Château Mouton Rothschild-Loucuras de um enófilo deslumbrado

Não vou tomar o precioso tempo dos meus leitores, tentando descrever as minhas impressões e sensações, sobre a degustação deste ícone da enologia mundial, também não é minha intenção, ficar repetindo histórias que já foram contadas  por muita gente, mas o que eu vou contar agora, é a história verídica de um enófilo deslumbrado que cometeu uma das suas maiores loucuras, ao comprar aqui no Brasil, um Château Mouton Rothschild 1998 .

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Este  fato ocorreu há mais ou menos uns 10 anos atrás, quando eu ainda era um enófilo ingênuo e vaidoso que ficava encantando ao ler e ouvir  as histórias dos grandes vinhos do mundo, imaginando o momento em que iria degustá-los.

Acontece que com o passar dos anos, aquela fase de deslumbramento foi desaparecendo e fui me tornando um enófilo mais maduro e mais realista, cheguei a conclusão que “nem tudo o que reluz é ouro” e compreendi que o processo para definir  os altos preços de um grande vinho,  não leva em consideração, apenas e tão somente a sua qualidade, mas também  uma série de outros fatores, alguns deles intangíveis. 

Ao me dar conta desta realidade, não consegui fugir do arrependimento de ter pago um valor exorbitante, por uma garrafa de vinho, mesmo que  tenha sido por um dos grandes vinhos já produzidos neste planeta.

A medida em que eu degustava e conhecia outros grandes vinhos, com preços bem inferiores,  fui ficando com receio de me decepcionar, ao  degustar aquele que é um dos Premiers Grand Cru Classé de Bordeaux e constatar que o preço pago, foi muito  maior que o vinho.    

Depois de relutar por algum tempo, decidi que o vinho da comemoração do meu aniversário e do aniversário do meu filho que também é no mesmo dia, neste inicio de abril, seria  o Château Mouton Rothschild 1998, convenci a minha consciência que eu merecia beber um grande vinho, para brindar uma longa e feliz existência, juntamente com a minha  família.

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O Château Mouton era tudo o que eu esperava de um grande vinho   e o contexto em que foi degustado fez com que ele ficasse ainda maior!

O receio de me decepcionar acabou não se concretizando,  mas o vinho não superou  a expectativa que eu criei sobre ele, durante todos estes anos. 

 

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Surge uma nova “Era” de vinhos nacionais

Um show de estilo e elegância, são os melhores adjetivos que encontrei para definir  o Era dos Ventos Marselan 2008, um vinho artesanal de produção limitada a menos de 600 garrafas .

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O Era do Ventos é um projeto do enólogo/poeta  L.H. Zanin, em parceria com mais dois sócios,  voltado a produção de vinhos artesanais, direcionados para um público exclusivo  que está a procura de vinhos únicos e experiências novas.  

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Quando o vinho encontra a poesia, nasce uma obra de arte !

Tão sábio para fazer o Barca Velha. Tão simples para produzir o Tons de Duorum

Este cidadão na foto abaixo( ao meu lado esquerdo), foi por durante mais de 20 anos, o  grande responsável pela produção do Barca Velha,  o  vinho mais famoso e mais caro de Portugal.

Atualmente tocando o seu projeto próprio, o qual já foi assunto de um post anterior aqui neste blog.dupla (640x478)

Seu Nome é José Maria Soares Franco, depois de beber algumas taças  de vinho, passou a chamar-se, simplesmente Zé Maria!  

O brinde da foto acima, serviu para selar uma aposta que fizemos, após outras taças de vinho a mais. Se o Brasil for campeão, ele virá ao nosso País para as comemorações. Se Portugal conquistar o título , vou participar das festas no Douro.

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Um dos grandes momentos de 2013, foi conviver por algumas horas com uma pessoa, tão sábia e tão simples!

Sábia para fazer o ícone Barca Velha, um vinho vendido no mercado por preços que atingem facilmente, cifras superiores 2 mil reais. Simples para produzir o Tons de Duorum, um dos melhores custos benefício que já bebi até hoje, cujo preço gira em torno de 40 reais. 

Na estréia do outono um show de elegância e complexidade !

Beber um bom tinto era tudo  o que eu queria na noite deste sábado, em que Porto Alegre foi envolvida por um gostoso friozinho outonal e ficou com ares de cidade européia. 

A escolha  do vinho não poderia ter se mostrado mais acertada. Vindo direto de La Morra no coração do Piemonte, terra onde reinam Barolos e Barbarescos, o Barbera D’Alba  Cascina Del Monastero 2007, deu um verdadeiro show de elegância, estrutura e complexidade.

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Ao contrário da maioria dos produtores que costumam fazer Barberas sem passagem por carvalho o Cascina Del Monastero foi fermentado em barricas de carvalho e lá permaneceu por 12 meses antes de ser engarrafado, e ainda envelheceu por mais algum tempo na garrafa.

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Apresentando uma linda coloração vermelho rubi, brilhante e transparente, aromas intensos de frutas vermelhas maduras, baunilha e tostado, muito agradável no palato, carvalho bem integrado, sedoso, complexo e elegante, boa acidez, taninos macios e final longo, em nenhum momento  deixou transparecer os 14.5 % do seu teor alcóolico.

 o Cascina Del Monastero Barbera D’Alba 2007, foi uma bela e agradável surpresa e nos proporcionou  bons momentos, na linda noite de estréia do outono 2014 em Porto Alegre.

 

 

 

A democracia do Enoblogs

Publicar 15 ou mais posts em sequência, para ocupar toda a primeira página do feed do Enoblogs, pode até ser uma boa estratégia de marketing, mas tenho dúvidas se é uma atitude ética. No meu entender isso cria uma certa desigualdade entre os mais de 500 blogs que fazem parte desta blogsfera do vinho.

Como podem constatar, não sou profissional do ramo  e nem tenho pretensão ou talento para tal empreitada,  minha única e exclusiva intenção, é poder eventualmente, compartilhar  as minhas experiências de enófilo, e é nesta condição que as vezes me sinto um pouco incomodado, quando vejo estas publicações em série tomar conta de toda a página principal do feed do enoblogs, empurrando para as páginas secundárias os demais posts, mas com certeza, não é nada que vá atrapalhar o meu sono, pois para mim, escrever é apenas uma diversão

Mas enfim, como não existe uma regulamentação proibindo este formato de publicação, então está tudo certo, no final das contas , é possível que seja um certo exagero ou implicância da minha parte.

De qualquer forma, como o Enoblogs é uma democracia,  decidi deixar registrado o meu ponto de vista.

Desejo a todos uma excelente semana !