TOUR PELO URUGUAI-BODEGA SPINOGLIO

A pequena Bodega Spinoglio, localizada nos arredores de Montevidéu, é um lugar impregnado de história, pouco conhecida pelos brasileiros, assim como seus vinhos, vendidos, somente no Uruguai.

Pois a nossa segunda visita, do tour de vinhos pelo Uruguai, foi exatamente nesta Bodega, considerada uma das mais antigas daquele país. Fomos recebido pela enóloga que de imediato levou  o grupo para conhecer os vinhedos de Tannat, Cabernet Franc, Merlot, Chardonnay  e um lote de videiras, com uva Isabel, com mais de 120 anos que a vinícola conserva, para manter viva a história de seus antepassados.

Depois fomos conhecer o prédio da vinícola, construída há mais de 100 anos por arquitetos franceses e que ainda mantém o seu formato original.   

A história da família Spinoglio começa no final do século XIX, com a chegada de Luigi Spinoglio que imigrou para o Uruguai, vindo da localidade de Casale Monferrato no Piemonte, onde trabalhou com cultivo de uvas e produção de vinhos.

Porém o surgimento da atual Bodega Spinoglio, acontece em 1961, quando Angel, neto de Luigi Spinoglio, assume o estabelecimento iniciado por Dom José Campomar em 1898, no sul da região de Cuchilla  Pereyra, considerada como  excelente, para a vitivinicultura.

Atualmente a Bodega, administrada pela 4ª geração da família Spinoglio, produz vinhos de grande qualidade, fruto da implantação de modernas tecnologias nos vinhedos e na cantina, também está  investindo em estrutura para alavancar o enoturismo, como a abertura de um restaurante e projeto para a construção de uma pequena pousada. 

No final da visita, participamos de um almoço harmonizado,no restaurante Monfrà que na língua piemontesa significa Monferrato, sob os cuidados do chef Máximiliano Cáceres. Para acompanhar os pratos, foram servidos os vinhos da linha Valle De Las Lágrimas, produzidos em parceria com a Bodega Spinoglio, por Alvaro Mangino, um dos  sobreviventes da tragédia dos Andes, de quem éramos convidados.

Quem for a Montevidéu, a minha dica é que não deixe de conhecer esta pequena Bodega e a sua história que se confunde, com a história do vinho no Uruguai.

TOUR PELO URUGUAI – VIÑA EDÉN

Quase dois anos depois, retornamos ao Uruguai na última semana, para mais um tour de vinhos pelo país, onde são produzidos os melhores Tannat do mundo.

Visitamos quatro importantes bodegas, duas no Departamento de Maldonado e  outras duas em Montevidéu.

Começamos pela Viña Edén, propriedade de um investidor brasileiro, residente no Rio de Janeiro, localizada sobre as pedregosas serras de Pueblo Edén, uma cidadezinha de apenas 85 habitantes, à poucos minutos de Punta Del Este que deu origem ao nome da Bodega.

O lugar é simplesmente deslumbrante, construído no alto de uma colina, o prédio da Bodega é uma atração a parte, projetado em 3 níveis, para aproveitar a força da gravidade no processo de elaboração dos vinhos,  sua fachada em vidro espelhado, reflete as belezas naturais ao seu redor.

No piso térreo, um moderno restaurante oferece várias opções de pratos, para refeições harmonizadas. Na área externa existe um amplo terraço, onde se pode degustar um vinho ou espumante, apreciando a paisagem espetacular, agradecendo à Deus, pelo privilégio de estar vivo, para poder curtir e admirar este lugar fantástico!

Também é possível agendar visitas guiadas pela bodega e pelos vinhedos a bordo de carrinhos elétricos.

Participamos de um belo almoço, onde foram servidos pratos elaborados com ingredientes orgânicos, cultivados no local, harmonizado com vinhos e espumantes, produzidos na propriedade.

Degustamos um espumante Brut Nature Champenoise,elaborado com 85% de Chardonnay e 15% de Pinot Noir, um varietal de Chardonnay sem passagem por barricas, leve, fresco e aromático, um bomTannat da linha reserva e o Viña Eden Tannat Cemento, maturado por 18 meses em recipientes italianos de concreto que acrescentou frescor e mineralidade, à  sua estrutura, resultando em um Tannat diferenciado.Todos os vinhos estavam ótimos, mas o que nos deixou encantados, foi o ícone Cerro Negro Gran Reserva da safra 2015, considerada uma safra histórica no Uruguai, um blend de Tannat 50%, Merlot 30% e Marselan 20%, com passagem de 18 meses em barricas de carvalho francês.Um vinhaço!

Com a programação já se encaminhando para o final, fomos conhecer as instalações da cantina e as caves subterrâneas, onde estão as barricas de carvalho.

O que eu posso dizer sobre esta visita, é que a Viña Edén tem forte vocação para o enoturismo e não pode ficar de fora de nenhum roteiro de vinhos pelo Uruguai. 


**No próximo post vamos falar da nossa visita à Bodega Spinoglio, ainda desconhecida para a grande maioria dos brasileiros.

 

 

UM PARAÍSO CHAMADO SERRA CATARINENSE

Nosso post de hoje, é para falar da visita que fizemos, à surpreendente e encantadora região da Serra Catarinense, no início desta semana.

Com certeza Deus devia estar muito inspirado, quando criou este pequeno paraíso, com florestas, vales e colinas e um dos mais lindos por do sol do planeta!

Mas além das belezas naturais do lugar, também tivemos o imenso prazer de conhecer pessoas de coragem,persistência e ousadia que enfrentam a cada ano, as tempestades de granizo, as geadas e as nevascas, para produzir vinhos de qualidade.

São homens de atitude, fazendo Vinhos de Altitude. 

E para agregar valor ao seu negócio, estes empreendedores visionários, decidiram investir no enoturismo, construindo vinícolas belíssimas, projetadas de forma estratégica, para que os visitantes, possam degustar seus vinhos, apreciando a exuberância da natureza ao redor. 

Deixamos aqui as nossas congratulações e os nossos agradecimentos, aos representantes das vinícolas Villa Francioni, Leone di Venezzia, Villaggio Bassetti,  D’Alture,Villaggio Conti, Monte Agudo e à Casa do Vinho, pela forma carinhosa e calorosa, com que nos receberam.  

Faltando pouco menos de 3 meses, para o encerramento do ano, posso afirmar, sem medo de errar que este paraíso chamado Serra Catarinense, está entre os lugares mais lindos e encantadores que conheci em 2019.

 

O VINHO BRASILEIRO QUE MARCOU ÉPOCA

Ontem a tarde,  visitando a Feira Iguatemi Wine que está sendo realizada no Shopping Iguatemi de Porto Alegre, viajei no tempo, ao me deparar com uma garrafa de vinho Guglielmone Nebbiolo 1989, produzido pela Adega Medieval, localizada no município de Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre, de propriedade do produtor Oscar Guglielmone.

No final da década de 70, início dos anos 80, eu não entendia muito de vinhos, mas já demostrava algum interesse pelo assunto e fiquei curioso, quando descobri no supermercado, onde eu fazia o rancho, um vinho feito na cidade vizinha.    

Fiquei fã dos vinhos Gugliemone, durante um tempo, sempre que era possível eu comprava uma garrafa, até que um dia, eles sumiram das prateleiras.

Mais tarde, fiquei sabendo o motivo, Oscar Gugliemoni havia sido assassinado, por um ex funcionário, no interior da sua Adega e devido a problemas familiares, a produção de vinhos não teve continuidade.

Ontem ao ver esta garrafa, passou um filme em minha mente, com cenas de bons momentos da minha juventude.

O MILAGRE DE PODAR E COLHER NO MESMO DIA

No último final de semana, estivemos visitando a região vitivinícola do Vale do São Francisco, para conhecer o milagre que viabilizou o cultivo de uvas viníferas e a produção de vinhos no semi árido do sertão nordestino.

A trajetória da vitivinicultura nesta região, começou na década de 60, com a produção de vinhos base para vermutes e uvas de mesa, e até mesmo para vinagre, porém, foi a partir dos anos 80, com a implantação de vinhedos de vitis vinífera, trazidas da Europa que surgiram os primeiros vinhos finos.

No início dos anos 2000, com a chegada do grupo Global Wines da região do Dão em Portugal e da gaúcha Miolo Wine Group, o Vale do São Francisco que já contava com pequenas vinícolas, se consolida como uma das grandes produtoras de vinhos e espumantes do mercado brasileiro.

Mas os grandes responsáveis pela transformação desta paisagem, antes árida e seca, imprópria para qualquer tipo de cultivo, foi a união do sol, da água e do homem.

O sol, sempre contribuiu com a sua presença na região durante 300 dias por ano, a água sempre esteve presente e o homem, completou o triângulo ao descobrir a forma de conduzi-la até o solo, para torná-lo fértil.

Porém foi o aperfeiçoamento e a modernização da técnica de irrigação, com a implantação do sistema por aspersão/gotejamento que possibilitou a criação do cenário ideal, para alavancar a expansão da vitivinicultura da região.

Este é a único lugar no planeta, com duas safras por ano, onde todos os ciclos da videira,  podem ser feitos no mesmo dia.

Não por acaso, escolhemos as duas maiores vinícolas do Vale, para conhecer. A primeira foi a Rio Sol, no município de Lagoa Grande, Pernambuco que pertence ao grupo Global Wines, no dia seguinte, foi a vez da Miolo Terranova, em Casa Nova no estado da Bahia, do grupo Miolo Wine Group.

Na Rio Sol que serviu de cenário, para as gravações da minissérie da rede Globo, Amores Roubados de 2014, fomos conhecer os vinhedos e as instalações da vinícola, guiados com muita competência e conhecimento, pela Ana Paula, uma das profissionais da empresa, no  final fomos levados até o varejo, para degustar alguns rótulos dos seus vinhos e espumantes, cuja principal caraterística é o frescor e a leveza, pois foram elaborados para ser consumidos ainda jovens, até dois anos no máximo.

Na Miolo Terranova, fomos recepcionados por Adriano Miolo, superintendente do grupo e por todo o corpo técnico da vinícola. De imediato fomos conhecer, como funciona o seu processo de irrigação, que conta com 2 km de tubulação subterrânea, instalada entre o rio São Francisco e a casa de bombas da vinícola, onde a água é tratada, filtrada e distribuída entre as diversas parcelas de vinhedos, de acordo com a estratégia definida pela empresa.

Na sequência visitamos os vinhedos em vários estágios, dormência, poda seca, brotação,floração,maturação e colheita.

E para encerrar, participamos de um churrasco de fogo de chão, com carne de gado e bode, as sombras do bosque de Oliveiras, acompanhado de vários rótulos de espumantes, vinhos brancos, rosés e tintos, produzidos pela vinícola, com direito a música ao vivo e muita alegria.

Foi uma das visitas mais proveitosas, dentre todas as que já foram feitas e um dos maiores aprendizados, isso sem falar nas diversas atrações gastronômicas e o belo roteiro de enoturismo.

Neste oásis em meio a caatinga e a seca do Sertão, o homem brinca de Deus, com a permissão de São Francisco!