Uma das mais importantes vinícolas da Itália, produz vinho inédito no Brasil .

Uma feliz coincidência do destino,  acabou me proporcionando a oportunidade de  conhecer  as instalações, os vinhedos e principalmente a história da vinícola italiana, que   acaba de lançar um vinho produzido em solo brasileiro.

Durante um tour de vinhos pela Itália em maio de 2011, visitamos a Azienda Masi Agrícola, uma das maiores produtoras de Amarone do mundo, mas em nenhum momento da visita as pessoas com quem tivemos contato, deixaram escapar  o segredo da inédita  parceria que havia firmado em 2007, com a gaúcha Vallontano, para elaborar um vinho que expressasse o terroir brasileiro a partir da centenária técnica vêneta .   

É possível que a Bandeira do Brasil tremulando no alto do mastro na entrada da vinícola, em homenagem a chegada de visitantes brasileiros, também tenha sido uma alusão aos laços que naquela altura já havia unido as empresas dos 2 países.

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Só  fomos ficar sabendo deste projeto, alguns meses depois de ter retornado ao Brasil. Quase não acreditei quando foi divulgado na mídia a notícia que  uma equipe técnica da Masi   e  o enólogo/proprietário da Vallontado, já estavam trabalhando há mais de 3 anos, na produção deste vinho.

Na sequência  deste post, segue um resumo da visita  que fizemos à Masi e  como surgiu a ideia de produzir o vinho brasileiro: 

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A  Azienda Masi Agrícola é considerada uma das maiores e mais tradicionais vinícolas italianas, seus vinhedos existem há seis gerações, o controle societário é estritamente familiar, mas  possui elevado grau de profissionalismo e gestão de uma organização internacional. Seu presidente é Sandro Boscaini e a diretoria é formada pelos seus filhos Alessandra e  Rafaelle e o irmão Bruno, diretor técnico-industrial. 

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A Organização possuí seis áreas de negócios, subordinadas a um Conselho de Administração. Além de Valpolicella, também possuem vinhedos na Argentina na Região de Tupungato em Mendoza, na Toscana  e no Vêneto em parceria com o Conde Serego Alighieri, único descendente  vivo de Dante Alighieri.

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Através de sua equipe técnica a Masi é pioneira em experimentos que utilizam variedades Veronesas secundárias(Oseleta, Dindarella, Croatina Negrara e Forselina), com as principais variedades( Corvina, Rondinella e Molinara). Além disso, estudos aprofundados sobre o apassiamento(secagem)das uvas levou a um novo estilo de Amarone que se transformou em grande sucesso.

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Criou o primeiro vinhedo experimental, para comparação de variedades e clones de uvas nativas do Vêneto, onde foram plantadas 48 variedades diferentes e clones replicados em um número de plantas para permitir microvinificações necessárias. Também foi criada uma cantina experimental, dotada de uma infraestrutura de vanguarda, para vinificação e maturação destas uvas. Todo o projeto e a estrutura tecnológica, conta com a colaboração do departamento de viticultura e enologia da Universidade de Milão e foram reconhecidos pelo MURST, Ministério da Educação Universidade e Pesquisa.

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Também foi criado pela Masi em suas caves subterrâneas de Gargagnano , um sistema inovador de apassimento denominado NASA, Natural Appassimento Super Assistido, com o objetivo de conseguir, auxiliada pela tecnologia, uma secagem ideal das uvas sem o desenvolvimento de fungos, recriando internamente as condições climáticas das melhores safras do passado. Este sistema controla as variáveis ( temperatura, umidade, ventilação, variação de peso) de modo que possam alcançar os parâmetros das grandes safras. A configuração atual foi calculada com base em uma média ponderada das safras dos anos de 1988, 1990, 1991 e 1995.

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O apassimento das uvas é um método tradicional utilizado na região do Vêneto, para concentrar armas e sabores ao vinho. As uvas repousam, por um período de três a quatros meses em esteiras de bambú dentro da Cantina, perdendo entre 35 a 40% de seu peso antes da primeira vinificação. A Masi é a maior especialista neste processo de produção no século XXI.

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A Masi também é artíficie da evolução da técnica do “ripasso”, também conhecida como “dupla fermentação”. Nos anos 80, produz o “moderno” Campofiorin: um vinho tinto de uvas autóctones de Verona, refermentado com uma pequena porcentagem de uvas semi appassitadas, e não utilizadas para o Amarone. Este método tem a grande vantagem de dar aos vinhos, aromas e sabores mais intensos, provenientes de uvas supermaduras, ao invés do mais tânico bagaço residual de  Amarone que era usado no modelo antigo.

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A ideia de produzir um vinho  brasileiro no estilo vêneto, numa região com grande população de descendentes Vênetos, começou a partir do sonho de  um destes descendentes, D.Ivo Pasa, administrador do Hospital Sacro Cuore di Negrar , em Verona,  que   se torna amigo de Sandro Boscaini, presidente da Masi e passa a incentivar o grande produtor a transformar o seu sonho em realidade.

Em 2006, convencido pelo argumentos de D.Ivo,  Sandro Boscaini decide realizar o projeto  e inicia  a busca por parceiros para a sua implementação . Em 2007 e depois de vários contatos e pesquisas, escolhe a Vinícola Vallontano do Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves-RS, liderada pelo seu enólogo e proprietário Luiz Henrique Zanini,  para em conjunto com a equipe técnica da Masi dar inicio ao ambicioso projeto .

Depois de quase 10 anos, muitos testes e grandes expectativas,  o sonho acaba se materializando com o lançamento neste mês de junho do Oriundi  safra 2011 , uma combinação de uvas Tannat 70%, Teroldego 15% , Ancelotta 5%  e  10% de vinhas típicas do Vêneto

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 Os comentários sobre a degustação do Oriundi 2011, serão publicado  em outro post, mas posso adiantar que se trata de um grande vinho !

Uma preciosidade da histórica safra 2005 ! Simplesmente o Maximo !

Acaba de ser lançado no mercado, o único vinho nacional feito exclusivamente para ser um vinho de guarda. Após quase 10 anos evoluindo nas caves, o excelente Maximo Boschi  Merlot  da histórica safra 2005,  já chega pronto para ser degustado e para fazer história no cenário vitivinícola do Brasil.  

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A grande estratégia da vinícola  Maximo Boschi, é elaborar um vinho diferenciado, de alta qualidade e pequena produção, feito somente em safras especiais,  para ser lançado  depois de vários anos de evolução, seguindo conceitos semelhantes aos famosos vinhos europeus,  e cobrar por este produto premium,  um preço competitivo. 

Nestes 14 anos de existência da vinícola, o Maximo Boschi Merlot  foi produzido em apenas três safras  2000, 2004 e o 2005 que está chegando ao mercado agora.

Os vinhos da  Maximo Boschi, caíram no gosto dos cariocas e de turistas que visitam o Rio de Janeiro, para onde é vendida metade da sua produção e estão nas cartas dos três restaurantes do famoso Chef francês Claude Troisgros e  Fasano, mas também estão fazendo sucesso em São Paulo e Brasília, mas por incrível que pareça, ainda é pouco conhecido do público gaúcho, que responde apenas por 5% das vendas.

Degustar este vinho foi  muito prazeroso, já fiquei seduzido ao sentir seus aromas intensos e complexos que me lembravam especialmente,  frutas vermelhas maduras,  na boca confirmou toda a expectativa, saboroso, elegante, taninos macios, acidez perfeita e retrogosto de grande persistência. Seu teor alcóolico é de 13% . 

Eu  que já havia degustado e gostado muito do safra 2004,  fiquei encantando com este 2005!  Superou as minhas expectativas mais otimistas. Tenho certeza que vai agradar em cheio, principalmente aos  adeptos dos vinhos tradicionais  produzidos no Velho Mundo !

Uma produção artesanal limitadíssima de 2.500 garrafas numeradas deste grande Merlot,  já está sendo distribuída entre os principais mercados do país.

Algo me diz que este vinho vai esgotar rapidamente, por isso já tratei de comprar algumas garrafas para guardar e ir bebendo de tempos em tempos.

Em Porto Alegre, o Maximo Boschi Merlot 2005  está sendo vendido na Loja Vinhos e Sabores ao preço de 62 reais, bem inferior aos outros grandes vinhos nacionais . 

“Prá quem chega de Rosário ao fim da tarde…”

Vem do município de Rosário do Sul na Campanha gaúcha, um dos melhores Cabernet Sauvignon nacional que eu já degustei até hoje.

O mais novo lançamento  da vinícola Routhier & Darricarrère, é o que se pode chamar de uma obra de arte, pois surgiu a partir da ideia de unir vinho, arte e  literatura.

Inspirado no conto do escritor pelotense João Simões Lopes Neto, sobre uma das mais famosas lendas do Rio Grande Do Sul,  tendo estampada no rótulo,  uma obra do artista plástico Gelson Radaelli, nasceu o excelente Cabernet Sauvignon Salamanca do Jarau 2012,  que me trouxe claramente a lembrança dos elegantes vinhos  de Bordeaux, inclusive nos seus 12.5% de teor alcóolico.

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O vinho foi elaborado apenas com leveduras indígenas (da própria uva) e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho.

Foram produzidas apenas 2000 garrafas e está sendo comercializado a 90 reais, exclusivamente pela loja Sommelier Vinhos , também faz parte da Carta  do restaurante Atelier das Massas(propriedade do autor do rótulo).

 

 

 

 

Rosso di Montalcino em taça e outras surpresas!

São poucos os restaurantes em Porto Alegre que oferecem aos seus clientes, a opção de vinhos em taça e menos ainda, os que disponibilizam rótulos de boa qualidade para servir neste formato, mas dia destes ao almoçar no tradicional restaurante Copacabana,  fui surpreendido ao me deparar  com o excelente Rosso di Montalcino 2011 produzido pela Caprili, entre as opções da carta e mais surpreso fiquei, ao constatar que a  dose estabelecida, eram generosos 187,5 ml ( 1/4 da garrafa)  e o preço cobrado, seguia a mesma proporção(1/4 do valor total do vinho).   

Uma das minhas preocupações ao escolher um vinho servido em taça, é tentar descobrir  se a garrafa foi aberta naquele dia, ou então procurar saber que tipo de tecnologia utilizam, para não deixar alterar as caraterísticas do vinho depois de aberto, pois já passei pela experiência  desagradável de beber um Bourgogne  mal conservado, num dos mais conhecidos restaurantes da nossa Capital .

Fiquei  bem satisfeito ao saber que a garrafa do Rosso di Montalcino da Caprili, ainda estava lacrada e foi aberta na minha frente, para servir a minha taça. Também gostei quando o garçon  mostrou o moderno equipamento  adquirido pelo restaurante, cuja função principal é impedir o contato do vinho com o oxigênio, depois de aberta a garrafa,  conservando o vinho em boas condições por um tempo maior.

Mas as boas surpresas não pararam por ai,  ao fazer o pedido dos pratos, não acreditei quando o garçon  me convenceu a pedir apenas meia porção, ao invés de uma, como eu havia solicitado , pois os pratos eram bem fartos e certamente uma porção seria demais. E ele tinha razão, a meia porção se mostrou suficiente e ainda sobrou um pouco, que foi prontamente colocada numa embalagem para levar.

Como não compartilhar esta bela experiência com meus leitores ? Como não indicar este restaurante, depois deste exemplo magnifico de como encantar o cliente?

Em Porto Alegre existe uma excelente opção, para aqueles que desejarem fazer uma bela refeição típica italiana e beber uma taça de vinho de qualidade, conservado adequadamente , por um preço justo !    

 

 

O VINHO NACIONAL NÃO MERECIA ISSO

 

A proposta deste blog, não é transcrever publicações de jornais ou revistas, mas diante da gravidade dos fatos, estou abrindo uma exceção, para divulgar uma notícia publicada pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre-RS, agora a tarde.

Só espero que após as devidas comprovações, os responsáveis, ou  seria irresponsáveis? Sejam punidos, para o bem dos produtores sérios, consumidores e de todos os  que vivem do vinho.

Ministério da Agricultura encontra antibiótico em vinhos gaúchos

Secretaria estadual diz que Estado não possui equipamento para detectar substância

01/05/2014 | 15h12

O Ministério da Agricultura identificou a presença de antibióticos em vinhos de mesa produzidos no Rio Grande do Sul. As amostras foram coletadas no ano passado, em uma operação conjunta com a Secretaria da Agricultura (Seapa).

Os rumores vinham preocupando a secretaria há mais tempo, segundo o gerente da Defesa Vegetal, José Cândido Motta. Mas a pasta não possui condições técnicas de comprovar o uso de substâncias como, principalmente, a natamicina — um tipo de conservantes cuja utilização é permitida na fabricação de queijos e embutidos.

O processo de compra do equipamento para realizar este tipo de teste está em tramitação há mais de dois anos, através do Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem).

— Isto [o uso de antibióticos] não é novidade para nós. No momento em que estivermos aparelhados, teremos condições de coibir a prática — disse.

De acordo com Motta, uma nota técnica sobre o problema foi encaminhada ao Ministério Público no ano passado. O texto alertava sobre os efeitos da substância para a saúde humana. “No Brasil é permitido para conservação de determinados tipos de queijos e embutidos e alguns medicamentos humanos. A preocupação é seu uso continuado, que pode criar resistência e venha a perder seu efeito quando necessário.”

Conforme apuração da Rádio Gaúcha, 13 indústrias vinícolas são investigadas por adulteração no vinho. Os processos por fraude no vinho estão sendo concluídos pelo Ministério da Agricultura e serão encaminhamento ao Ministério Público.

Leia trechos da nota técnica da Secretaria da Agricultura:

“Os rumores, nos bastidores, de que se está usando conservantes/antibióticos de uso proibido em vinhos e espumantes, que contém açúcar residual, e em suco de uva, é grande [sic]. E não só no nacional, mas principalmente em vinhos chilenos e argentinos demi-sec e suaves.”

“Um dos poucos países que permitem a sua utilização [natamicina] é a África do Sul, mas para o seu mercado interno. A UE proíbe e recentemente a Alemanha rechaçou vários rótulos de vinhos argentinos e sul-africanos que continham esta substância antifúngica.”

“O que o setor reivindica e o serviço de fiscalização deseja é que se tenha esse equipamento no LAREN [Laboratório de Referência Enológica], para que todos os industriais sigam a mesma prescrição, tanto para a produção nacional como dos importados, o que garantirá a concorrência sadia e a preservação da saúde do consumidor.”