Direto da Geórgia Berço do Vinho Laranja

No post de hoje estou relatando a experiência de degustar um vinho branco produzido na região de Kakheti na Geórgia, leste europeu, onde foi originalmente desenvolvido o método de elaboração do incomum estilo laranja na antiguidade.

Este vinho foi envelhecido em ânforas de barro centenárias, tampadas e seladas com cera de abelha e depois enterradas a 3 metros de profundidade da superfície, durante 9 meses.

O Shabo Orange Wine Rkatsiteli é a própria essência do vinho laranja, elaborado com a uva Rkatsiteli, a casta original utilizada na produção desse vinho.

Seu processo de produção, é semelhante a dos vinhos tintos, onde o mosto fica em contato com as cascas por algum tempo.

No visual mostrou uma linda coloração âmbar, no olfato senti aromas não muito intensos, lembrando mel e toques terrosos, na boca é um vinho cremoso, de acidez média e notas minerais, no retrogosto confirma as notas do aroma, e o final é de média persistência. e o seu teor alcoólico é de 11.5% .

O Shabo Orange 2011, possui características diferentes de tudo que eu já tomei até hoje, mas vale como experiência, para conhecer um vinho elaborado através de métodos ancestrais. 

HISTÓRIAS QUE O VINHO NÃO CONTA

Neste post vocês ficarão conhecendo detalhes importantes dos bastidores da histórica safra 2018,através do depoimento de Miguel Angelo Vicente Almeida,enólogo  responsável pela vindima da Miolo no Seival na região da Campanha.

Se você é daqueles que tem interesse em conhecer as histórias que o vinho não conta,vale muito a pena ler este texto.

“Desde, salvo erro, a vindima de 2010 a casta Sauvignon Blanc transformou-se no meu maior desafio anual com uvas brancas.

A Sauvignon Blanc é uva a branca aromática mais elegante do mundo e também a mais delicada. Ela tem tudo o que um pleno vinho branco necessita, aroma típico em excesso e acidez em desmesura. Mas tudo o que ela poder originar em grau elevado, pode-se esvanecer muito rapidamente.

Na vinha, por exemplo, excesso de vigor e podas extremamente produtivas acarretam características herbáceas fortes e desfolhas severas subtraem tipicidade aromática. Na adega, vinificações sem controle de temperatura e sem cuidado, nem controle de oxigênio dissolvido resultam em vinhos vulgares. Ao contrário, vinificações excessivamente redutivas, com baixo ou isento teor de oxigênio dissolvido, podem originar vinhos brancos rosáceos, vulgo pinking, fenômeno onde o aroma e o sabor permanecem inalterados e a cor rosácea muitas vezes nos entrega a falsa impressão de oxidação. O pinking não é mais do que um “desarranjo polifenólico” pela exposição súbita do vinho com o ar. Depois reza a lenda que em regiões quentes não se conseguem bons Sauvignon Blanc. Será?!?!

Na vindima de 2016, eu e o Alécio Demori nos dispusemos a aumentar a fasquia do nosso Sauvignon Blanc. Estávamos já com o segundo ano de colheita mecânica de uvas na Quinta do Seival, quando decidimos realizar nesse ano a primeira colheita noturna de Sauvignon Blanc. Único e principal objetivo, colher uvas mais frias para que os processos de oxidação se reduzissem ao mínimo e assim conseguir preservar as ímpares características de aroma e sabor. Nunca pensamos no lado romântico e propagandista que uma colheita sob a luz e o olhar da Lua pudesse transparecer, o que nos moveu foi exclusivamente a técnica. A criatividade e a coragem foram consciências íntimas nossas para conseguir mudar o vinho.

Todavia, a vindima de 2018 foi mágica. O Miolo Reserva Sauvignon Blanc Colheita Noturna 2018 foi realizado em 3 madrugadas não consecutivas: 18 de Janeiro, 20 de Janeiro e 24 de Janeiro.

Mas foi na segunda madrugada que surgiu a maior adversidade, solucionada com bravura. O incêndio florestal… as quedas de luz… tantas histórias não conhecidas dentro de uma garrafa de vinho…

Este Sauvignon Blanc resume-se num vinho energético, desconcertante, fruto de uma vindima sublime e de um conjunto de Homens veementes.”

Lídio Carraro Lança 2 Vinhos Extra-Série!

No próximo mês de junho a Vinícola Lídio Carraro, estará fazendo o lançamento de dois novos vinhos que  serão comercializados, somente através de venda direta pela própria vinícola, portanto não estarão disponíveis em lojas, supermercados ou restaurantes. 

  Foto retirada do site da Lídio Carraro

Um deles é o “BIANCO MACERATO 2011”, um Chardonnay elaborado com maceração das cascas (vinificação no mesmo processo dos tintos), onde obtém-se um branco de guarda, com estrutura de taninos, rico em polifenóis (em comparação com outros brancos elaborados com fermentação apenas do mosto).

Este vinho estagiou em garrafa por 6 anos + um ano em tanques, sobre suas borras finas. Esse tempo de afinamento em garrafa conferiu-lhe uma evolução muito positiva, coloração amarelo ouro intenso e perfil aromático ressaltando notas de frutas secas, tropicais, florais, aroma com delicado toque defumado e mineral. Vale a pena acompanhar sua evolução na taça (ou decanter), revelando complexidade e equilíbrio entre força e vivacidade. Apenas 830 garrafas estarão disponíveis para venda.

O outro, chama-se “KAIRÓS 2008”, um vinho composto por cinco varietais, produzidas e vinificadas respeitando o conceito de vinificação por parcelas (micro-terroirs) dentro das áreas de vinhedos da Lidio Carraro, em Encruzilhada do Sul. Foram produzidas apenas 3.000 garrafas deste vinho, cuja composição é: 60% Tempranillo, 17% Alicante Bouchet, 10% Cabernet Franc, 8% Tannat e 5% Petit Verdot. O resultado é um vinho com personalidade marcante, que pode avançar por muitos anos no tempo mantendo sua vivacidade e personalidade. Inicialmente este vinho foi elaborado para ter seu lançamento no ano de 2014, seguindo a média de tempo de 5 anos em garrafa,  adotada para a linha Lidio Carraro Elos. Porém, após avaliar a sua evolução, os enólogos entenderam que ele precisava de muito mais tempo para revelar seu potencial, dessa forma, decidiram deixar o vinho seguir sua evolução até que ele mesmo mostrasse o momento ideal para seu lançamento – daí o nome Kairós -, o “momento ideal”. Em termos de perfil, trata-se de um vinho com muita complexidade aromática, partindo de notas intensas de frutas pretas maduras, avelã e pimentas preta, evoluindo para aromas tostados, tabaco, couro, chocolate e cravo da índia. Taninos presentes, firmes mas maduros e integrados, conferindo uma textura prazerosa, com retrogosto marcante e agradável ao paladar.

Agora só nos resta esperar mais algumas semanas, para poder degustar estes dois extra série que a julgar pelas descrições, devem ser vinhos diferenciados! 

O MELHOR BRANCO NACIONAL DO DESCORCHADOS 2018

Na semana que passou, eu tive o prazer e o privilégio de degustar, em primeira mão, o vinho branco nacional que atingiu a maior pontuação(92 pontos), no Guia Descorchados 2018.

A publicação está completando 20 anos e 3000 vinhos degustados, seu fundador o chileno Patricio Tapia, iniciou avaliando os vinhos do seu país, depois vieram os argentinos, mais tarde entraram os uruguaios, os espumantes nacionais também já estavam sendo publicados  e a partir da edição 2018, os vinhos brasileiros, também passam a fazer parte deste que é o mais completo guia de vinhos da America do Sul.  

O Pizzato 1.3,safra 2017, elaborado com a varietal Sémillon, uma casta pouco cultivada no Brasil, nasce de um vinhedo de menos de 1 hectare, plantado pela vinícola em 2012, que fermenta e amadurece em taque de inox e barricas de acácia.

No visual, apresentou uma linda cor, amarelo palha, límpida e brilhante, no olfato senti aromas de maça importada, bem madura, frutas secas e notas florais, na boca confirmou que se trata de um belo vinho, possui  textura aveludada, frescor, boa acidez, toques citrícos, final agradável, de boa persistência.

O vinho produzido pela vinícola Pizzato do Vale dos Vinhedos, ainda não foi lançado no mercado, esta garrafa nem está rotulada, mas a sua produção será bem limitada, serão apenas 300 unidades, isto quer dizer que infelizmente, poucos terão a oportunidade de provar o melhor branco nacional do guia Descorchados 2018.  

PRODUTORES GAÚCHOS EM PORTUGAL

Um grupo de 15 produtores gaúchos da Serra e da Campanha, estão em Portugal participando de uma missão empresarial, promovida pelo Sebrae RS, para conhecer as práticas de enoturismo desenvolvidas naquele país que recebe um fluxo anual  de 25 milhões de turistas, além de ser um dos maiores consumidores mundiais de vinhos.

 

Os produtores  estão visitando vinícolas e associações no Alentejo, Lisboa, Bairrada, Porto e Douro, verificando os tipos de produtos e processos que estão sendo utilizados pelos portugueses e alinhavando futuras parcerias.

Uma boa notícia, é que foram dados os primeiros passos, para que a cidade Reguengos de Monsaraz no Alentejo e Bagé na Campanha Gaúcha, se tornem cidades irmãs. Ainda tem um longo caminho a percorrer, para que a documentação seja aprovada, mas a paisagem com campos a perder de vista, as Herdades tradicionais, as casas típicas, a rica história, o passado de batalhas, o céu estrelado e o vinho, são algumas das semelhanças que unem estes dois lugares.