O VINHO GAÚCHO DE JAYME MONJARDIM

Na próxima terça-feira, dia 27, o diretor e cineasta Jayme Monjardim, lança  o segundo vinho do projeto Villa Matarazzo, em parceria com a  vinícola Routhier & Darricarrère de Rosário do Sul, na região da Campanha Gaúcha.   

A primeira edição do Villa Matarazzo, foi um vinho português do Douro safra 2008, um corte de Touriga Nacional,Tinta Roriz e Tinta Barroca, produzido pela Quinta dos Avidagos.

Nesta segunda edição,reconhecendo a grande qualidade dos vinhos brasileiros,   Jayme decidiu criar um Cabernet Sauvignon da safra 2018, elaborado em solo gaúcho.  

O evento de lançamento, que será realizado na loja Vinho e Arte, do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, terá a apresentação da empresária e enóloga Maria Amélia Duarte Flores e contará com as presenças de Jayme Monjardim e Anthony Darricarrère, proprietário da vinícola. 

O MITO

Segundo o dicionário, Mito é uma ficção, um ser sobrenatural, um herói, uma figura cuja existência não pode ser comprovada e domina o imaginário coletivo.

Infelizmente no Brasil, o significado da palavra, acabou sendo vulgarizada ao ser empregada para exaltar personalidades de caráter duvidoso que proliferam nas redes virtuais e reais do nosso país.

Felizmente o assunto deste post não é para falar destas figuras exóticas, mas sim sobre a degustação histórica de um vinho, este sim considerado um Mito no mais puro e fiel significado da palavra.

Antes porém, quero fazer uma ressalva, para que não pensem que sou mais um dos tantos enochatos, bebedores de rótulos que infestam a nossa vinosfera.

Comecei tomando vinhos de garrafão, feitos na colônia e ainda hoje, bebo vinhos simples, especialmente os produzidos no Brasil, por outro lado, graças ao meu trabalho de divulgação, tive a oportunidade de degustar, quase todos os ícones das principais regiões do mundo.  

Na minha opinião e de muita gente, existem dois grandes vinhos que são considerados verdadeiros mitos da enologia mundial,  um deles é o Romanée Conti, o ícone da Borgonha, o outro, é o Chateau Petrus, considerado o rei do Pomerol em Bordeaux.

Nunca criei muitas expectativas em degustá-los, especialmente pelos seus preços exorbitantes e pela dificuldade de serem encontrados no mercado.

Ocorre que por obra do acaso, no último sábado, surgiu a oportunidade de participar de um almoço harmonizado, realizado pela Vinho e Arte, da enóloga Maria Amelia Duarte Flores, no fantástico restaurante Le Bateau Ivre em Porto Alegre, com diversos vinhos do Velho Mundo, onde a grande estrela era um Chateau Petrus 2007.

A sequência de vinhos, começou com o belo Rosé Ott  Chateau de Selle Cotes de Provence Cru Classé 2017, depois foi servido o branco Langenberg La Longue Colline, Cru D’Alsace 2016, um biodinâmico maravilhoso, do renomado produtor Marcel Deiss, a seguir foi a vez do tradicional Champagne Veuve Clicquot Rosé e do Pouilly-Fuissé 2009, La Chapelle de Guinchay do produtor Abel Pinchard, que encerrou a parte de brancos e rosés.

A parte final do evento, iniciou com o excelente Borgonha,Chambolle-Musigny-Les Charmes- Premier Cru safra 2000, produzido pelo Domaine des Chezeaux e na sequência o Grand Cru Classé, Chateau Lynch Bages 2007, dois vinhos diferentes, com capacidade para agradar os paladares mais exigentes.

Porém  a grande expectativa e ansiedade dos participantes do evento, era o momento de provar a grande jóia do Pomerol.

Vocês devem estar curiosos, para saber a minha opinião sobre a degustação deste grande vinho, então lá vai.

O CHATEAU PETRUS é um vinho perfeito, aos 12 anos de idade, está apenas entrando na adolescência, o conjunto cor,aroma, sabor, álcool, acidez, madeira e persistência, formaram uma verdadeira obra de arte, com toda certeza é um vinho que vai ultrapassar os 50 anos com muita saúde.

Seu preço extratosférico e a pequena produção anual, o torna um vinho raro e inacessível à grande maioria do mortais, um verdadeiro MITO ! 

TANNAT DA CAMPANHA GAÚCHA ABAIXO DE 25 REAIS

O post de hoje, é para quem acha que vinho nacional de qualidade é muito caro, preferindo beber vinhos chilenos baratos de baixa qualidade e origem duvidosa, verdadeiros sucos de carvalho com açúcar e aromas desagradáveis de Pirazina.

Não quero tentar convencer ninguém a tomar apenas vinhos nacionais, minha intenção é que as pessoas saibam que existem bons vinhos brasileiros, com preços acessíveis e que acima de tudo, tenham condições de escolher vinhos honestos, com nome, sobrenome e procedência.   

Neste contexto, quero indicar aos nossos leitores, uma opção de vinho brasileiro de qualidade, preço baixo e fácil de encontrar no mercado, produzido pela vinícola Almadén, uma das mais antigas do Brasil.

Este belo Tannat brasileiro, com sotaque uruguaio, foi elaborado com uvas da excepcional safra 2018, cultivadas no município de Santana do Livramento, região da  Campanha Gaúcha, fronteira com a cidade de Rivera no Uruguai e está a venda, por pouco mais de 20 reais.

SOBREVIVENTE DE TRAGÉDIA NOS ANDES PRODUZ VINHOS NO URUGUAI

Na noite da última terça-feira, estive presente no evento de lançamento dos vinhos da vinícola Valle de las Lágrimas de propriedade de Álvaro Mangino, um dos sobreviventes da queda de um avião da Força Aérea Uruguaia na cordilheira dos Andes, em outubro de 1972.

Foram apresentados 5 vinhos, todos Gran Reserva, um branco elaborado com Chardonnay, um corte de Merlot e Tannat, um varietal de Cabernet Franc, um de Tannat e um Blend com 3 uvas, Cabernet Franc, Merlot e Tannat. Todos os vinhos são de muita qualidade, mas o Blend me pareceu o mais pronto,para beber agora.

Conforme Álvaro, este vinho é uma forma de homenagear aos seus amigos do Valle de las Lágrimas,os que sobreviveram e os que estão no céu. É uma mensagem de esperança e vitória, uma maneira de brindar a vida e a tudo o que lhes restou viver depois,é um canto a vida, a seus seres queridos e as suas famílias.

Enquanto apresentava seus vinhos, Álvaro falou sobre o milagre de sobreviver, durante 72 dias, numa montanha de gelo, a mais de 4 mil metros de altitude, com uma perna quebrada, enfrentando sede, fome e temperaturas que chegavam aos 30 graus negativos.

No voo fretado que transportava 45 pessoas, incluindo uma equipe de rugby, seus amigos, familiares e associados, mais de um quarto dos passageiros morreram no acidente, vários faleceram devido ao frio e ferimentos, outros foram soterrados por uma avalanche de neve que caiu, sobre a fuselagem do avião, enquanto dormiam.

Depois de ouvir num rádio improvisado que as equipes de resgate haviam suspendido as buscas, decidiram que os dois sobreviventes, em melhores condições físicas, sairiam  em busca de ajuda.

Após dez dias de caminhada, já quase sem forças para prosseguir, conseguiram chegar a margem de um rio, onde avistaram um homem a cavalo. O pesadelo estava chegando ao fim.

Depois de 72 dias de intenso sofrimento, os 16 sobreviventes foram finalmente resgatados. 

Passados quase 50 anos da tragédia, os companheiros de infortúnio, celebram anualmente, no dia 22 de dezembro(dia que foram resgatados), a data do seu renascimento, ao lado de amigos e familiares.

Também criaram um fundo, com os recursos oriundos dos direitos sobre filmes e livros que utilizam para financiar estas comemorações, auxiliar algum que esteja em dificuldade financeira e o que sobra, dividem entre si.

Foi uma grande honra e emoção ter conhecido Álvaro Mangino, um dos  bravos guerreiros desta grande batalha pela vida!

Sai deste encontro, com algumas convicções: o ser humano é muito mais forte que imagina, o impossível não existe e milagres acontecem!

TINTOS BRASILEIROS ABAIXO DE 50 REAIS

Este post é para você que está procurando uma alternativa aos vinhos importados baratos de procedência duvidosa que inundaram o mercado brasileiro nos últimos 10 anos.

Sua saúde vai agradecer se você reduzir a quantidade e optar pela qualidade dos vinhos consumidos. 

Para auxiliar nossos leitores a encontrar vinhos honestos, com nome e sobrenome, elaboramos uma relação com 20 tintos nacionais, feitos com as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, abaixo de 50 reais:

CABERNET SAUVIGNON
-Casa Valduga Origem Elegance 48,00

-Don Laurindo Reserva 48,00

-Valmarino 49,00

-Vallontano 49,00

-Salvador Salvattore 46,00

-Don Miguel 49,90

-Miolo Reserva 49,00

-Peruzzo 49,90

-Barcarola 48,00

-Família Bebber Sentiero 46,00

MERLOT

-Don Laurindo Reserva 48,00

-Salvador Salvattore 46,00

-Don Miguel Reserva 49,90

-Família Bebber Sentiero 46,00

-Valmarino 49,00

-Miolo Reserva 49,00

-Dunamis 49,90

-Marco Luigi Reserva 34,80

-Aurora Reserva 43,80

-Casa Venturini Reserva 49,25