o carvalho estejam bem integrados, em perfeita harmonia com a acidez .

Não é segredo que os meus preferidos são os tintos com potencial de guarda, mas também bebo  tintos jovens, assim como, não deixo de beber brancos e espumantes, principalmente no verão.

Vinhos brancos eu tenho comprado os mais leves, sem passagem por carvalho, pois são mais frutados e refrescantes. Além disso, não é muito fácil encontrar um bom branco envelhecido, a preço acessível. 

Já os espumantes eu prefiro os Brut, Extra-Brut e Nature , com mais estrutura, principalmente os nacionais que são de excelente qualidade.

Também desenvolvi o hábito de  não comprar  o mesmo vinho com frequência, estou sempre procurando por vinhos que eu nunca tomei antes, pois descobri que é uma boa estratégia, para ampliar os meus conhecimentos.

Gosto muito de comprar vinhos de pequenos produtores, que elaboram vinhos diferenciados de estilo único e produção limitada.

 E finalmente, outro quesito de grande relevância que  considero fundamental na hora de comprar um vinho, é o seu custo benefício, dificilmente eu compro um vinho acima de 100 reais , mas isto não  tem sido empecilho, para beber vinhos maravilhosos.

Não confunda Crus du Beaujolais com Beaujolais.

Está enganado quem acha que todos os vinhos denominados Beaujolais, produzidos com a uva Gamay, são vinhos leves, frescos e frutados que ficam prontos para consumo, aproximadamente  de 2  a 3 meses após a colheita e devem ser bebidos em até 6 meses da sua fabricação.

Existe ao norte de Beaujolais, 10 áreas distintas denominadas de Beaujolais Cru, onde são produzidos  vinhos mais estruturados, de ótima qualidade que são considerados os melhores da região e ao contrário da grande maioria dos Beaujolais, possuem grande potencial de guarda que pode variar de 6 a 15 anos, ou mais, dependendo  do estilo e da sub região.

Como os vinhos de Beaujolais Cru são de estilos diferentes e de uma maior qualidade, alguns produtores evitam referências explícitas ao título genérico, preferindo utilizar apenas, o nome de um cru particular.

Em 2012  eu bebi o  Bouchard  Père & Fils Moulin-À-Vent 2010,(um dos que não utilizam o nome Beaujolais) e me tornei fã destes vinhos, pois me lembra muito de um bom Pinot Noir.

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De lá para cá tenho comprado estes vinhos com alguma frequência, recentemente  provei dois  ótimos Crus du Beaujolais do produtor Henry Fessy, o Fleurie  2010 e o Moulin-À-Vent 2010, este último, considerado o mais notável dos 10 crus du Beaujolais, onde o solo  rico em granito rosa e manganês, contribui na produção de vinhos com sabores intensos e concentrados.

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Portanto não confunda Crus du Beaujolais, com Beaujolais,  pois são vinhos bem distintos, cuja única semelhança é que são produzidos com a uva Gamay . 

 

Uma raridade da Patagônia !

É com imensa satisfação que hoje eu escrevo, sobre um vinho raro da Patagônia Argentina, uma verdadeira obra de arte da enologia, cuja produção se limitou a apenas 600 garrafas ! Eu estou falando do Miras Pinot Noir 2005, produzido pelo enólogo Marcelo Miras.

Escrever sobre um grande vinho é uma forma de redobrar o prazer que senti quando da sua degustação, talvez tenha sido esta a minha principal motivação para criar este blog.

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Miras conseguiu fazer um Pinot Noir, diferente de todos os que eu já tomei até hoje e não tenho dúvidas que  é um dos melhores ! 

Completando 10 anos de idade neste 2015 , acredito que o vinho está no seu melhor momento ! A sua coloração apresenta tons escuros, mesclados com cores  já puxando para o alaranjado,  seus aromas são intensos e complexos,  as frutas vermelhas maduras se confundem com baunilha e especiarias, na boca é um vinho potente, porém  extremamente equilibrado, o carvalho (estagiou 36 meses) francês e americano,está muito bem integrado , na mais perfeita harmonia, a acidez é uma maravilha  e o final  é de grande persistência. O teor alcóolico é de 14% . 

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A rolha deste vinho é uma das maiores que eu já vi até hoje, me pareceu até maior que a dos Premier Grand Cru Classe e de outros grandes vinhos, o seu rótulo, mesmo que eu não entenda nada de artes, achei lindíssimo ! 

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Com certeza não é um vinho barato, mas dificilmente  encontraremos raridades a preço baixo! Outro grande problema, é que não será nada fácil encontrar, ao menos mais uma garrafa!